Inflação cai para 0,22% em agosto

É a menor taxa de inflação deste ano e a menor taxa para meses de agosto desde 2010 (0,04%)

Com a queda de preços da energia elétrica e das passagens aéreas, e sem a pressão dos alimentos e bebidas, a inflação oficial desacelerou em agosto. O IPCA foi de 0,22% no mês, desacelerando na comparação com os 0,62% apresentados em julho deste ano e com os 0,25% do mesmo mês do ano passado. É a menor taxa de inflação deste ano e a menor taxa para meses de agosto desde 2010 (0,04%), segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã desta quinta-feira (10).
Com o resultado um pouco melhor do que em agosto de 2014, o índice de 12 meses desacelerou -ainda que modestamente -pela primeira vez em 2015: de 9,56% em julho para 9,53% em agosto.
A desaceleração está em linha com a expectativa de economistas consultados pela agência internacional Bloomberg de um IPCA em 0,23% de julho para agosto e de 9,54% em 12 meses terminados em agosto.
O IPCA continua, porém, bem acima do centro da meta de inflação do governo, que é de 4,5% ao ano com margem de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou menos.
De janeiro a agosto, a inflação acumula 7,06%, segundo o IBGE. É a taxa mais elevada para o período desde 2003 (7,22%). Os preços administrados foram os principais responsáveis por isso, sobretudo energia elétrica.
A expectativa de que a inflação vai começar a ceder este ano levou o BC (Banco Central) a interromper a sequência de sete altas e manter a Selic (taxa básica de juros) em 14,25% ao ano no início deste mês.
A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo Banco Central para manter a inflação sob controle ou para estimular a economia.
Nesta quarta-feira (9), porém, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou o rating (nota de avaliação de risco) do Brasil de BBB- para BB+, retirando o selo de bom pagador do país.

Custo de vida continua alto, apesar de inflação menor

Apesar da desaceleração da inflação na passagem de julho (0,62%) para agosto (0,22%), o custo de vida dos brasileiros continua pressionado pelo do aumento dos preços vistos ao longo do ano, disse o IBGE na manhã desta quinta-feira (10).
Segundo Eulina Nunes, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, a desaceleração do IPCA em agosto foi puxado sobretudo por alimentos, que estavam pressionados nos meses anteriores pelo câmbio e pela energia elétrica.
“O que se costuma observar é uma redução ou estabilidade dos preços dos alimentos na metade do ano. Desta vez isso aconteceu só em agosto. Foi um ponto, sem mudar o resultado de 12 meses. O custo de vida segue elevado”, disse Eulina.
O IPCA, índice oficial de inflação, avançou 9,53% nos últimos 12 meses encerrados em agosto deste ano. O resultado é praticamente estável na comparação com julho, quando a taxa acumulada de 12 meses estava em 9,56%.
O avanço dos preços nesses últimos 12 meses foi pressionado, sobretudo, por despesas consideradas básicas do orçamento das famílias, como habitação (aumento de 17,55% nos preços), transportes (7,96%) e alimentação e bebidas (10,65%), segundo o IBGE
O problema do aumento do custo de vida é que ele ocorre em um momento de piora do mercado de trabalho, com efeitos sobre a renda dos trabalhadores. Os aumentos de salários repõem cada vez menos a inflação passada.
Do aumento de preços, o avanço do grupo habitação foi puxado pela alta dos preços da energia elétrica (54,45%) nos últimos 12 meses. Já transportes foi impactado por reajustes de tarifas de ônibus 13,79%). São os chamados preços administrados da economia.
Para o IBGE, contudo, o pior dos reajustes dos preços administrados ficou para trás:
“A maioria das regiões dos Estados já aumentou os ônibus urbanos. Taxas de água e esgoto também já houve aumento. Em monitoras, os efeitos já foram. Em setembro alguns itens administrados como energia elétrica vai continuar aumentando em algumas regiões, mas não com a força do primeiro semestre”, disse a coordenadora.

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