Intenção de consumo cresce entre os manauenses

Na contramão da média nacional, os números de Manaus do índice de ICF(Intenção de Consumo das Famílias) avançaram 1,4% em dezembro, na terceira alta mensal seguida, neste ano. Os números demonstram maior otimismo e disposição para as compras entre os manauenses, neste Natal, principalmente entre os que ganham mais. ‘É o que apontam os dados disponibilizados pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), nesta quinta (19). 

Em contraste, o ICF encolheu 0,8% no âmbito nacional, interrompendo uma sequência de quatro aumentos consecutivos, resultado que demonstra maior cautela das famílias brasileiras ou efeitos de uma possível antecipação de compras de fim de ano durante o Black Friday, quando o índice registrou aumento de 1,3% em relação a outubro.

Em dezembro, quatro dos sete componentes do ICF cresceram em Manaus: Momento para Duráveis (+26,2%), Perspectivas de Consumo (+2,2%), Nível de Consumo Atual (+4,3%), e Emprego Atual (+3,6%). Em sentido inverso, Perspectiva Profissional (-3,5%), Renda Atual (-7,7%) e Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (-4,7%) recuaram. No Brasil, apenas Momento para Duráveis (+3,6%) e Emprego Atual (+0,6%), enquanto Perspectiva Profissional (-3%), Nível de Consumo Atual (-2,8%) e Perspectiva de Consumo (-1,6%) puxaram os números para baixo.

O ICF de Manaus atingiu 105,4 pontos, mantendo-se na zona considerada de satisfação, onde está desde fevereiro de 2015 – quando marcou 102,9 pontos – e bem acima da marca registrada há exatos 12 meses atrás (94,3 pontos). Na média nacional, o indicador ficou em 96,3 pontos e, assim como ocorrido desde abril, situou-se na área de insatisfação.

A capital amazonense aparece descolada também da média da região Norte (+0,6% e 99,4 pontos), que segue na zona de insatisfação. O maior grau do ICF aparece no Sul (+4,1% e 105,3 pontos), a única região que registra índice de satisfação. Na sequência, aparece o Centro-Oeste (+0,9% e 100,5 pontos), levemente acima da zona de indiferença. As demais regiões encontram-se no nível de insatisfação, com maior intensidade no Nordeste (-3,2% e 93,3 pontos), seguido pelo Sudeste (-1,2% e 94,6 pontos).

Renda e juros

A vontade de comprar é maior entre as famílias manauenses que ganham dez salários mínimos ou mais, fatia de consumo onde a expansão mensal foi de 8,5%. Para os consumidores da capital que contam com vencimentos abaixo desse patamar, o incremento ficou limitado a 0,6%. No grupo dos que ganham mais, contudo, o único dado negativo veio justamente de Renda Atual (-7%). Em contraste, Perspectiva Profissional (-5,2%), Compra a Prazo (-6%) e Renda Atual (-7,8%) são os números em baixa no segundo grupo. 

Disparidade semelhante foi registrada no número brasileiro, onde as famílias que ganham de dez mínimos em diante aparecem com aumento de 5,6% na intenção de compras, impulsionadas por Momento para Duráveis (+13,6%) e Compras a Prazo (+9,1%) e outros quatro subíndices. O incremento não foi suficiente para compensar a queda de 0,8% na maioria dos consumidores brasileiros que ganham menos do que isso (-0,8%), apesar dos dados positivos para Momento para Duráveis (+3,6%) e Emprego Atual (+0,6%).

Para o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lembra que Manaus tem um dos maiores índices de endividamento e inadimplência do país e avalia que grande parte dos consumidores ainda aguarda que a queda da Selic chegue de fato aos juros bancários.

“O desemprego e o medo de ser demitido também estão altos, nas duas pontas da escala de qualificação e renda. Na construção civil, onde o trabalho é menos especializado, e em atividades técnicas e executivos, onde houve muita negociação para o funcionário permanecer na empresa. Apesar disso, o nível de vendas do comércio está excepcional”, ponderou.     

“Cenário benigno”

Em texto distribuído à imprensa, a CNC ressalta que, a despeito dos números negativos do país, a intenção de gastos tem subido na comparação anual. Em dezembro do ano passado, o índice ficou em 91,2 pontos e não passou de 81,7 pontos, em 2017. 

O economista da entidade responsável pela pesquisa, Antonio Everton, diz que os números indicam potencial para compras de novos eletrodomésticos, em virtude do aumento do poder aquisitivo e das chances de endividamento. “Nessas condições, o acesso ao crédito apresenta-se um pouco melhor, alavancado por maiores prazos de financiamento, fazendo com que as prestações caibam no orçamento das famílias”, explicou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, disse que o cenário permanece benigno, amparado por inflação e juros baixos. “Imaginávamos que as intenções de gastos poderiam regredir ligeiramente em dezembro, mas os sinais em curso continuam indicando um consumo crescente, considerando que os orçamentos vêm sendo irrigados com recursos adicionais, como FGTS, PIS/Pasep e 13º salário”, arrematou.

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