Instituto Amazônia+21, tudo apenas (re)começa…

Antônio Silva(*) [email protected]

Manaus acolheu, nesta terça-feira, 15 de junho, entre tantos sobressaltos cotidianos, a boa notícia mais entusiasmante do momento, o lançamento do Instituto Amazônia +21, um programa de desenvolvimento regional proposto pelo setor privado da região, sob a responsabilidade das entidades locais e nacionais da indústria, tendo à frente a juventude e a determinação do líder  empresarial, Marcelo Thomé da Silva de Almeida, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia, que apresentou os detalhes para a comunidade Manaó. Vocações econômicas, sob o crivo da sustentabilidade ambiental e geração de riquezas, com recursos gerados na Amazônia e pelos empreendedores que atuam sob a convicção da compatibilidade entre economia e ecologia.

Protagonismo do setor produtivo 

O momento se reveste de uma importância histórica singular pois celebra o protagonismo de quem produz riqueza e propõe paradigmas de sustentabilidade e de prosperidade para o futuro da Amazônia. O mesmo que nos move há 54 anos com o programa Zona Franca de Manaus, de ações e contradições nesta interação entre o Brasil e sua maior parcela, a Amazônia, a mais desconhecida e, em múltiplos sentidos, a mais promissora. Nada contra o protagonismo gestor do setor público, muito pelo contrário. Para nós empresários, manter um canal aberto de discussão e de avaliação de resultados com a ação pública  é o melhor dos mundos. Tão importante quanto, na instalação deste Instituto, trazermos para a sociedade a metodologia e os frutos dos bons investimentos que aqui fazemos. Investimentos que se caracterizam pelo melhor resultado, na ótica socioeconômica e ambiental, e com mais baixo custo. Isto é, nossos empreendimentos combatem o desperdício e priorizam a otimização de despesas para diversificação dos benefícios. Este protocolo está a disposição para as ações compartilhadas que podemos avançar na defesa do interesse civil. 

Pioneiros e empreendedores 

Permitam- me contar uma história. Manaus, década de 70, copa da FIFA no México, Brasil foi campeão como uma das seleções mais aguerridas da história. Três pioneiros e empreendedores de mão cheia, Antônio Andrade Simões, Petronio Augusto Pinheiro e Osmar Alves Pacífico, nativos de carteirinha e brasileiros de militância, com a chancela de uma trajetória aguerrida,  convencem a Coca-cola Corporation a fincar acampamento na região. Naquela ocasião, a produção do xarope do refrigerante ainda não ocorria em Manaus e, por muito tempo, foi trazida de caminhão para a nova fábrica, a partir do Rio de Janeiro. Por alguns anos, antes da verticalização industrial da Zona Franca de Manaus, isso se dava em três dias, através da rodovia BR-319. Entre outras conquistas, a vontade política daquele momento contemplou o direito inalienável e constitucional de ir e vir. Como deixar tanto tempo nossa gente tão isolada? Não havia devastação nem queimadas e, com o passar do  tempo, com a extensão rodoviária do Amazonas até o Caribe, com a BR-174,  vigiada pelos índios Waimiri-Atroari, ficou provado que é possível  proteger a floresta e assegurar seu desenvolvimento com equilíbrio e responsabilidade civil. Como lembra o companheiro Wilson Périco, “…nossos irmãos índios foram competentes para evitar a destruição ambiental. Nossas forças militares também serão. Temos certeza”.

O que representa este fato? 

Antes de mais nada a história reafirma o talento empreendedor de nossa gente, sua vocação para a modernidade e prosperidade social. As ações, mais do que discursos e narrativas eloquentes, se pautavam pelo respeito ao meio ambiente e prioridade civil. O poder público, como poucas vezes, foi capaz de abraçar uma causa vital para a região. Sem este abraço onde estaríamos a essa altura. O abraço significou a chancela de um programa que redesenhou a paisagem humana e o perfil econômico da região. Infelizmente, os que vieram depois não foram capazes de entender a conjugação do verbo abraçar e seu sucedâneo de trabalhar em mutirão. 

Irradiação regional de oportunidades

Nas últimas décadas, as pressões políticas de quem não entendeu o sentido de nossa compensação fiscal , os confiscos crescentes da riqueza que aqui deveria ser aplicada, se transformaram em vetos da diversificação comercial e industrial de Manaus, fator de irradiação regional de oportunidades. Se colocaram contra o adensamento de nossa economia e deixaram pelo caminho o fato relevante de um dia o Brasil ter abraçado suas matas, certamente, a fonte sustentável de sua viabilidade de desfilar entre as grandes nações desta civilização. 

Guarda e zelo do bioma 

A iniciativa de criação do Instituto Amazônia 2021, abraçada pela CNI – Confederação Nacional da Indústria e do Comércio, CNC,  e entidades do comércio e indústria da região, ninguém poderá mais nos impingir vetos e lições de guarda e zelo deste bioma. E o que tudo isso significa do ponto de vista do setor produtivo, senão um um alento na perspectiva de intervenção ousada na Amazônia a partir da própria Amazônia. O programa reúne um trabalho silencioso e fecundo de atores que – há muito produzem saídas e riqueza para a região – juntamente com todos os envolvidos e compromissados com esta esfinge. São atores que buscam amá-la para conhecê-la no esplendor de seus serviços, a grandeza de seus impactos e de suas infinitas oportunidades.

(*) Antonio é administrador de empresas, empresário, presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria.
Foto/Destaque: Divulgação

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