4 de março de 2021

Julho apresentou queda na produção em todos os setores

Retração de 2% sinaliza resultado mais modesto para o pib do país no 3º trimestre

Após uma alta expressiva em junho, a indústria pisou no freio diante de um consumo enfraquecido e o desempenho mais fraco na maior parte dos setores. A produção caiu 2% de junho para julho, iniciando o terceiro trimestre em terreno negativo e sinalizando um resultado mais modesto para o PIB do período, confirmando previsões.
Em junho, a alta havia sido de 2,1%, segundo dado revisado divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ontem.
O resultado da indústria ficou abaixo das estimativas das instituições de mercado, que previam uma queda pouco superior a 1%, em sua maioria. Na comparação com julho de 2012, a produção cresceu 2%. De janeiro a julho, o setor soma uma alta de 2%. Em 12 meses encerrados em julho, a taxa acumulada ficou em 0,6%.
Sob a ótica da produção, o PIB do segundo trimestre surpreendeu e cresceu 1,5% impulsionado pela indústria (que no cálculo do PIB inclui outros segmentos que não são pesquisados mensalmente pelo IBGE, como a construção civil e a geração de energia).
Analistas esperam, porém, que a indústria fique estagnada no terceiro trimestre.

Queda generalizada

Pelos dados do IBGE, nota-se uma queda generalizada da produção industrial, que atingiu todas as categorias de produtos pesquisadas. Prejudicada pelo tombo da indústria automobilística, a de bens duráveis teve a maior retração de junho para julho (-7,2%).
A segunda redução mais expressiva – de 3,3% – ficou com bens de capital (máquinas e equipamentos destinados a investimentos em aumento da capacidade de produção, transporte, energia, agropecuária e outros), que vinha de um saldo positivo nos últimos meses e mostrava-se a categoria mais dinâmica.
O bom desempenho até junho foi um dos principais pilares de sustentação do PIB do primeiro e segundo trimestres. Também registraram retração os bens de consumo semi e não duráveis (-1,5% de junho para julho) na esteira da menor produção de remédios e alimentos. Já os bens intermediários (insumos, peças e matérias-primas usadas na fabricação de produtos de consumo final) apresentaram o menor recuo – 0,7%.
Dentre os setores com quedas mais relevantes para o índice da indústria geral de junho para julho, destacam-se veículos automotores (-5,4%), farmacêutica (-10,7%), borracha e plástico (-4,5%), celulose e papel (-3,6%), além de alimentos (-1,4%).
Já as altas de destaque ficaram com refino de petróleo e álcool (3,3%).

É precipitado falar em retração

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse hoje que é precipitado falar em retração do PIB no terceiro trimestre, conforme vêm apontando alguns analistas.
Nesta manhã, o IBGE reportou uma forte queda da produção industrial em junho ante julho. Augustin, porém, ressaltou que a produção acumula expansão nos últimos 12 meses.
Questionado sobre as projeções de possível retração do PIB neste trimestre, o secretário disse que acha “muito precipitado esse tipo de posicionamento”. Ele destacou ainda o forte crescimento do PIB no segundo trimestre, que foi de 1,5% ante o primeiro.
“O PIB recentemente divulgado mostra que o trabalho de fundamentos que o Brasil vem fazendo no sentido de melhorar a sua competitividade e estimular a produção está começando a dar resultado e nossa avaliação é que isso vai acontecer sim nos trimestres subsequentes”, disse.
“Vários analistas que não tinham uma expectativa muito favorável do que acabou se confirmando, ou seja, um crescimento muito forte no segundo trimestre, imediatamente passaram a falar que no futuro o crescimento não vai ser tão alto. Eu respeito, mas acho que é uma precipitação. Acho que é o momento de avaliar o bom resultado que tivemos e compreender que há sim uma recuperação da economia brasileira”, acrescentou.

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