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Joint Venture entra como novo player de mercado no transporte marítimo de cargas para Manaus

A entrada de um novo operador logístico no transporte marítimo de cargas para Manaus animou as lideranças da indústria e do comércio. Desde esta terça (6), a Norcoast deu início a sua operação de transporte de contêineres por navegação costeira, saindo de Santos (SP) com destino à capital amazonense, passando antes por Paranaguá (PR), Suape (PE), Pecém (CE). A. Há 20 anos, o setor não contava com nenhum novo entrante no mercado.

Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, a Norcoast informa que, para se diferenciar no mercado, aposta em “infraestrutura robusta e integração multimodal”, além de um serviço de porta-a-porta – buscando e entregando a carga até a porta do cliente. Seus navios contam com janelas de embarque e desembarque nos mesmos dias e horários, possibilitando um planejamento mais adequado, aumentando a eficiência logística e trazendo como vantagem a regularidade de capacidade com similaridade.

“Viemos com a proposta de dar acesso aos clientes à navegação costeira. Para aqueles que já embarcam, trazer mais capacidade para o sistema, para os que ainda não utilizam esse modal, a facilidade de ferramentas e equipes dedicadas a entender suas necessidades específicas e flexibilizar ao máximo para que possamos transacionar ainda mais cargas para o transporte marítimo doméstico”, destaca o CEO da Norcoast, Gustavo Paschoa.

Com capacidade de 3.500 TEUs, os navios terão rotação semanal, navegando de Santos para Paranaguá, Suape, Pecém e Manaus, retornando novamente a esses mesmos portos, completando uma jornada de cerca de 13 dias de duração. Todos os navios possuem bandeira e tripulação 100% brasileira. Por meio de uma plataforma digital, é possível acompanhar todas as etapas da movimentação da carga, não somente do trecho marítimo, mas durante o trajeto completo. Para Paschoa, trata-se de uma resposta direta às exigências atuais do mercado e às transformações nas cadeias de suprimentos. 

“Para nós, da Santos Brasil, é uma honra receber o primeiro navio da Norcoast e poder participar deste momento tão importante para a logística nacional. Em um país com mais de 7 mil km de costa, como o Brasil, nada mais lógico para atender a demanda doméstica do que a cabotagem, e a chegada da Norcoast ao mercado, com a chancela de duas empresas do porte da Hapag-Lloyd e Norsul, marca o início de um novo e necessário ciclo de crescimento deste tipo de navegação”, declarou o diretor-presidente da Santos Brasil, Antonio Carlos Sepúlveda.

Concorrência e custos

O presidente da Fieam e vice-presidente da CNI, Antonio Silva, argumenta que, em um mercado dominado por “pouquíssimas empresas”, é importante que o Amazonas possa contar com o ingresso de novos players de mercado. No entendimento do dirigente, o aumento da concorrência é “altamente salutar” para que o Estado consiga desenvolver um segmento melhor estruturado, ainda que no longo a médio prazo.

“É natural que essa entrada implique em redução de custos. Acredito, todavia, em um movimento de médio a longo prazo. As características do segmento não permitem que haja um impacto imediato nos custos e precificação. Houve um aumento exorbitante das taxas durante o período de seca para o serviço de praticagem. Precisamos de um mecanismo regulamentador que coíba eventuais práticas abusivas. E a concorrência auxilia nesse processo”, ponderou.

O vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, avalia que a chegada da Norcoast representa uma inovação significativa no panorama logístico da região, além de servir como um “sinal das boas perspectivas para 2024” na economia amazonense. “Esse movimento é particularmente relevante para Manaus, um dos principais polos industriais do Brasil, cuja localização geográfica tradicionalmente representa um desafio logístico”, ressaltou. 

Azevedo considera que os parâmetros e diferenciais oferecidos pela empresa podem contribuir para reduzir custos logísticos e tempos de espera, assim como otimizar a cadeia de suprimentos do PIM, e aumentar a competitividade de seus manufaturados. “Isso pode significar também um estímulo à inovação e ao desenvolvimento, fortalecendo o setor e incentivando novos investimentos. Em suma, a chegada da Norcoast representa um passo adiante na modernização e competitividade logística, essencial para o crescimento sustentável e a integração eficaz de Manaus no comércio doméstico e internacional”, frisou.

O presidente da Aficam, Roberto Moreno, concorda que a chegada de novos players na área de logística é positiva para uma economia que se queira aberta e em crescimento. “Uma regra básica de comércio é a lei da oferta e da procura. Com isso, seria natural haver uma reorganização de custos. E também uma melhoria no atendimento, através de tecnologias aplicadas no rastreio e entrega, de forma a conquistar clientes já no mercado e também novos entrantes na indústria em geral. Então, sejam muito bem vindos”, exclamou. E aguardamos também que não ocorram dificuldades climáticas que tragam tantos transtornos para as indústrias e para todo o país”, emendou.

Estiagem e regularidade

O comércio também comemorou. Para o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, a entrada de mais um operador na navegação de cabotagem com destino ao Amazonas é “motivo de regozijo” para o setor, especialmente diante das perspectivas de uma estiagem ainda mais rigorosa em 2024. “O ingresso dessa nova companhia vai fortalecer a economia e aumentar a oferta de transporte. Acima de tudo, teremos uma concorrência muito saudável, com uma redução no custo do frete. Isso é motivo de muitos aplausos dos empresários de comércio e serviços”, afiançou.

Já o vice-presidente da ACA, Paulo Couto, assinala que a navegação de cabotagem sempre foi o anseio do empresariado de Manaus. “A regularidade no tráfego é fundamental para a credibilidade dos usuários e a oferta de transporte ‘porta a porta’ elimina os custos cliente/porto/cliente, especialmente para os embarques de containers completos. A estabilidade econômica favorece a cabotagem considerando o maior tempo de viagem. Determinados produtos de maior densidade klg/m3 são mais adequados ao transporte marítimo. Louvamos a Iniciativa da Rle Nortcoast, que cumpram o prometido”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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