17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Inovação para rádios em pauta

O processo de migração das rádios AM para a modulação FM não é a única transformação atravessada por empresas do ramo. Diante da mudança no comportamento dos ouvintes, a incursão de emissoras no mundo dos aplicativos também tem avançado bastante: o número de rádios com a plataforma disponível já é três vezes maior que o de 2010.
Segundo a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV), cerca de 4 mil das 4,9 mil emissoras comerciais do país já disponibilizam a opção; em 2010, elas eram apenas 1,3 mil. Considerada obrigatória para a sobrevivência do segmento em tempos de transformação digital, a adaptação adquiriu um ritmo célere após a entidade assumir a dianteira do processo, criando uma plataforma agregadora de aplicativos – o Mobilize-se -, que já conta com quase mil aderidas. O programa foi acompanhado pela criação de um fundo para auxiliar emissoras de menor porte na transição.
“Em 2008, 89% dos domicílios contavam com aparelho de rádio em casa; em 2014, esse número estava em 74%. A alternativa que temos é buscar novos meios de recepção”, explica o diretor-geral da Abert, Luis Roberto Antonik, que reporta sinergias em torno da ferramenta criada pela entidade. “As anunciantes não querem mais pagar por [inserções em] duas ou três rádios. Elas querem fazer em mil de uma vez”, argumenta. A preferência dos patrocinadores não tem ligação somente com o volume de rádios inscritas no Mobilize-se, mas, sobretudo, ao fato de 94% dos brasileiros já se declararem consumidores de áudio digital, seja via apps de radiodifusoras ou de plataformas de streaming como o Spotify (as informações são da Audio.ad).
A transformação também vem motivando grandes mudanças nos canais de comunicação entre ouvintes e emissoras. “Nossa interação hoje é 90% via WhatsApp. O ouvinte quase não liga mais para a rádio”, exemplifica o diretor de tecnologia da Nova Brasil FM, Alan Costa. Com um aplicativo próprio que contabiliza mais de 50 mil downloads apenas na Play Store (a loja virtual da Google), a emissora não precisou do suporte da Abert para a transição, diferente de outras rádios ouvidas pelo DCI. Participante do Mobilize-se, a gaúcha Jovem Pan Litoral está apenas aguardando a inclusão da popular ferramenta de mensagens instantâneas no agregador da Abert para ampliar seus canais de diálogo com o consumidor. “Já temos um chat onde conseguimos interagir com o ouvinte, e onde eles podem pedir músicas ou mandar o seu ‘bom dia'”, afirmou ao DCI o gerente administrativo da emissora, Rodrigo Borges.
A potiguar Santa Cruz AM é outra rádio que afirma colher bons frutos da experiência. “O aplicativo é algo que já não podemos deixar de ter”, garante a diretora administrativa da emissora, Albenise Rely.

Transição com foco no fortalecimento da banda larga

Curiosamente, o fortalecimento das redes de banda larga móvel e a migração das rádios AM para a frequência FM são dois assuntos mais interligados do que se imagina: ambos os processos dependem da limpeza das frequências hoje ocupadas pela televisão analógica. Outrora previsto para 2018, o processo teve seus prazos dilatados até 2023 por conta da baixa incidência de domicílios aptos à recepção da TV digital e da dificuldade dos canais e das operadoras de telefonia fixa em incentivar o telespectador a comprar um conversor digital ou um novo aparelho.
Na semana passada o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações) divulgou um panorama sobre a migração: das 1.781 rádios AM brasileiras, 1.384 (ou 77%) já deram o primeiro passo, solicitando a mudança de frequência. Desse total, 948 emissoras já possuem seus nacos de frequência ‘reservados’, enquanto 436 aguardam a liberação de espectro (algo que só deve ocorrer quando os canais 5 e 6 da TV analógica forem desocupados).
Por outro lado, outras 397 emissoras ainda não começaram a transição – algo que preocupa Antonik, da Abert. “Como precisar comprar todo um equipamento novo, muitas ainda não tem condições”, afirma o dirigente, que admite a possibilidade de rádios menores ou locais fecharem suas portas em caso de não adequação.
No caso das emissoras ouvidas, a Rádio Boa Nova afirmou que “já tomou os trâmites necessários” e que só está aguardando o decorrer do processo no restante do País. Tanto a Santa Cruz quanto a Jovem Pan News – braço AM da Jovem Pan Litoral, que é FM – também afirmaram ter iniciado o processo. Já a Nova Brasil não precisará realizar migração, uma vez que só opera na frequência FM.
O cronograma do switch-off da televisão analógica tem Brasília como próximo alvo: o desligamento na capital federal está programado para outubro deste ano. Em março de 2017 será a vez da cidade de São Paulo.

Rixa

Além da baixa disponibilidade de espectro, há um outro fator que também tem dificultado a modernização das emissoras brasileiras: a resistência das fabricantes de smartphones. “Hoje sentimos que os celulares mais modernos deixam de colocar a opção rádio, o que dificulta nossa operação”, explica Alan Costa, da Nova Brasil.
A Abert afirma estar atenta à questão e afirma desencorajar a compra de dispositivos que não oferecem a funcionalidade -como o popular iPhone, da Apple. “Incentivamos uma publicidade bem agressiva para que não comprem celulares sem rádio FM”, conta Antonik, que reporta sucesso na iniciativa: segundo ele, entre os celulares de até R$ 300, quase 99% já incluem a opção. Quando considerados os smartphones chamados ‘tops de linha’, esse percentual recua para 89% -número bem maior que os 30% percebidos no mercado brasileiro em 2009.

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