Inflação pesa no faturamento das MPEs do Amazonas

A maior amplitude no processo de vacinação e a flexibilização nos serviços, ajudaram a trazer maior circulação de pessoas e relativa melhora nas vendas e perspectivas das MPEs e MEIs do Amazonas, na comparação do terceiro com o segundo trimestre do ano. Os empreendedores, contudo, ainda sentem dificuldades significativas e o foco passou a ser a inflação. É o que apontam os dados da 12ª edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), e realizada entre os dias 27 de agosto e 1º de setembro.

No entendimento majoritário dos micro e pequenos empresários amazonenses, o Estado está em “processo de abertura” (73%), ou “não tem restrições” (24%) e apenas 3% ainda veem algum tipo de quarentena. Em sintonia, a esperança dos empreendedores registrou ligeira melhora: a expectativa para um retorno da economia “ao normal” passou de 15 para 12 meses. O problema passou a ser a pressão dos custos sobre os resultados, principalmente combustíveis (29%) e insumos/mercadorias, enquanto (27%). Os demais se queixam da energia elétrica (20%), aluguel (14%) e gás de cozinha (2%), entre outros. Somente 1% disseram não sentir peso nos passivos citados. 

Para 78%, o faturamento mensal estava abaixo do patamar pré-pandemia e apenas 13% disseram e uma fatia ainda menor (5%) disse que permaneceu igual – contra os 81%, 6% e 6% anteriores. Na mesma comparação, houve queda média de 39%, para as vendas dos MEIs e as MPEs do Amazonas. Entre a maioria que vendeu menos, a retração foi de 54%, e para a minoria que obteve melhores resultados alta foi de 37%. Houve melhora relativa ante os dados do primeiro trimestre (-46%, -56% e 36%).

O mesmo afunilamento se deu nas datas comemorativas. Ao menos 58% relataram vendas menores no Dia dos Pais, em relação ao mesmo período de 2020. Só 13% alcançaram desempenho melhor, ao passo que 28% apontaram um virtual empate. O Estado saiu-se pior do que a média nacional (53%, 13% e 34%, respectivamente) nesse quesito. A maior proporção de empreendedores com performances positivas se deu no Maranhão (27%), enquanto a maior fatia de resultados negativos ficou no Amapá (65%).

Pix e perspectivas

Aumentou de 58% para 63% a proporção de empresas que tiveram de fazer mudanças para sobreviver à crise, na comparação com os números da edição anterior do levantamento – realizado na virada de maio para junho, já no pós-segunda onda. A adaptação ajudou a diminuir o número de pessoas jurídicas que saiu temporária (8%) ou definitivamente (4%) do mercado – contra os 16% e 6% anteriores, respectivamente. 

Em levantamentos anteriores, a melhora nas vendas seguia em paralelo com o maior uso de recursos online nas empresas. Desta vez, a variável observada foi o uso do Pix e da nota eletrônica. Em torno de 82% informaram que já trabalham com a nova modalidade de pagamento à vista. Mas 43% dos empreendedores nessa situação ainda tiram menos de 25% com as transferências bancárias instantâneas, seguida pelos que deviam 25% a 50% dos ganhos ao meio (37%). A minoria faturava de 51% a 75% (6%) ou acima desse patamar (8%) dessa forma. 

O mesmo pode se dito da nota fiscal eletrônica. Praticamente metade dos empresários à frente das MEIs e MPEs do Amazonas ainda não adotaram seu uso (49%). No Estado, o uso da NFe é mais comum nas vendas de serviços (35%) do que nas vendas de bens (7%), enquanto apenas 9% utilizam o meio para ambos os casos. Na média brasileira, os respectivos percentuais foram 38%, 34%, 14% e 13%.  

Em síntese, para 49% dos entrevistados no Amazonas, a frase que melhor define o momento atual é “ainda tenho muitas dificuldades para manter meu negócio”, sendo seguida de longe pela fatia dos que estabelecem que “os desafios provocaram mudanças que foram valiosas para o seu negócio” (22%). A minoria diz que está “animado com as novas oportunidades” (17%) ou que “o pior já passou” (12%). Na sondagem trimestral anterior, as respectivas fatias foram 51%, 21%, 12% e 16%.  

“Triste realidade”

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, destaca que, a despeito da relativa melhora, nada menos do que 12% das empresas de pequeno porte do Amazonas deixaram de funcionar, após o retorno das atividades econômicas. “Se extrapolarmos esse patamar ao universo de pequenos negócios existentes no estado, isso significa 20 mil empresas. Empresa fechada significa suspensão de renda para empreendedor e empregados. Essas atividades encerradas impactaram, no mínimo, na renda de 40 mil pessoas. É uma triste realidade para um país que já vivia alto índice de desemprego, antes da pandemia”, destacou.

A executiva observa, por outro lado, que a maior preocupação nas empresas que estão funcionando é o custo de combustível, de insumos/mercadorias e de energia. “A inflação eleva o custo dos pequenos negócios, que se veem obrigados a aumentar seus preços, correndo o risco de não vender, porque o consumidor não tem renda aumentada no mesmo nível. Se a pandemia foi uma difícil fase, agora entramos em uma mais complicada do ponto de vista econômico: sobreviver em uma economia com inflação anual acima de 10%”, lamentou.

Indagada sobre as expectativas, em um quadro que inclui ainda outras variáveis negativas para as MPEs e para os negócios em geral, como crise hídrica/energética, juros galopantes, desemprego em massa, aumento de carga tributária pela correção do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), e a onipresente instabilidade política, a e executiva disse que fica difícil ver alguma luz no fim do túnel. “Sinceramente, não vejo melhora em curto espaço de tempo. O Brasil passa por uma grande instabilidade econômica, e não enxergo uma resposta concreta do governo federal. Isso deixa empresários, investidores e trabalhadores inseguros. Espero estar errada e que o país possa viver dias de prosperidade”, arrematou.

Saiba mais sobre os empreendedores do Amazonas

A sondagem do Sebrae ouviu representantes de 6.104 micro e pequenas empresas em todo o país, assim como MEIs (microempreendedores individuais), sendo que 87 deles estão no Amazonas. Entre os entrevistados no Estado, 55% são MEIs, 37% estão à frente de microempresas (até R$ 360 mil de faturamento bruto anual) e 8% respondem por empresas de pequeno porte (de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões). A atividade de serviços (49%) é a mais comum entre eles, seguida por comércio (42%), construção civil (4%) e indústria (1%). Os negócios costumam ter mais de 10 anos (28%), de 2 a 5 anos (26%), de 5 a 10 anos (21%), ou de 1 a 2 anos (20%), enquanto apenas 4% contam menos de 1 ano. As estatísticas apontam ainda que o empreendedor amazonense é majoritariamente do sexo masculino (65%), tem de mais de 35 anos de idade (73%), conta com ensino superior incompleto “ou mais” (58%) e se declara da etnia “negra” (69%).

Foto/Destaque: Divulgação

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