Jefferson Péres morre e deixa a política eticamente mais pobre

A política fica eticamente mais pobre. O Senado Federal fica moralmente mais pobre. Com a morte do senador Jefferson Péres, o Congresso Nacional perde um de seus “bastiões da moral” e a galeria dos políticos intocáveis pela mancha da corrupção se torna bem menor, porque eram pouquíssimos os que com ele ombreavam na peleja quase insana por uma forma de fazer política como ciência humana calcada na ética pessoal e na moral coletiva.
Aos 76 anos, 20 dos quais dedicados à política, Jefferson Péres parte da vida mortal para se inscrever na imortalidade que só é legada verdadeiramente aos homens de honra. Pois sua trajetória o conduziu por todos os caminhos nos quais muitos se perderam ante a desonra, mas ele soube conduzir-se na retidão de caráter que foi o marco de sua carreira profissional e política.
Homem de caráter firme na defesa dos seus ideais, num de seus últimos episódios públicos de indignação cobrou explicações do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, seu colega de partido, acusado de envolvimento com o esquema de desvio de recursos do BNDES.
Em 1988, Péres chegava à Câmara Municipal de Manaus pela primeira vez, aos 56 anos; reelegeu-se em 1992 e dois anos depois, em 1994, conquistava o primeiro mandato de senador da República, pelo PSDB. Porém, deixou o partido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, por não concordar com a publicidade excessiva tocada pelo governo tucano.
No segundo mandato, em 2002, conquistou mais de meio milhão de votos, depois de oito anos pregando e praticando a ética e a moralidade na política. Em 2006 foi vice na chapa do PDT que tinha Cristovam Buarque na cabeça. Já insatisfeito com os rumos da política brasileira, fez um histórico discurso no qual anunciou que deixaria a política após no fim do mandato.
Ele, que em 2001 fora candidato à presidência do Senado, com o apoio de vários setores da sociedade defensores da ética e da moral, teve que aceitar uma derrota para Jader Barbalho (PA), que pouco depois teve de renunciar ao mandato para escapar de um processo de cassação.
Sofrido e amargurado com a desfaçatez de homens e sistema, o senador Jefferson Péres fica como exemplo a ser seguido pelas futuras gerações, na política e na vida.

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