Cada um dos quatro, a seu tempo, e sem sequer se conhecer, foram os principais responsáveis por manter o Jornal do Commercio existindo por esses longos 110 anos. Um português começou e os outros, um carioca, um paraibano e um amazonense, continuaram um empreendimento que coloca o Amazonas como o possuidor de um dos dois jornais (o outro é o Diário de Pernambuco, de 1825) há mais tempo circulando sem parar no país.

Joaquim, o pioneiro

O fundador do Jornal do Commercio foi o português Joaquim Rocha dos Santos. Lisboeta, nascido em 6 de dezembro de 1851 (ano de fundação do primeiro jornal amazonense, o “Cinco de Setembro”), Rocha dos Santos veio para o Brasil com apenas onze anos de idade.
Em Manaus o português chegou a ocupar o cargo de delegado de polícia. Foi deputado estadual e presidente do Congresso Amazonense (atual Assembleia) e depois deputado federal; administrador do trapiche da Recebedoria do Estado e provedor da Santa Casa de Misericórdia.
O feito maior de Rocha dos Santos, no entanto, foi fundar o Jornal do Commercio em 2 de janeiro de 1904 (antes dirigira o jornal “Commercio do Amazonas”). Ele, porém, jamais deve ter pensado que seu jornal ultrapassaria um século de existência e, se pensou, nem pôde aproveitar a popularidade do empreendimento, pois, menos de dois anos após a fundação do JC, em 9 de dezembro de 1905, apenas três dias depois de completar 54 anos, Rocha dos Santos sofreu uma lesão cardíaca e faleceu ao meio-dia e quinze, na sua residência à avenida Eduardo Ribeiro, mesma rua onde ficava a sede do jornal.

Vicente, o empreendedor
O carioca Vicente Torres da Silva Reis, nasceu no Rio de Janeiro, em 15 de setembro de 1870.
Formado em direito, Vicente Reis também foi delegado de polícia, na então capital federal, mas destacou-se como autor de inúmeras peças de teatro apresentadas nos palcos do Rio. Trabalhou como jornalista no “Diário de Notícias”, “Jornal do Brasil”, “Cidade do Rio” (nestes dois últimos junto com José do Patrocínio e Joaquim Nabuco) e foi secretrário do jornal ilustrado “A Vida Fluminense”. Em São Paulo, atuou no “Correio Paulistano”.
Vicente Reis chegou a Manaus em 1904, ano de fundação do JC, a convite do governador Antonio Constantino Nery (1904/1908) sendo nomeado secretário da prefeitura e depois prefeito. Ainda foi deputado estadual por várias legislaturas.
Em 1905, casou com Emília Ferreira da Silva Reis com quem teve um único filho, Arthur Cezar Ferreira Reis, que viria a ser governador do Amazonas (1964 a 1967). Em 1906 Vicente Reis comprou o Jornal do Commercio com dinheiro emprestado pelo sogro, o rico coronel Cosme Alves Ferreira. Nesse mesmo ano nascera Arthur Reis, em 8 de janeiro. Após se formar em direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1923, Arthur voltou para Manaus onde veio ser redator chefe do JC.
Em 1912, Vicente Reis substitutiu as antigas máquinas tipográficas por modernas linotipos alemãs, as primeiras empregadas no Brasil, o que demonstrava seu empreendedorismo.
Em 1943, com 73 anos de idade, 37 à frente do JC, Vicente Reis resolveu vender o jornal para Assis Chateaubriand, mega empresário das comunicações, que adquiria jornais por todo o Brasil. Foi morar em Belém, onde morreu, mas em Manaus, fundou e mandou construir o prédio da Associação Amazonense de Imprensa.

Assis, o expansionista

O paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, ou Assis Chateaubriand, ou simplesmente Chatô, conseguiu se tornar um dos homens mais influentes do Brasil entre as décadas de 1940 e 1960 graças aos inúmeros jornais e emissoras de rádio que adquiriu por todo o país. Chegou a ter 36 emissoras, 34 jornais, 18 estações de TV, mais as revistas O Cruzeiro e A Cigarra, além de revistas infantis. Comprou o Jornal do Commercio em 1943 e para cá mandou o jornalista Josué Cláudio de Souza, um de seus funcionário no Rio de Janeiro, para dirigi-lo. O único registro de Chateaubriand em Manaus é de 1951, quando ele veio para a inauguração do Hotel Amazonas, mas seus artigos eram enviados regularmente do Rio para serem publicados em Manaus.
Quando Chateaubriand morreu, em 1968, o Jornal do Commercio ainda pertencia à sua empresa, os Diários Associados, e assim permaneceu até 1984, quando o empresário amazonense Guilherme Aluízio, o adquiriu.

Guilherme, o visionário

O amazonense Guilherme Aluízio de Oliveira Silva adquiriu o Jornal do Commercio em 4 de dezembro 1984, quando o jornal já estava em seu novo endereço, na avenida Tefé, havia dois anos, após haver passado praticamente toda a sua existência na avenida Eduardo Ribeiro, num prédio de três andares, literalmente caindo aos pedaços, demolido em 1982. Na época, Guilherme Aluízio também adquiriu a Rádio Baré, a pioneira do Amazonas, que também ocupara o mesmo prédio na Eduardo Ribeiro.
Passando por modernizações e avanços nesses últimos 30 anos, o JC chega aos 110 anos ainda buscando novos horizontes.

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