17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

IPI não ajuda a melhorar venda de carros

O desconto do IPI não está sendo suficiente para inflar as vendas de veículos novos no Amazonas, em um ambiente de juros mais altos e falta de veículos. O volume comercializado em abril tombou em praticamente todas as categorias. Nem as motocicletas se salvaram. Os emplacamentos somaram 4.903 unidades, 4,07% a menos do que em março de 2022 (5.111). O confronto com abril de 2021 (4.548) ainda aponta acréscimo de 7,81%, possibilitando alta de 19,95% no quadrimestre (17.739) –favorecida pelos impactos da segunda onda de Covid-19 na base de comparação. A média nacional apontou para estagnação.

Os dados regionais referentes ao Amazonas foram extraídos da base de dados disponibilizada no portal da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). A entidade informa que as informações são amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), que levam em conta todos os tipos de veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Na média brasileira, as vendas regrediram em todas as comparações, em números globais. O setor recuou 1,11%, entre março (273.591) e abril (270.560). Em relação ao mesmo mês do ano passado (269.903), a alta foi de apenas 1,37%, sendo que somente caminhões e motos ficaram no azul. Não foi suficiente para tirar o acumulado do trimestre do vermelho (-7,58% e 726.375). A Fenabrave avalia que o desempenho nacional é fruto dos impactos econômicos da guerra na Ucrânia e do repique da Covid-19 na China, mas amenizou os resultados. E, diferente da divulgação do mês passado, não falou sobre os efeitos da redução do IPI sobre as vendas.

Automóveis e motocicletas

Cinco das sete categorias listadas pela Fenabrave subiram na variação mensal, em resultado inferior ao de março, que só registrou progressões. O pior desempenho proporcional veio do segmento minoritário dos ônibus (14), com queda de 60% em relação ao placar positivo anterior. Comerciais leves (-18,65% e 423), caminhões (-7,41% e 75), automóveis (-5,42% e 1.151), motocicletas (-1,28% e 3.154) vieram na sequência. Somente “outros veículos” (+50% e 42) –que incluem tratores e máquinas agrícolas –e implementos rodoviários (+25,71% e 44) pontuaram avanços. 

O quadro piora quando se leva em consideração a comparação com o desempenho de abril do ano passado. novamente, apenas as motocicletas (+60,02%) aparecem com índice de crescimento. Na outra ponta estão ônibus (-83,91%), implementos rodoviários (-38,03%), automóveis (-36,83%), “outros veículos” (-22,22%) e comerciais leves (-9,62%). Caminhões, por outro lado, pontuaram estabilidade. O quadro é similar quando no comparativo do acumulado do ano: apenas os veículos de duas rodas (+95,49%) mantiveram as vendas no azul, com 10.400 unidades comercializadas. 

Em sintonia com a escalada do preço da gasolina e o estrangulamento da oferta mais acentuado nas montadoras de quatro rodas, pelo nono mês seguido, carros cederam lugar a motocicletas, no ranking das categorias mais vendidas no Amazonas. A despeito da desaceleração mensal, as motos continuaram na primeira posição, avançando de 35,97% para 58,63%, entre abril de 2021 e o mês passado. Em contraste, os automóveis voltaram a reduzir sua participação no bolo de vendas na mesma comparação, com 27.25% (2022) contra 42,55% (2021).

Vale notar que os números também refletem, em parte, a dinâmica do mês anterior, em virtude dos entraves logísticos do Estado. Em matérias anteriores, o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas) reforçou à  reportagem do Jornal do Commercio que os números locais devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e o Estado.

IPI x juros

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, já havia dito que as vendas de março começaram fracas e que temia que os impactos econômicos da guerra na Ucrânia acabassem gerando uma “pequena queda”, porque a “população fica receosa”.  Na ocasião, o empresário relativizou os efeitos da redução do IPI sobre os preços dos carros novos, enfatizando que as fábricas já estavam reajustando seus valores, indicando que tudo ficaria “elas por elas nos preços”.

Em nova entrevista, Diogo Augusto Maia da Silva informou que o incentivo extemporâneo do governo federal não foi suficiente sequer para compensar a escalada dos juros. “O mercado deu uma retraída, devido às taxas de juros e ao aperto no crédito, esse é o real motivo. Além disso, alguns produtos continuam em falta. Já está difícil de comprar até carros usados, devido ao preço alto dos novos. As pessoas já não estão mais trocando. Minhas vendas caíram 20% no mês passado”, lamentou.

Nas revendedoras de concessionárias de motocicletas, a situação é diferente. Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente geral da Cometa Motocenter, Agno da Silva Montalvão, contou que o arrefecimento da pandemia ajudou a melhorar o movimento e o ritmo da chegada de novos produtos na loja. Mas, não deixou de assinalar que o número é insuficiente para atender à fila de espera e o fluxo natural do mês. Ele acrescentou que estima resolver esse problema até o fim do primeiro semestre, para capitalizar a demanda. Segundo o executivo, os descontos no IPI ajudaram a inflar ainda mais a procura.

“Movimento de retomada”

Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, assinalou que os recuos registrados em abril não deixam de ser uma boa notícia, em uma conjuntura de guerra, inflação e juros altos. Ainda assim, a entidade manteve sua previsão de crescimento para este ano em 5,2%. “Temos notado uma recuperação gradativa nos emplacamentos. Apesar de ainda estarmos em retração no acumulado do ano, notamos que o fechamento do primeiro bimestre estava cerca de 13% menor, mas agora a queda é de pouco mais de 7%. Isso sinaliza um movimento de retomada”, amenizou.

Os números de emplacamentos diários são melhores. Com 270.560 unidades licenciadas, abril registrou alta de 14,5% sobre março, que teve três dias úteis a mais. Para o dirigente, o resultado é positivo, considerando o momento global de pandemia e conflitos internacionais. “A Ucrânia, que está em guerra com a Rússia, é um importante fornecedor de insumos para a indústria de semicondutores, o que agrava a crise de abastecimento global. Além disso, há problemas com preços de combustíveis no mundo inteiro. Mas, mesmo dentro deste cenário, vemos com otimismo sinais de melhora no setor”, encerrou. 

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