Jornal do Commercio completa 116 anos com renovação e credibilidade

Em tempos de grande imprensa desacreditada, não por acaso o Jornal do Commercio chega aos 116 anos tendo a credibilidade como marca registrada.

“Quando o major Rocha dos Santos fundou o jornal, em 1904, não teve o apoio de nenhum político, tanto que não se vê nas edições do JC nenhuma alusão aos políticos da época, ou seja, ele não tinha patrocínio de governos”, lembrou o pesquisador Ed Lincon Barros.

“Rocha dos Santos criou o jornal com a intenção de apoiar a classe dos comerciantes, pois escreveu numa das edições que, em Manaus, não existia nenhum jornal voltado para o comércio, por isso criara um”, completou o pesquisador Fábio Augusto.

Fábio descobriu que, em 1906, após a morte prematura de Rocha dos Santos, um ano antes, de ataque cardíaco, o JC foi comprado pelo então superintendente (hoje prefeito) Adolpho Lisboa que o modernizou adquirindo uma das primeiras máquinas linotipo do Brasil, então as mais modernas da época.

No ano seguinte, 1907, o JC passou a ter novo dono. Adolpho Lisboa o vendeu para o teatrólogo, advogado e jornalista carioca Vicente Reis, que deixou sua marca na modernidade e na credibilidade do jornal.

“O JC foi o pioneiro no Amazonas a usar fotos junto com as matérias. Antes eram usadas gravuras. Descobri uma edição de 1911 com fotografias”, revelou Fábio.

“Quanto à credibilidade, Vicente Reis não admitia que o jornal fosse desmentido no que publicava. Mário Ypiranga Monteiro, num de seus livros, conta que certa feita saiu uma nota no jornal falando sobre a morte de um homem. Este, ao ver a nota, foi imediatamente à redação do JC reclamar com Vicente Reis. Vicente disse-lhe que o jornal só publicava verdades. Se saíra que o tal homem havia morrido, ele havia morrido”, riu Ed Lincon.

Nova sede, no Japiim

Vicente Reis morreu em 1943 e, neste mesmo ano o JC foi comprado pelo mega empresário das comunicações Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários Associados, do Rio de Janeiro, e o JC passou a ser apenas mais um dos diversos jornais que ‘Chatô’ possuía em todo o país.

“Que eu saiba, Chateaubriand só veio duas vezes a Manaus, em 1954, para a inauguração do aeroporto de Ponta Pelada; e em 1957, junto com Juscelino Kubitschek, para a inauguração da refinaria. Mesmo assim ele também investiu e modernizou o jornal. Em 1943 o empresário mandou demolir o acanhado prédio do jornal, na av. Eduardo Ribeiro, e construiu um prédio moderno, com três andares, no qual passou a funcionar a Rádio Baré, igualmente adquirida por ele”, disse Ed Lincon. Este prédio foi demolido no início da década de 1980.

“Quem assumiu a direção do JC tão logo ele foi comprado por Chateaubriand, em 1943, foi o jornalista catarinense Josué Cláudio de Souza. Apenas cinco anos depois, em 1948, Josué inaugurou a Rádio Difusora, que está aí até hoje”, acrescentou.

Ed Lincon lembrou que, em janeiro de 1977, o prédio do JC pegou fogo e grande parte do precioso acervo de fotos e jornais foi perdido.

Em 1984 o empresário Guilherme Aluízio adquiriu o JC aos Diários Associados e mudou tanto o jornal quanto a rádio para as instalações que mandara construir na av. Tefé, no Japiim, onde os dois veículos de comunicação estão até hoje.

“Com Guilherme Aluízio o JC voltou a priorizar a economia, mantendo a política e a cultura como linhas editoriais. Aluízio também foi um pioneiro na imprensa escrita ao introduzir os computadores na redação do jornal, bem como ser o primeiro jornal colorido de Manaus”, concluiu Fábio.

2020 com otimismo

Desde a morte de Guilherme Aluízio, em junho deste ano, seu filho Sócrates Bomfim assumiu a direção do jornal num momento em que o jornalismo impresso se diversifica, fortalecido por outras formas de mídias.

“2019 foi um marco na diversificação da informação a partir do jornal impresso”, lembrou Fred Novaes, editor do JC.

“Iniciamos, de forma mais ativa, as publicações no portal e, em setembro, colocamos no ar o canal de vídeo com o programa ‘JC às 15’, com os mais variados assuntos e entrevistados”, contou.

No dia 2 o canal de vídeo vai estrear o ‘Memória JC’. Serão vídeos documentários de cinco a dez minutos. O primeiros destes docs irá mostrar a história de Guilherme Aluízio à frente do jornal.

“A partir deste documentário, iremos produzir outros, sempre na mesma linha histórica, e lançaremos programas em podcast, com conteúdos em áudio”, adiantou.

Também acontecerão mais publicações especiais comemorativas, como a edição do aniversário de Manaus, que há 20 anos é sucesso de vendas a cada 24 de outubro, com o jornal sendo disputado pelos leitores nas ruas da cidade.

“A idéia é que estas edições ultrapassem as fronteiras de Manaus e comecem a circular em outros municípios”, afirmou.  

“Enfim, continuaremos 2020 com muitos projetos e otimismo, como a coluna sobre pets, livros, crônicas, que se fortalecerão ainda mais aproveitando a expertise de credibilidade que o JC tem junto ao seu público. Este é seu grande diferencial, sua credibilidade, que o acompanha em qualquer tipo de plataforma e conteúdo”, finalizou.     

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