“Influência é moeda digital em valorização”

Era para ser apenas um momento de reflexão, mas acabou viralizando nas redes sociais. Quantas vezes já não presenciamos isso? Claro que em um mundo cada vez mais digital, fica muito mais fácil assistir sua opinião reverberando a cada like, comentário, marcação e compartilhamento. Estamos totalmente familiarizados com os “digitais influencers” como profissão, seja Youtubers, blogueiros, instagrammers e twitters, porém foi criada uma categoria para aqueles que produzem conteúdo de forma mais profissional para a web, independente da rede social em que atuam. O mercado de trabalho percebeu os benefícios que esses profissionais trazem e os acolheu, utilizando o poder de impacto de suas mensagens em benefício das empresas. É aquele profissional influencer que além de sua experiência na área de atuação, traz “fãs e novos seguidores” para o time, um tesouro difícil, mas não impossível de achar na hora da contratação.

Mas será que essa vai ser a nova habilidade exigida pelo mercado? O poder de influenciar pessoas despretensiosamente nas redes sociais?

Atualmente, todos nós, em uma escala maior ou menor, produzimos conteúdo para web, o que difere é o engajamento que algumas pessoas têm a cada postagem. Parece que é simples assim, pensar e postar, mas este poder de influenciar pessoas vem como resultado de um conjunto de habilidades fundamentais para profissionais que querem utilizar a influência como moeda de troca e se blindar, evitando uma demissão no futuro ou conseguir uma contratação. Afinal capacidade para criar conteúdos interessantes e que gerem conexões com o seguidor, ter conhecimento de ferramentas digitais, algoritmos, kpis e métricas nas redes sociais ainda é um bicho de 7 cabeças para muitas pessoas.

Em 2017, a atriz Natallia Rodrigues fez um desabafo em seu perfil no Facebook sobre uma proposta de trabalho. “Recebi um telefonema de um produtor dizendo que queria me indicar para uma novela, mas que era para eu comprar seguidores. Eu dei risada e perguntei por que teria que comprar seguidores para ele me indicar. Ele respondeu: ‘Porque vamos escolher a atriz através das redes sociais'”.

Não é de hoje que a internet define o comportamento futuro do mercado, porém esses “desabafos” também trazem seguidores e engajamento. Um estudo proposto pelos psicólogos Ana P. Gantman, William J. Brady e Jay Van Bavel mostra que os termos que apelam a nossos valores, sejam bons ou ruins, “são particularmente efetivos no momento de captar nossa atenção”. Ou seja, no Twitter, e nas demais redes sociais, têm mais sucesso as mensagens que apelam às nossas emoções. E assim qualquer comentário que gere uma conexão em comum mexendo com emoções compartilhadas tem uma probabilidade muito maior de viralizar. Foi exatamente expondo pensamentos e opiniões referente a coisas com as quais me identifico, despertou-me a curiosidade em saber mais sobre a minha entrevistada na coluna de hoje, a jornalista, especialista em Marketing, Ann Kath.

Talvez falando assim, você não saiba exatamente de quem se trata, mas recentemente seu post no twitter, falando sobre os benefícios de ter levado um não da empresa Bemol viralizaram, gerando 33 mil likes e 751 comentários no perfil de instagram Manaus na Depressão.

Ann Kath, tinha um pensamento fixo de que após sua formação universitária tentaria entrar no time de profissionais que compõem a equipe de marketing da Bemol, uma rede de lojas de departamento conhecidíssima na nossa região. Após várias tentativas e repetidos não, Ann decidiu se mudar para São Paulo, onde conquistou uma vaga no time de Inteligência do Atendimento do Mercado Pago, fintech líder em formas de pagamento na América Latina. E a partir deste cargo, foi convidada para participar da seleção de testes do “maior time de comunicação do Banco Santander da América Latina”, exatamente onde ela trabalha hoje. Ann é apaixonada pela sua profissão e pretende permanecer por muito tempo aprendendo, crescendo e criando dentro da comunicação.

O que motivou a sua escolha pela área de comunicação? Como começou a sua relação com os conteúdos digitais e virais?

Ainda na adolescência percebi que a comunicação era aquilo que eu gostava de fazer. Sempre gostei de trabalhar e inovar em qualquer coisa que eu fizesse. Nas redes sociais descobri um meio de expor minhas ideias e opiniões. Desde 2011 escrevo no Facebook onde consegui me aproximar das pessoas e eu amo demais isso. O primeiro texto a viralizar foi uma crítica, lembro que na época fiquei assustada positivamente com a força que a internet tinha, e depois disso passei a escrever com mais frequência.

O que motivou o seu post sobre a Bemol e como foi pra você saber que estava na página?

