Julgamento do escândalo do mensalão pode durar três dias

O plenário ainda tinha lugares vazios e alguns dos advogados não chegaram a tempo do início da sessão. O líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), era um dos poucos políticos presentes. “Tendo participado da CPI dos Correios e acompanhado a denúncia, espero que o STF acolha a denúncia e abra processo contra todos os envolvidos”, afirmou o líder. Ao ser questionado se acreditava que algum dos envolvidos poderia livrar-se das acusações, o deputado respondeu que “há indícios muito fortes”.
A previsão é que o julgamento dure, no mínimo, três dias, quando os ministros do STF vão decidir se aceitam ou não a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra os acusados de envolvimento no mensalão -esquema de financiamento a parlamentares do PT e da base aliada, denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).
Na denúncia, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, cita 40 pessoas envolvidas com o escândalo. Além de Dirceu, são citados o deputado José Genoíno (PT-SP), o publicitário Marcos Valério e os ex-dirigentes petistas Delúbio Soares e Silvio Pereira.

Por orientação da ministra Ellen Gracie, os advogados, que defendem mais de um acusado, terão 30 minutos para a defesa. Porém, o ministro Marco Aurélio Mello foi contrário à sugestão. Ao final, valeu o voto da maioria, permitindo que os advogados tenham mais tempo para a sustentação oral (defesa).
O advogado José Carlos Dias, que defende Kátia Rabello, do Banco Rural, afirmou que sua cliente não pode ser associada ao esquema apontado como uma quadrilha. “É um absurdo imaginar que eles (do Banco Rural) tenham participado de uma quadrilha que tenha interesse em beneficiar parlamentares”, disse Dias.
Segundo ele, o fato de o Banco Rural ter concedido empréstimos para o empresário Marcos Valério não o associa ao mensalão. “Emprestaram dinheiro ao Marcos Valério, mas não imaginavam que iam usar ilicitamente”, afirmou o advogado.
O advogado Marcelo Bessa, que defende o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), disse que as acusações envolvendo seu cliente são improcedentes.
“A denúncia não tem justa causa e é bem inepta”, afirmou.
O STF definiu regras de comportamento que deverão ser seguidas pelos dez ministros que participarão do julgamento do escândalo do mensalão. Durante a reunião ficou acertada uma ordem de cronologia desde a leitura do relatório até o tempo de defesa para cada um dos 27 advogados. O primeiro caso a ser tratado no julgamento foi o do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), já que o Supremo decidiu seguir a ordem da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
De acordo com Ellen Gracie, ficou definido que não será concedido o adiamento para um ou outro caso, mesmo se houver apelo. “Não pode haver tratamento desigual”, afirmou a ministra.
Segundo os ministros, as regras de comportamento não incluem, por exemplo, o veto às divergências. Na prática, significa que é possível que ao longo do julgamento os ministros discordem.

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