Inflação mais alta abala confiança do consumidor, aponta FGV

A inflação mais alta no início deste ano e o endividamento recente com a compra de bens duráveis deixaram o consumidor brasileiro mais reticente em relação ao futuro, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas). A expectativa do consumidor sobre a economia recuou 3% em fevereiro, frente a janeiro, ficando no menor patamar – 103 pontos – desde abril do ano passado.

Coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloisio Campelo avaliou que o consumidor, especialmente o de baixa renda, demonstra já sentir os reajustes de preços no início deste ano, especialmente das tarifas de ônibus urbanos. Em função disso, apesar de ainda fazerem uma avaliação positiva da economia, no momento, revelam certo temor sobre o desempenho da economia nos próximos meses.

Campelo destaca ainda o fim da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que elevou os preços de bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos da linha branca), que diminuiu o ímpeto de compra para os próximos meses.

“E devemos lembrar que, em meio à isenção do IPI, os consumidores foram às compras aproveitar as promoções. Então se endividaram ainda mais, e têm menos intenção de comprar agora”, afirmou.A expectativa de compra de bens duráveis está em 77,5 pontos, menor nível desde março de 2009. Em queda há três meses, está situado também acima da média histórica de 82,6 pontos.

Em fevereiro, 9,3% dos consumidores ouvidos pela FGV afirmaram que pretendem gastar mais comprando bens duráveis. Outros 31,8% disseram ter intenção de gastar menos. Em novembro, por exemplo, 11% queriam comprar mais, e 27,3% tinham menores intenções em consumir duráveis.

Esses dados contribuíram para que o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) apresentasse retração de 2,2% em fevereiro, na comparação com o mês anterior, ficando em 110,2 pontos.

O consumidor de menor renda, que impulsionou o ICC em janeiro, foi decisivo no sentido inverso neste mês. A confiança dos entrevistados que pertencem a famílias cuja renda não ultrapassa R$ 2.100 caiu 4,5% em fevereiro, ante alta de 3,7% en janeiro.

Já o consumidor que integra família com renda superior a R$ 9.601 teve a confiança reduzida em 1,3% neste mês, depois de elevação de 0,4% em janeiro.

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