16 de abril de 2021

Investimento do PAC é insuficiente, diz estudo da Fundação Dom Cabral

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), além de estar atrasado, será insuficiente para atender às necessidades de investimento em infraestrutura do país

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), além de estar atrasado, será insuficiente para atender às necessidades de investimento em infraestrutura do país. Um estudo da FDC (Fundação Dom Cabral) mostra que, se o Brasil voltar a crescer entre 4% a 5% ao ano, sofrerá apagão logístico. Enquanto o PAC prevê US$ 14 bilhões de investimentos em estradas, seria preciso destinar US$ 25 bilhões até 2010. Em portos, o PAC prevê um quinto dos US$ 15 bilhões necessários. Nos demais modais de transporte (ferrovias, hidrovias e setor aéreo), são US$ 12 bilhões previstos, mas o país precisaria de US$ 25 bilhões.
“O PAC não vai resolver a questão de crescimento. O programa deveria ter outro nome, pois não vai acelerar nada, vai apenas recuperar parte do que é preciso. Mas o programa tem a vantagem de ter recolocado a infraestrutura na agenda estratégica. Não por acaso a gestora do programa já é candidata (a ministra Dilma Rousseff)”, disse o coordenador de Infraestrutura e Logística da FDC, Paulo Resende, no Fórum Econômico Mundial.
A Fundação estimou as necessidades de investimentos em infraestrutura no Brasil com base em dados da Confederação Nacional do Transporte e em levantamento próprio sobre a malha de logística e energia de quatro países com tamanhos continentais: China, Austrália, EUA e Canadá. No caso dos investimentos em energia, os números são contraditórios. O PAC prevê US$ 28.7 bilhões para geração, quando seriam necessários US$ 20 bilhões. Mas o programa destina apenas US$ 5.6 bilhões para distribuição, contra necessidade estimada de US$ 10 bilhões. “Se as distribuidoras não investirem, teremos a situação inusitada de gerar energia e não entregar”, criticou Resende, lamentando a politização do programa do governo.
Com base em estudo sobre mobilidade urbana, Resende disse que São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte correm o risco, nos próximos dez anos, de sofrer uma “ruptura” –ou seja, um congestionamento ininterrupto no horário comercial, pois há trânsito de carga e de pessoas ao mesmo tempo, tornando a malha urbana inviável.
Em São Paulo, a ruptura ocorreria em 2012. No Rio, em 2015 e em Belo Horizonte e Porto Alegre, em 2018.
Paulistanos estudam e cariocas ouvem música no trânsito A pesquisa constatou que São Paulo perde R$ 31 bilhões por ano com engarrafamentos. No Rio, os prejuízos nos quatro corredores de tráfego investigados –Linha Amarela, Linha Vermelha, avenidas Presidente Vargas e Brasil –somam R$ 15,5 bilhões.

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