26 de fevereiro de 2021

Intenção de consumo das famílias cresce em dezembro, aponta CNC

O consumidor de Manaus voltou a ficar mais confiante, em dezembro. O índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) subiu pelo mês seguido, mas avançou em velocidade menor do que a da média nacional, conforme dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A percepção ainda é positiva em relação ao crédito, mas as incertezas sobre emprego e consumo ainda pesam mais e inibem as compras de bens duráveis. 

O ICF de Manaus passou de 58,6 para 59,3 pontos, diante de novembro, mas ficou novamente bem aquém do patamar de 12 meses antes (105,4 pontos). Pela oitava vez seguida, desde abril, a pontuação se situou na zona de insatisfação (até 100 pontos), sendo a sétima em que não supera os 60 pontos. Na média brasileira, o indicador avançou 1,2% ante novembro e chegou aos 72,1 pontos, no pior dezembro da série histórica. Em relação ao mesmo mês de 2019, houve retração de 25,1%, a nona nesta base comparativa.

Quatro dos sete componentes do ICF ficaram negativos em Manaus, sendo que todos ficaram abaixo do patamar de insatisfação. Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (-6,9%), Emprego Atual, Nível de Consumo Atual (ambos com -3%) e Perspectiva de Consumo (-1%) registraram performances piores do que as do mês anterior (-9,5%, -2,2%, +9,8% e +5,5%, respectivamente). Em contraste, os melhores dados vieram de Perspectiva Profissional (+15,4%), Momento para Duráveis (+9,7%) e Renda Atual (+4,9%). Em novembro, os respectivos percentuais foram +17,5%, +8% e +7,3%. 

As intenções de compras foram novamente refreadas pelas percepções negativas sobre o consumo atual, que avançou, mas ainda se manteve em nível acentuado de insatisfação (24,1 pontos). Nada menos do que 84,5% dos entrevistados relatou estar comprando menos do que no ano passado –e esse percentual sobe para 86,7%, entre os que recebem mais do que dez salários mínimos. Apenas 8,6% dizem que estão comprando mais e 6,2% afirmam que está tudo na mesma. No mês anterior, os respectivos percentuais foram 84%, 8,9% e 6,4%.

A ida às compras é refreada também pelas perspectivas de consumo dos manauenses (47,8 pontos), que também ficou abaixo dos 50 pontos, de novo. Em torno de 72% das famílias considera que seus dispêndios serão menores nos próximos meses, em relação a 2019, sendo que aqueles que ganham menos de dez mínimos (72,8 pontos) são os mais pessimistas. Uma parcela de 19,7% aposta que ainda será maior e outros 7,4% avaliam que seguirá igual –contra 71,7%, 19,9% e 7,5%, em novembro. 

Emprego e crédito

Outro fator que limita as intenções de consumo vem da situação atual do emprego (85,9 pontos). Ainda na zona de insatisfação, o indicador piorou na comparação com novembro (88,6 pontos) e outubro (92,1). A maioria ainda se sente “menos segura” (33,3%) ou simplesmente está desempregada (23,1%), enquanto apenas 19,2% estão “mais seguros” – 31,3%, 24,4% e 19,9%, em novembro. A insegurança é maior para quem tem renda superior a dez mínimos (47%).

O mesmo se deu nas perspectivas profissionais (68,9 pontos), onde a percepção majoritária (63,9%) é negativa, em detrimento dos otimistas (32,8%). Apesar de os dados se manterem em patamares desfavoráveis, houve melhora sensível na comparação com os resultados de novembro (68,4%, 28,1%). Mas, assim como nos meses precedentes, as perspectivas são piores para quem recebe menos de dez mínimos mensais (65,8%).

A percepção dos manauenses em relação ao crédito entrou no nível de insatisfação, em dezembro (97,5 pontos). Para 45,7% dos entrevistados, o acesso está mais fácil, enquanto 48,2% já dizem que ficou mais difícil, em uma inversão em relação a novembro –49,7% e 45%, respectivamente. O cenário de piora se reflete na perspectiva de aquisição de bens duráveis (46,9 pontos): 76,3% das famílias garantem que este não é o momento adequado para isso e apenas 223,2% acham que sim –contra os 78,2% e 21% anteriores. Em ambos os casos, a percepção é mais negativa para os que têm renda maior.

“Componente psicológico”

Para o presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, avalia que o ICF vinha trilhando trajetória de recuperação, mas tropeçou nos últimos meses, em decorrência da crise de desabastecimento e da escalada do dólar, que teria gerado instabilidade no mercado. O dirigente também não descarta outros fatores que contribuíram para um impacto psicológico negativo para o consumidor manauense, mas considera que 2021 já apontaria para retomada.

“A redução do auxílio emergencial, assim como as perspectivas de seu encerramento, foram uma sinalização negativa do governo federal. Assim como o fato de o mercado de trabalho não ter reagido da forma que era necessário foi um componente psicológico muito forte. Mas, sempre há uma tendência de crescimento no fim de ano e é o que estamos vendo. E a notícia de que a vacinação já está próxima é algo que já melhora o astral do consumidor e do mercado”, amenizou.   

Expectativas e vacina

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, salientou que os resultados do ICF mostram que as famílias reforçaram a confiança na recuperação econômica. “Essa melhora nos indicadores de curto prazo já influencia as expectativas de longo prazo, tanto que a Perspectiva Profissional para o próximo semestre apresentou o maior crescimento no mês. Também foi registrado o maior percentual, desde maio de 2020, de famílias com percepção positiva sobre o futuro do mercado de trabalho”, analisou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, observou que a confiança vem melhorando, mas de forma lenta, gradual, e frisou que não poderia ser de outra maneira, diante do “dramático” quadro econômico provocado pela pandemia. “Nossa expectativa é de que, com a vacinação já planejada pelo governo, esse processo de retomada da confiança tenha continuidade, provavelmente se acelerando nos próximos meses”, finalizou. 

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