Investimentos esbarram na burocracia

O Governo Federal anunciou nesta quarta-feira (4), medidas de incentivo ao crédito para as micro e pequenas empresas, como a oferta de R$ 9 bilhões em linhas de crédito ao longo do mês de outubro e a ampliação de ações de qualificação para o segmento. Do total dos recursos, R$ 8 bilhões serão para novos empréstimos e R$ 1 bilhão para renegociação de dívidas. As linhas de crédito serão ofertadas por bancos públicos e privados.

Contudo, de acordo com o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Cristóvão Marques, a dificuldade para o acesso ao crédito é um grande entrave para os empreendedores. Para ele, é uma missão quase impossível conseguir liberação de crédito.

“O Governo precisa facilitar a liberação a esses recursos, pois pede-se muitas garantias, e os micro e pequenos empresários não tem como dar garantias para obter o recurso. É preciso que os juros também sejam revistos para que o empreendedor possa ter condições de investir, poder pagar pelo empréstimo e ter lucro”, explicou Marques.

O deputado estadual Adjuto Afonso (PP), presidente da Frente Parlamentar Estadual de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais do Amazonas, acrescenta que a medida de nada valerá, se o governo não facilitar o acesso ao crédito.

Segundo o parlamentar, os recursos para o investimento no setor são muitos, porém, para ter acesso a esses valores, existe um processo burocrático que acaba impossibilitando o micro e pequeno empresário de ter acesso aos recursos disponibilizados pelo governo.

“O Governo precisa desburocratizar o processo de liberação de crédito, porque os bancos pedem tantas garantias, que o micro empresário acaba deixando pra lá e desistindo do negócio. É tanta documentação e às vezes quem está começando, não tem toda a estrutura para ter todos os documentos exigidos, com isso negócios que tinham tudo para prosperar e se tornar um grande empreendimento, acabam deixando de existir”, destacou Adjuto Afonso.

De acordo com o deputado, com o crescimento do desemprego, as pessoas passaram a investir no próprio negócio, e isso fez com que o número de micro e pequenas empresas crescesse expressivamente.

“Mas isso não quer dizer que essas empresas deram certo e que estão abertas até o dia de hoje. Pois justamente por conta de toda a burocracia a maioria dos empreendimentos se tornou inviável”, pontuou.

Dados locais
Na última pesquisa realizada pelo Sebrae em outubro de 2016, referente ao ano de 2015, os micro e pequenos empreendedores do Amazonas destacaram a falta de avalista ou fiador, a alta taxa de juros e a falta de documentação contábil exigida como os maiores fatores que dificultaram o acesso a um novo empréstimo ou financiamento.

A principal razão dada pelo banco para não conceder o empréstimo ou financiamento para os empreendedores amazonenses, foi a falta de linha de crédito com o perfil do solicitante, a conta corrente ser muito nova, e a falta de documentação da empresa.

A pesquisa apontou que os amazonenses informaram que para facilitar a aquisição de crédito é preciso que haja a redução dos juros e a diminuição da burocracia.

Contudo, a pesquisa também revela que 67% dos microempreendedores tiveram crédito liberado, 27% dos pedidos foram negados e 6% ficaram para análise no ano de 2015.

Geradores de emprego e renda
De acordo com o presidente Michel Temer, os pequenos empresários são fundamentais para a economia do país. “Aliás, que de pequenos não têm nada. São milhões de brasileiros que dedicam seus recursos e sua criatividade à geração de um empreendimento”. O presidente disse ainda que a crença no país aumenta cada vez mais, quando se pode prestigiar o micro e pequeno empresários.

Os R$ 9 bilhões serão disponibilizados por sete instituições financeiras durante a Semana Nacional do Crédito, que ocorrerá em dias diferentes em todo o país em outubro. De acordo com o secretário especial da Micro e Pequena Empresas, José Ricardo da Veiga, as linhas de crédito serão ofertadas pela Caixa Econômica e pelos bancos do Brasil, Santander, Itaú, Bradesco, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.

Portal do Empreendedor
O governo também lançou uma nova versão do Portal do Empreendedor, que permite o cadastro dos microempreendedores individuais (MEI) junto ao governo federal. A nova versão do portal traz mais funcionalidade e facilidade para a navegação, afirmou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira.

Outra ação voltada para as micro e pequenas empresas é a expansão do programa Instituição Amiga do Empreendedor. O programa busca qualificar e profissionalizar empresários de pequeno porte para o empreendedorismo, com o apoio de instituições de ensino públicas e privadas.

A expectativa é credenciar 500 instituições a atender 100 mil empreendedores até o final de 2018.

O programa é uma parceria entre instituições como o Sebrae, a Fundação Getúlio Vargas, o Ministério da Educação e a Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa, vinculada à Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

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