Integrantes do Conselho aprovam votação aberta na quarta-feira

Em uma sessão tumultuada e marcada por troca de insultos e manobras regimentais, com mais de oito horas de duração, foi apresentado parecer no Conselho de Ética do Senado que recomenda a cassação do mandato do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra do decoro parlamentar, pelos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) .
O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), tentou manobrar até o final do dia para que a votação fosse secreta, mas acabou derrotado por um recurso da oposição.
Em uma prévia da votação final do caso e um revés para Renan, os integrantes do conselho aprovaram por 10 votos a 5 que a votação será aberta. Devido a um pedido de vista feito pelos integrantes do PMDB, a votação foi adiada para quarta-feira que vem.
Se for aprovado, o texto vai à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e, na seqüência, segue para aval do plenário.
O texto que sugere a perda do mandato de Renan é incisivo: “Resgatar a credibilidade do Senado será tarefa difícil, mas a medida que ora se impõe é o corte na própria carne, a punição de seu mais alto representante, que incorreu em quebra de decoro parlamentar”.
Em minoria, o terceiro relator do caso, Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan, apresentou um relatório alternativo pedindo sua absolvição. Para esse documento ser aprovado é preciso que os conselheiros derrubem antes, no voto, o parecer que pede a cassação.
Renan chegou ao Congresso no início da tarde e não deu entrevistas. Seu advogado, Eduardo Ferrão, fez sua defesa no conselho. “Não me recordo na História de alguém que tenha passado por um massacre, uma chacina dessa envergadura”, afirmou. “As inconsistências não são da conta do senador, mas do laudo da PF”, disse.

Bate-Boca

Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros, e senadores da oposição desistiram dos argumentos no Conselho de Ética e partiram para a troca de insultos. A sessão teve que ser interrompida para evitar que o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e Almeida Lima (PMDB-SE) se agredissem fisicamente. “Estão querendo castrar o direito de um senador de falar. A força do direito sim, o direito à força não. E não adianta bater na mesa!”, disse Almeida Lima (PMDB-SE), de pé e aos gritos, para Tasso, que havia dado socos na mesa. A primeira reação do tucano foi o deboche. “Calma, boneca”, disse ele. O bate-boca continuou até o tucano avançar na direção de Almeida Lima, que chegou a tirar os óculos. Eles tiveram de ser separados. “Calma”, pediu Pedro Simon (PMDB-RS). “Não é para transmitir”, repetiu desesperada, por três vezes, a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra, para o cinegrafista da TV Senado.

Regras da votação

Aliado de Renan, Almeida Lima é um dos relatores do processo e preparou um parecer alternativo pró-absolvição. “Você é um palhaço, você é um vendido”, afirmou Tasso. Almeida respondeu: “Nem as palavras nem a estatura de Vossa Excelência me impressionam”. Tasso recebeu apoio do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). “Ninguém quer castrar Vossa Excelência. Nem as palavras nem de jeito nenhum”, disse.
As brigas foram causadas pela demora do presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), em esclarecer as regras da votação, se ela seria aberta ou fechada e se os dois pareceres teriam o mesmo peso. “Eu acho que o senador Quintanilha está cometendo uma falha nesse momento ao não definir o rito com a clareza do devido processo legal”, afirmou um dos relatores, Renato Casagrande (PSB-ES).
A apresentação do parecer pela cassação de Renan só começou depois de uma assembléia informal, com os integrantes do conselho amontoados em torno da mesa da presidência do Conselho. Nesse momento Quintanilha definiu que o relatório de Marisa e Casagrande teria prioridade de leitura e votação.
Após a leitura do documento, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) solicitou a presença de Renan para se defender das acusações. Mas o senador Gilvam Borges (PMDB-AP) o desencoraj

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