Na lápide do senador Jefferson Péres vai ficar escrito para sempre: aqui jaz um homem honrado. E honra ele tinha de sobra que inundava os corredores do Senado Federal onde, se sabe, poucos podem ostentar uma biografia tão exemplar quanto a do político amazonense. Ser representado por Jefferson Péres em Brasília era o orgulho de seus eleitores e o máximo para o Amazonas, porque sua figura miúda se agigantava nos debates e nas lutas políticas.
O senador parecia ter a virtude interessante de estar sempre ao lado das causas justas, não importando se em defesa do Amazonas ou simplesmente da ética na política. Diante de seus pares, Jefferson Péres era como a consciência moral de um Senado envilecido por tantas políticas individualistas e desmoralizantes, mas que sempre recebiam dele as críticas mais contundentes, diretas e definitivas. A palavra do senador era o aval contra as maracutaias, contra o desprezo social, contra a roubalheira dos recursos públicos.
Candidato ou não, o peso de seu apoio político foi capaz de mudar resultado eleitoral de forma tão surpreendente que derrubou todos os prognósticos dos institutos de pesquisas. Depois os pesquisadores reconheceram o erro de método, mas novamente aí erraram, porque na verdade ninguém mediu ou pesou o impacto que o apoio do senador teve no resultado final. Jefferson Péres era um gigante quando entrava numa luta. E aí era melhor se cuidar quem não estivesse do seu lado.
Nenhuma denúncia colava em sua figura para levantar suspeição sobre sua biografia, como é praxe no calor das batalhas eleitorais, o senador permaneceu imune às baixarias. Ninguém apontava o dedo para ele, nem os adversários, porque por trás do corpo franzino de Jefferson Péres se escoravam mais de quinhentos mil votos dados a ele pelo povo do Amazonas, que o elegeu duas vezes para o Senado. Em Brasília, não era diferente sua conduta e sua moral, porque se alguém quisesse discutir ética, era com o senador amazonense que se deveria reportar.
Jefferson Péres era a certeza de que a representação política do Amazonas estava em boas mãos. Era o orgulho de seu Estado, um fulgor a iluminar os políticos amazonenses que estão em Brasília, mas que pouco fazem para enobrecer a má afamada classe. O Amazonas era para eleger mais dois senadores e oito deputados federais de igual quilate ao de Jefferson Péres, no entanto, poucos homens atingem o grau de virtude que o senador amazonense exalava.
Ele era o homem público por essência, sem qualquer reparo que se possa fazer a sua biografia política. Foi vereador e da Câmara Municipal saltou para a tribuna do Senado Federal onde recebeu o reconhecimento de todo o Brasil. Poucos políticos tinham tanto destaque no noticiário nacional quanto o senador amazonense. Sua presença no Jornal Nacional, da Rede Globo, era tão freqüente que já se tornara comum. Definitivamente, Jefferson Péres não era político de menor monta. Ele era o alicerce, ou baluarte, do Senado, como bem disseram seus pares diante da notícia de seu falecimento, porque uma notícia assim não arranca outras palavras que não sejam de pasmo. O Brasil está menos justo, mais pobre política e culturalmente, porque está morto o senador Jefferson Péres. Que esta notícia se espalhe por todo o mundo e, onde houver um homem honrado, que uma lágrima seja derramada em memória do senador. Que os ventos anunciem, que o pão divulgue, que os livros não nos façam esquecer: morreu Jefferson Péres, o orgulho do povo amazonense.

JOSÉ POLARI é escritor e jornalista
E-mail: [email protected]

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