Iniciativas simplificam acesso ao crédito

Mais acesso à crédito e de forma simplificada para os empreendedores amazonenses, é o que propõe o governo e instituições bancárias do Estado que visam estimular o crescimento das MPMEs (micros, pequenas e médias empresas) do Amazonas. Só este ano, a Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) lançou, em dois meses, três novas linhas de crédito e teve como recurso para o ano de 2017, R$ 66 milhões para atender capital e interior. O Basa (Banco da Amazônia S/A) anunciou também a inauguração de uma Central de Crédito que vai movimentar cerca de R$ 1,04 bilhão no Estado.

Além de acesso ao crédito, as MPMEs poderão contar com um programa de orientação ao crédito para viabilizar seus projetos de expansão e ampliação de seus negócios. O projeto foi concebido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), que está implementando, através do CIN-AM (Centro Internacional de Negócios do Amazonas), o NAC (Núcleo de Acesso ao Crédito). O lançamento do programa acontece no dia 22 de novembro, na sede da Federação.

Já funcionando nas regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o NAC, uma estrutura de atendimento ao setor empresarial que oferece serviços padronizados de orientação, capacitação, assessoria e consultoria ao crédito, será implantado pela primeira vez na região Norte. Esta habilitação vai viabilizar para as empresas o acesso mais rápido à operação de créditos com taxas de juros diferenciadas, além de outras vantagens.

De acordo com o gerente do CIN-AM, Marcelo Lima, este é um projeto inédito e de extrema importância para o Estado. “O acesso ao crédito é primordial na retomada do crescimento, a crise absorveu os recursos próprios das empresas, principalmente as MPMEs. Os empresários vão poder contar com condições especiais no crédito para capital de giro, investimentos e financiamentos, além de atendimento especializado e benefícios específicos para o segmento”, ressalta Lima.

O CIN também será o responsável por fazer a divulgação do NAC e buscar as empresas que precisam deste crédito. A expectativa é atender mais de 40 empresas com o assessoramento. “Através de material informativo, muita divulgação, a realização de workshops e seminários voltados para a gestão financeira além da parceria com os sindicatos patronais, iremos atingir o nosso público alvo”, relata.

Inicialmente, os bancos parceiros serão o Basa (Banco da Amazônia), a CEF (Caixa Econômica Federal) e o Bradesco. São eles que irão estabelecer as linhas de créditos para as empresas. “Será feita uma análise de cada empresa cadastrada junto ao banco para saber se ela se encontra dentro dos critérios estabelecidos e de quanto será o valor investido no seu projeto. O diferencial é que as taxas de juros serão abaixo do mercado”, conclui Lima.

Linhas de Crédito
O diretor-presidente da Afeam, Alex Del Giglio destacou que serão apoiados projetos de desenvolvimento de produtos de bens e serviços ou de processos inovadores que incorporem novas tecnologias, que tenham aplicação em setores como, por exemplo: agronegócio, eletroeletrônica, tecnologia da informação, bioeconomia, novos materiais, biotecnologia, energia, logística e turismo, tecnologia de alimentos e meio ambiente.

“Essas são áreas exploradas pelo nosso polo industrial ou que têm grande potencial de desenvolvimento. É o caso do meio ambiente, que pode nos abrir novos mercados na produção de alimentos, como o de pescado, e da biotecnologia, com potencial de gerar novos insumos a serem utilizados pelo próprio PIM (Polo Industrial de Manaus)”, explicou Del Giglio.

A Afeam, tem como carro chefe o microcrédito, que disponibiliza R$ 500 a R$ 15 mil de empréstimo, com juros subsidiado pelo governo, de 3% ao ano. Agora foram lançados novas linhas: Afeam Mix, Afeam Middle e o Inovacred. A Afeam Mix é voltada para as MPEs (micros e pequenas empresas), com faturamento de R$ 360 mil por ano para as micros e de R$ 360 mil a R$ 16 milhões para as pequenas empresas. Atualmente a taxa de juros para as microempresas é de 14,68% e para as pequenas empresas, 15,93%. Nessa linha de crédito as empresas podem solicitar um capital de R$ 50 mil até R$ 1 milhão. O Afeam Middle é voltado para empresas de médio porte, com mais de 5 anos de mercado e faturamento maior que R$ 16 milhões e menor que R$ 90 milhões ao ano. Podendo solicitar valores a partir de R$ 500 mil dependendo da análise de crédito que for realizada a partir de dados da empresa. Atualmente a taxa de juros nessa linha de crédito é de 19,07%. O Inovacred é um programa que tem parceria com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e tem como objetivo oferecer financiamento a empresas de receita operacional bruta anual ou anualizada de até R$ 90 milhões, para aplicação no desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, ou no aprimoramento dos já existentes, ou ainda em inovação em marketing ou inovação organizacional visando ampliar a competitividade das empresas no âmbito regional ou nacional.

