Insegurança prevalece no setor de navegação na Amazônia

Sondagem realizada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) mostra que um dos maiores desafios do transporte aquaviário continua sendo o roubo de cargas. O diagnóstico está na Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador 2018 e as projeções para 2019 e reforça o pleito do  Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas) pela instalação de uma polícia hidroviária federal.

O secretário do Sindarma, Homero Santos, explica que os crescentes roubos de cargas geram um prejuízo anual de R$ 100 milhões ao segmento. Ele declara que de esses roubos aumentaram e a pirataria nos rios vem se tornando cada vez mais comum nos rios da Amazônia.

“Esses piratas estão cada vez mais audaciosos. Eles rendem e ameaçam tripulantes, com armamento de grosso calibre. Já pedimos na época do ministro José Eduardo Cardozo a criação de uma polícia hidroviária federal. Mas infelizmente nada foi feito. Estamos de mãos atadas”, disse.

De fácil comercialização, os combustíveis são um dos principais alvos dos criminosos. A polícia federal realiza inúmeras fiscalizações, mas o impacto tem uma cadeia muito grande, segundo o Sindarma. Os roubos são apontados como principal fonte de abastecimento para o tráfico de drogas e prostituição, além de entender que esse tipo de roubo está ligado, também, ao abastecimento do garimpo ilegal nos rios da região.

No ano passado, uma embarcação foi atacada no Rio Tapajós, na região do Estreito de Breves, no estado do Pará. Conforme Homero o trecho é usado por embarcações que seguem de Manaus para Belém com produtos da Zona Franca de Manaus. “É um trecho bem perigoso. É um rio solitário. Isso encoraja os criminosos, lembrou o secretário do Sindarma, que faz um apelo para que as autoridades pedindo reforço de policiamento nos rios.

Os registros das ocorrências, em sua grande maioria, são roubos de combustíveis dos tanques das embarcações, mas Homero Santos cita ainda que muitas vezes, os piratas levam todos os pertences da tripulação, em alguns casos, sofrem violência física que resultam em morte.

Segundo o sindicato, no final do ano passado, houve um furto de 642 mil litros de gasolina, estimada em R$3 milhões. Esse combustível estava na balsa de uma empresa transportadora de combustíveis atracada em um terminal privado na margem do Rio Negro, em Manaus. O registro é considerado o maior desvio de combustível no Amazonas.

O diretor da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária), Dodó Carvalho, relata que os municípios com maior registros de roubos: Codajás, Coari e Tefé e em torno de Manaus, além dos municípios do Alto Solimões.

“Há atuação de equipes da polícia federal, mas, é necessário um maior reforço policial nas rotas fluviais. As ações de polícia nos rios são muito pequenas em relação a extensão em toda a Amazônia. Precisa ter reforço com mais guarnições distribuídas”, avaliou.

Conforme Carvalho, o governo do estado tem conversado com o setor para buscar melhorias. E no âmbito federal, pleiteiam um reforço de segurança no intuito de reforçar parcerias para um novo olhar para o combate ao crime organizado na região. “Confiamos que as coisas mudem no novo governo. A nossa esperança é que esse cenário mude”.

"Logística é o primeiro ponto a ser pensado para não se perder o boom do crescimento", enfatiza Dodó Carvalho.

Ele acredita que a superação de gargalos depende do investimento público. "Quando o governo fala em entregar para o setor privado toda a infraestrutura, algumas questões preocupam a gente, pois nem tudo, principalmente aqui, na Amazônia, interessa ao setor privado. Então tem que ter a mão do governo, criando as condições necessárias", pontua.

 

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