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Intenção de Consumo em Manaus volta a crescer em junho, segundo CNC/Fecomercio-AM

A confiança do consumidor de Manaus voltou a se fortalecer em junho. Os dados locais da CNC (Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) para a ICF (Intenção de Consumo das Famílias) marcaram o quarto mês consecutivo de expansão. O índice de crescimento mensal da cidade avançou 4,4% sobre maio e bateu com folga a média brasileira (+0,5%). Na variação anual, o placar de altas ficou em +41,61% contra +5,1%. No mês do Dia dos Namorados, a alta foi sustentada por melhora na percepção sobre renda, emprego, acesso a crédito e propensão de comprar bens duráveis.

O ICF de Manaus marcou 118,1 pontos em junho e segue há oito meses na zona de satisfação (acima dos 100 pontos). A confiança das famílias com rendimentos de até dez salários mínimos (114,4 pontos) progrediu 4,39%, deixando para trás a perda registrada entre fevereiro e março. Famílias que ganham mais (148,3 pontos) tiveram incremento maior (+5,46%) e se mantêm confiantes desde novembro de 2022. No confronto com a fraca base de comparação de junho de 2023 (83,4 pontos), o indicador apontou uma escalada de 41,61%, com ganhos substanciais em ambos os grupos. 

Em âmbito nacional, o ICF registrou sua terceira melhora no ano, após uma sequência de quatro meses de quedas. Mas, as famílias brasileiras aumentaram sua propensão ao consumo em apenas 0,5%, levando em conta a base de comparação de maio, segurando o patamar da confiança (102,2 pontos) no quadrante positivo pelo décimo mês seguido. Partindo de uma base mais forte, o índice da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo ainda cresceu 5,1% sobre maio do ano passado.

O reforço na vontade de comprar ocorre um mês após a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), medida pela mesma entidade, mostrar progressão entre as famílias de Manaus embarreiradas por contas a pagar (81,7% ou 541.935 delas) e um terceiro mês de redução entre as negativadas (48,6% ou 322.836). O Icec (Índice de Confiança do Empresário Comercial), também da CNC, subiu só 0,3% (112 pontos). Os lojistas melhoraram a avaliação sobre o momento presente, mas o temor da vazante de 2024 esfriou as expectativas e estancou as intenções de contratar.

Renda e emprego

Assim como no mês anterior, todos os sete subíndices do ICF tiveram alta mensal em Manaus, embora dois deles continuem no patamar de insatisfação. Em sintonia com a chegada do Dia Namorados, e ainda com os juros em queda, compra a prazo/acesso a crédito (+6,5%) e “momento de aquisição de bens duráveis” (+6,7%) voltaram a ter altas acima da média do indicador. Na sequência estão as avaliações do consumidor a respeito de sua renda atual (+4,9%), perspectivas profissionais (+4,9%), emprego atual (+4,1%), nível de consumo atual (+3,7%) e perspectivas de consumo (+0,8%).

Apesar da melhora exponencial, a pior pontuação veio novamente do subindicador de “momento para duráveis” (92,1 pontos): 47,3% consideram que esta não é a melhor hora para se endividar com compras. O nível de consumo atual (97,7 pontos) foi novamente dono da segunda mais baixa pontuação do ICF, embora já se aproxime do patamar da satisfação e famílias com renda acima de dez mínimos (151,2 pontos) tenham pontuação muito maior. A fatia de manauenses que estão indo menos às compras (39,8%) já pouco difere dos estão consumindo mais (37,5%). 

Em um período em que a Selic e os juros bancários ainda apontavam para baixo, o entendimento sobre a situação atual do crédito (104,9 pontos) saiu da zona de desconfiança, onde esteve desde o começo da pandemia. Os entrevistados que consideram que o acesso a financiamentos está mais fácil em relação ao ano passado (43,3%) já formam uma frágil maioria sobre os que têm entendimento contrário (38,5%). Já outros 11,7% dizem que empatou. A satisfação é maior entre as famílias mais ricas.

A avaliação sobre a renda familiar atual (135,7 pontos) e perspectiva de consumo (125,9 pontos) se mantiveram além da linha divisória da satisfação e subindo. Uma minoria cadente de 19,9% dos entrevistados em Manaus diz que a renda familiar piorou em relação ao cenário de econômico de 12 meses atrás. No outro extremo, uma maioria crescente de 55,5% enxerga melhora e 23,7% consideram que está igual. Do lado das expectativas, 49,5% das famílias de Manaus apostam em compras maiores nos próximos meses, 23,6% aguardam estabilidade e uma fatia idêntica aposta em um cenário adverso.

A perspectiva profissional (144,8 pontos) continua no topo da lista, seguida a alguma distância pelo subindicador de situação atual do emprego (125,4 pontos). Nada menos do que 66,4% das famílias esperam melhora na carreira nos próximos seis meses, quase o triplo das que têm opinião contrária (21,7%) e bem superior do que a parcela dos indecisos (11,9%). Ao mesmo tempo, aumentou também a distância entre as que se dizem “mais seguras” (42,6%) e “menos seguras” (17,2%) quanto ao emprego atual. Por outro lado, 21,8% não enxergam mudanças e a cota de desempregados (17,7%) diminuiu novamente.

Emprego e juros

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, destacou que, apesar do mercado de trabalho aquecido, as vendas do varejo ainda são inibidas pela pressão dos juros sobre a renda disponível do consumidor. “O endividamento caiu um pouquinho e, aos poucos, a população está recuperando poder de compra. É claro que ainda temos uma crise que breca as famílias, e isso só vai ser resolvido quando tivermos estabilidade econômica. Vivemos crises que remontam a pandemia e ainda temos as estiagens”, ponderou. 

Em comunicado à imprensa, a CNC enfatizou que, diferente do ocorrido em Manaus, a satisfação das famílias brasileiras com o crédito não teve variação significativa. “A necessidade de equilibrar o crédito, a manutenção da inadimplência e a incerteza no mercado de trabalho levam as famílias a serem mais cautelosas com seu consumo”, avaliou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. O dirigente destaca que, conforme apontado pelos números nacionais da Peic, a inadimplência entre os mais pobres não diminuiu significativamente, dificultando o acesso ao crédito.

No mesmo texto, o economista-chefe da entidade, Felipe Tavares, explica que o consumo vem sendo influenciado positivamente pelo mercado de trabalho, que avançou 3,8% no acumulado dos 12 meses encerrados em abril, embora venha desacelerando. “As famílias de menor renda têm maior avanço na perspectiva de consumo por conta da melhora da percepção do emprego, apesar da dificuldade de acesso ao crédito”, finalizou.  

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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