Instituições fomentam crédito com taxas diferenciadas
Na mesma via de fomento ao Amazonas, o Basa surge com a Central de Crédito, a previsão é que os serviços sejam disponibilizados a partir de março de 2018. O banco informou que os serviços estarão disponíveis por meio digital, através de serviços online; a central física fica em Rondônia, contudo, o Amazonas terá total autonomia para atender as solicitações de crédito. Porém, os interessados poderão também solicitar crédito em suas agências.

Segundo Marivaldo Melo, presidente do Basa, a iniciativa trará agilidade às análises de financiamento, uniformidade no processo de crédito e tornará mais transparente e eficiente a gestão do crédito (originação, análise, acompanhamento, contratação e recuperação). Será uma mudança cultural na forma de analisar o crédito, com modernidade e eficiência. Marivaldo afirma que, o Estado do Amazonas permanecerá com a mesma autonomia de decisão sobre os financiamentos do Estado e o mesmo nível de volume de aplicação de recursos e não haverá qualquer subordinação ao Estado de Rondônia, mas sim à matriz da instituição, como já ocorre atualmente.

O presidente afirma ainda, que “com a centralização, toda a análise, liberação e acompanhamento do crédito serão realizadas de forma mais padronizada, o que possibilita ao cliente fazer o acompanhamento sobre o andamento do seu pedido de financiamento”.

No período de 2012 a 2017 o Basa contratou no Estado do Amazonas mais de R$ 3,2 bilhões, contemplando mais de 39 mil operações. Estima-se que os impactos sociais realizados com financiamentos do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), concedidos nos últimos cinco anos, já incrementaram em R$ 928 milhões o VBP (valor bruto da produção) regional, aumentaram em cerca de R$ 509 milhões o PIB regional, criaram mais de 14 mil novos postos de trabalho no campo e na cidade, gerando um volume de salários de aproximadamente R$ 116 milhões e crescendo a arrecadação de tributos na ordem de R$ 142 milhões. Para o ano de 2018, o Banco pretende disponibilizar cerca de R$ 1,3 bilhão para o desenvolvimento do Estado.

Acesso ao crédito
Na Afeam, a solicitação de crédito inicia com a inscrição em uma palestra na agência, feita no próprio site o www.afeam.am.gov.br. Após isso, durante a palestra é explicado todo o processo de acesso ao crédito, os interessados seguem para um curso no Sebrae, na área de gestão de recursos e empreendedorismo. Depois de todo esse processo, o empresário decide por solicitar ou não o crédito, que é liberado após análise de crédito no CPF ou CNPJ da empresa.

Para o diretor da Afeam, Alex Del Giglio, a preparação profissional vai consolidar negócios mais promissores no Estado. “A nossa proposta é que a pessoa passe por um processo de capacitação em formações específicas para tratar do negócio e gestão dos recursos. Queremos ver mais efetividade e preparação das pessoas com os financiamentos para que lá na frente esses beneficiados possam virar um grande empreendedor”.

No Basa, de acordo com Edmar Bernardino, gerente de administração das Centrais de Crédito, o objetivo da implantação da Central de Crédito é dar mais agilidade e celeridade na aprovação de projetos que serão analisados. “Hoje, cada agência realiza essa análise e encaminha para a sede do Banco. Com a implantação da Central, todos os processos serão enviados para um único local, sendo analisadas por uma equipe totalmente preparada em cada área, conforme a especificidade do projeto. A expectativa da Instituição é reduzir pela metade o tempo de análise dos pedidos de financiamentos. Assim, os colaboradores das agências e superintendências regionais poderão trabalhar com maior foco na geração de negócios e no atendimento dos clientes, bem como as equipes da nova central estarão empenhadas para prestar o melhor serviço à sociedade. “Com a central já ativada observamos nitidamente esta melhoria”, ressaltou Bernardino.

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