Eu estava de férias em Manaus e passei em frente à uma das lojas da Bemol. Fiquei lembrando de meu antigo sonho e decidi postar com um comentário simples, meu desejo juvenil.  Eu nunca imaginei que ao compartilhar com tanta gente, encontraria várias pessoas que também sonhavam em fazer parte do grupo de funcionários da Bemol. Achei curioso e muito interessante quando meus seguidores no Instagram começaram a me marcar no post. Estava no flutuante tomando um suco de cupuaçu, eu realmente não esperava que esse comentário viralizasse. Mas fiquei feliz.

Manaus ainda tem muito a crescer, em se tratando de influenciadores experts, mídias sociais e a consequente monetização desse mercado. O que acha que precisa acontecer no mercado local para as tendências de negócios digitais se firmarem?

Fico bastante incomodada quando percebo que as empresas em Manaus ainda não acreditam na força da internet. Não existe um olhar para o futuro, uma perspectiva inovadora, vejo até profissionais de Marketing que não acreditam no digital e esse é um problema raiz responsável pelo atraso.

Qual o futuro da comunicação em redes sociais, na sua opinião? Você acha que vai contar em uma futura contratação no mercado formal, o número de seguidores que o profissional tem?

Eu acredito que essa onda da “influência” e do próprio influenciador como empresa e marca vai continuar, porém tende a transformar-se com o tempo. A meu ver, o futuro do digital será totalmente voltado ao cliente e em suas necessidades. Há dez anos ninguém se preocupava com as redes sociais no momento da contratação, hoje já é uma realidade o fato do RH da empresa verificar as redes sociais do candidato e trata isso como positivo ou negativo na etapa eliminatória e no momento da escolha do futuro funcionário. Porém no futuro isso vai ser ainda mais importante. Não acredito que a quantidade de seguidores em si, levando em consideração que números podem ser comprados, mas principalmente o nível de engajamento, autoridade e consequentemente influência que aquela pessoa possui no digital.

A rejeição de grandes empresas é uma prova dessa ‘mentalidade’ tacanha da classe empresarial para com as mídias sociais e até para com as comunicações. Como fazer para furar a bolha. 

Eu acredito no tempo de cada coisa, mas também acredito que existe uma insensibilidade das empresas para com os estudantes ou as pessoas que não são indicadas por alguém. Digo digo isso em relação a todas as empresas não especificamente a Bemol e ao meu caso. Muitos profissionais bons saem de Manaus porque não encontram espaço na sua cidade natal e isso é muito problemático para o mercado local.

Agora falando sobre o Santander, como aconteceu? Como você chegou a trabalhar no “maior time de comunicação do Banco Santander da América Latina”? 

É uma história muito louca. Digo isso porque eu nunca procurei essa vaga no Santander, costumo dizer que eu plantei sementes de olhos fechados e aguardei a colheita. Em São Paulo essa sensibilidade que eu citei na resposta anterior existe com muita força. Um profissional percebeu meu trabalho na empresa onde eu estava na época e me fez o convite para concorrer a uma vaga no Santander, aceitei e passei em todas as fases do processo seletivo. O resultado foi a minha contratação e uma das melhores sensações que já experimentei na vida.

O que você mais curte no seu trabalho atual? 

Eu tenho liberdade para criar, esse é o ponto mais positivo de onde eu trabalho hoje. Em 2020 um projeto meu implantado em uma Startup do Santander chamado “Atendimento Sensível Pós Pandemia” foi finalista de um prêmio de atendimento de ouro da ABRAREC. Ver meu trabalho sendo reconhecido em um dos maiores prêmios do Brasil, me fez entender que estou no caminho certo.

O que você considera, bem lá no fundo, que foi o seu maior diferencial para a conquista da vaga no Santander?

Eu gosto de criar, de me impor desafios. Acredito que esse seja um ponto forte e que uso em todos os âmbitos da minha vida. Talvez isso tenha sido um diferencial. 

Para você, o que é um profissional de sucesso?

O profissional de sucesso é comprometido com o que acredita, não negocia seus valores e ideais. Ele nunca acha que chegou ao topo, é humilde e está sempre disposto a aprender. O sucesso para ele é mais uma etapa, ponto de partida e motivação. É lúcido, gosta de trabalhar em equipe e compartilha o seu conhecimento com quem está começando. 

Se você tivesse um recado para o seu eu do passado, o que você diria?

Permaneça tentando, tenha ainda mais paciência, acredite em si ainda com mais convicção porque esses atributos ainda levarão você à voos altos.

O que você diria para aqueles que levaram um não da Bemol e desanimaram com o mercado de trabalho? (rsrs) 

Pega esse “não” e transforma ele em possibilidades. Trabalho, esforço e perseverança são três ingredientes indispensáveis. Você vai conseguir!

Foto/Destaque: Divulgação

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