Almir Diniz, 84, é um dos jornalistas amazonenses mais antigos ainda vivo. “Cheguei a Manaus, vindo do Careiro, em 1947, com 18 anos. Raramente lia jornais no Careiro, jornais de Manaus, mas tinha vontade de ser jornalista, então fui procurar o Aristophano Antony, dono do ‘A Tarde’, e ele disse que o jornal dele era pobre, não tinha dinheiro para me pagar. Como eu queria assim mesmo, ele procurou me ajudar”.
Antony indicou a Diniz o Jornal do Commercio, dos Diários Associados, que estava em vias de abrir um vespertino. “Mas o vespertino nunca saiu, e eu acabei por também nunca ir lá”, lembrou.
Sem desistir de ser jornalista, Almir Diniz procurou a “Folha do Povo”, de Francisco Rezende, onde recebeu a proposta de receber 20% de comissão por anúncio vendido para pagar seu trabalho como jornalista. Conseguiu vender um anúncio, mas não recebeu a comissão. Foi, então, convidado a trabalhar no jornal “O Combate”, de Afonso Rezende, irmão de Francisco. Interessante que os dois jornais funcionavam no mesmo prédio e os dois irmãos passaram a brigar pelo “passe” de Diniz. “O Afonso queria que eu fosse ser secretário de redação, função correspondente hoje ao editor”, mas naquele momento, 1949, surgia um novo jornal na cidade, “A Crítica” e Diniz não perdeu tempo em ir lá falar com o dono, Umberto Calderaro.
“Comecei no dia seguinte, como representante de ‘A Crítica’ na Assembleia Legislativa, mas além de política escrevia sobre o que mais fosse preciso. Trabalhei um, dois, três meses sem receber, até que vi um anúncio de um concurso para repórter, para trabalhar no ‘O Jornal’, do Aguinaldo Archer Pinto, proprietário também do ‘Diário da Tarde’. Fiz o concurso, passei e comecei a trabalhar, pela primeira vez como profissional, pois assinaram minha carteira e meu salário, apesar de ser mínimo, era pago em dia”, recordou.
Em “O Jornal”, Almir Diniz trabalhou por mais de 20 anos, até praticamente quando o matutito fechou as portas, mesmo tendo se formado em direiro e ido trabalhar paralelamente como funcionário público. O velho “repórter” guarda uma honraria que nunca lhe será retirada. Ele foi o primeiro jornalista amazonense a ganhar o Prêmio Esso de Reportagem (hoje de Jornalismo) Norte e Nordeste, em 1956 (o Prêmio havia sido criado um ano antes), com a matéria “Borracha, dinheiro, sangue e miséria”. “Foi a minha maior conquista entre tantas que tive no jornalismo”, disse.

Sem experiência alguma
Armando de Menezes, 87, é o jornalista mais antigo ainda vivo a ter trabalhado no Jornal do Commercio. Ele entrou pela primeira vez na redação do JC, ainda na avenida Eduardo Ribeiro, em 1948, com 22 anos, e ficou até 1951, quando abandonou o jornalismo para se dedicar ao direito, curso que acabara de concluir.
A seguir, texto escrito por Armando no seu livro “O ‘Velho’ Tude e encontros com familiares e amigos” contando a maneira inusitada que o transformou em jornalista, mesmo sem nunca ter pensado em sê-lo. “Tendo ficado vago o cargo de secretário do JC (hoje chefe de redação ou editor chefe), o diretor Epaminondas Baraúna convidara Herculano de Castro e Costa para ocupá-lo, contrariando os jovens repórteres que ali atuavam, entre eles, o hoje empresário das comunicações Phelippe Daou, e preferiam outro nome. Então, todos se demitiram e foram trabalhar na empresa Archer Pinto, no ‘O Jornal’, matutino, e ‘Diário da Tarde’, vespertino, os dois jornais de maior circulação em Manaus”.
“O Herculano conhecia o meu irmão e mandou me chamar, junto com o meu colega de turma, Erasmo Alfaia para ajudá-lo na substituição aos demissiorários. Aceitamos o convite e ele nos pediu que fizéssemos matérias na Câmara, na Assembleia, no Governo e o que mais aparecesse. Escrevíamos tudo no papel e depois líamos e explicávamos para o Herculano, que escrevia as matérias conosco ao seu lado. No terceiro dia ele chegou com a gente, nos sentou diante de uma máquina de datilografia e disse, agora são vocês que irão escrever suas próprias matérias. E assim foi nos anos seguintes”.
“Além da aproximação com a classe política, com a abertura de todas as portas para alguém a procura de conquistas de rumos definitivos, foi ali, trabalhando no JC, que colhi o melhor fruto para a minha formação intelectual”, concluiu.

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