15 de abril de 2021

IPCA-15 surpreende e sinaliza descompasso entre oferta e demanda

A alta de 0,31% registrada pelo IPCA-15 de setembro surpreendeu a economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander. “Esperávamos aceleração, mas imaginávamos número mais alto no fechamento do mês”, disse

A alta de 0,31% registrada pelo IPCA-15 de setembro surpreendeu a economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander. “Esperávamos aceleração, mas imaginávamos número mais alto no fechamento do mês”, disse. A projeção do banco para o IPCA-15 era de 0,23%, próxima à média de 0,24% do levantamento do AE Projeções. “Todo mundo tinha uma certa insegurança com relação ao aparecimento da pressão de demanda”, disse Tatiana, acrescentando que a sequência recente de dados de inflação abaixo do esperado havia alimentado uma postura mais cautelosa entre os analistas.
Mas esse descompasso entre demanda e oferta já deu sinais no IPCA-15 de setembro, já que houve pressões disseminadas entre os diversos grupos que compõem o indicador, avalia Tatiana. “A alta chamou atenção porque não resultou de alimentação no domicílio, cuja variação veio abaixo do número total”, afirmou a economista “Isso está comprovado pelos núcleos”, acrescentou. Segundo ela, o dado geral, descontada a alimentação no domicílio, mostrou alta de 0,33%, nível superior à variação de 0,31% do índice cheio.
Tatiana chamou atenção para a aceleração em grupos como Transporte, de 0,02% no IPCA-15 de agosto para 0,33% atualmente; Vestuário, de -0,09% para 0,50%; e Saúde e cuidados pessoais, de 0,13% para 0,40%. Mesmo a alta de 0,14% registrada por Educação surpreendeu a analista. “A expectativa era de algo mais perto da estabilidade”, disse Tatiana, explicando que a sazonalidade dos reajustes de mensalidades concentra-se em agosto.
“Esse descompasso entre oferta e demanda só tende a aumentar até o final do ano”, alertou Tatiana. Essa fonte de pressão, explicou, deve somar-se ao impacto da alta acumulada de 14%, em reais, dos preços das commodities no período de janeiro a agosto deste ano. Por isso, a economista trabalha com a possibilidade de que, na média mensal de setembro a dezembro, o IPCA apresente, “na melhor das hipóteses”, alta de 0,50%.

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