7 de março de 2021

Intenção de consumo em Manaus volta a cair em janeiro

O consumidor de Manaus voltou a perder confiança, em janeiro, em meio à segunda onda de covid-19 e aos decretos de restrição de funcionamento de lojas. O índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) caiu 1,3% e seguiu na contramão da média nacional, conforme dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A insatisfação foi puxada pela percepção sobre renda atual e perspectivas de consumo, no mesmo mês em que programa federal de auxílio emergencial acabou. 

O ICF de Manaus caiu 1,3% e passou de 59,3 para 58,5 pontos ante dezembro e ficou novamente bem aquém do patamar de 12 meses antes (107,6 pontos). Pela nona vez seguida, desde abril, a pontuação se situou na zona de insatisfação (até 100 pontos), sendo a oitava em que não supera os 60 pontos. Na média brasileira, o indicador (73,6 pontos) subiu 0,7%, mas teve o pior desempenho desde 2010. No comparativo anual, houve recuo de 24,2%.

Cinco dos sete componentes do ICF caíram em Manaus, sendo que todos voltaram a ficar abaixo do patamar de insatisfação. As retrações foram puxadas por Nível de Consumo Atual (-11,9%) e Perspectiva de Consumo (-9,9%). Na sequência vieram Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (-2,3%), Renda Atual (-1,2%) e Emprego Atual (-1,1%). Os dados positivos vieram de Momento para Duráveis (+10,7%) e Perspectiva Profissional (+1,4%).

As intenções de consumo foram novamente refreadas pelas percepções negativas sobre o consumo atual, o pior dado da lista (21,3 pontos). Nada menos do que 86,5% relataram estar comprando menos do que no ano passado – e esse percentual sobe para 88,9% entre os que recebem mais do que dez salários mínimos. Apenas 7,7% dizem que estão comprando mais e 5,5% afirmam que está tudo na mesma.

A ida às compras é refreada também pelas perspectivas de consumo dos manauenses (43,1 pontos). Em torno de 74,7% consideram que seus dispêndios serão menores nos próximos meses, em relação a 2020, com maior pessimismo entre os que ganham menos de dez mínimos (75,2 pontos). Uma parcela de 17,7% aposta que ainda será maior e outros 6,7% avaliam que seguirá igual. 

Emprego e crédito

A situação atual do emprego (84,9 pontos) piorou na comparação com dezembro (85,9 pontos). A maioria ainda se sente “menos segura” (31,8%) ou simplesmente está desempregada (24,8%), enquanto apenas 16,7% estão “mais seguros”. O mesmo se deu nas perspectivas profissionais (69,9 pontos), onde a percepção majoritária (63,7%) é negativa, em detrimento dos otimistas (33,6%). 

A percepção dos manauenses em relação ao crédito reforçou insatisfação (95,3 pontos). Para 44,3%, o acesso ainda está mais fácil, enquanto 49% já dizem que ficou mais difícil. O cenário de piora se reflete na perspectiva de aquisição de bens duráveis (52 pontos): 74% das famílias garantem que este não é o momento adequado para isso e apenas 26% acham que sim. A percepção é mais negativa para os que têm renda maior, no primeiro caso, e para os que ganham menos, no segundo.

Pandemia e sazonalidade

O presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, considera que há certa estabilidade em relação à renda e um pequeno decréscimo no crédito, pela fraqueza da economia. Mas, observa que as intenções de consumo sofreram queda acentuada nos últimos 12 meses e aponta que os motivos estão nos impactos da segunda onda e na sazonalidade do setor. 

“O nível de consumo caiu mais de 10% e isso é grave. Nesse fim de ano, tivemos uma maior demanda do comércio em relação aos empregos, mas encerramos 2020 com dificuldades de abastecimento e começamos 2021 sob a crise da pandemia. Isso compromete as contratações de um modo geral. Esperamos voltar a respirar normalmente, assim que a pandemia e as restrições passarem, com recomposição vigorosa das compras e manutenção dos empregos”, afiançou.

Empregos e vacinas

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, destacou o desempenho positivo do subindice que avalia a perspectiva profissional dos brasileiros (+0,7%) e seu impacto na perspectiva de consumo (+0,2%). “A recuperação gradual da percepção do mercado de trabalho no curto prazo já se reflete positivamente, e de forma mais intensa, nas perspectivas para os próximos seis meses, em relação ao futuro profissional”, salientou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que a sequência de taxas mensais positivas em nível nacional reforça a confiança dos brasileiros na recuperação econômica, sobretudo com a proximidade do início da vacinação. “É importante a validação e a agilização da compra e distribuição das vacinas, para efetivar esse processo de retomada”, concluiu, ressaltando que o Sistema Comércio segue à disposição para contribuir para o que for possível, inclusive com o apoio das unidades do Sesc na campanha de vacinação.

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