Inflação acelera em quatro grupos do IPC-S

Depois de o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) registrar forte taxa de 1,27% em janeiro, o resultado previsto para a inflação de fevereiro ainda é uma incógnita. A avaliação é do coordenador da Divisão de Gestão de Dados do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em Porto Alegre, Marcio Fernando Mendes da Silva. Em entrevista à Agência Estado, ele disse que, apesar de a inflação em janeiro ter sido puxada por fatores sazonais e extraordinários, a taxa do mês seguinte ainda gera incertezas por conta da volatilidade de alguns produtos, como os alimentos in natura, que vêm sendo influenciados pelas fortes chuvas do verão.
“É muito difícil fazer uma previsão de como é que se comportará o mês de fevereiro porque são muitas as variáveis”, disse Mendes da Silva. “É muito temeroso partir para uma análise de como será o comportamento do mês, pois os mercados se comunicam com muita velocidade. Se, por exemplo, os hortifrutigranjeiros, que subiram bastante, passam por um desabastecimento em determinada praça, os outros mercados correm para se abastecer porque o preço está alto”, afirmou.
Nesta terça-feira, a FGV divulgou que o IPC-S de janeiro apresentou uma aceleração de 0,55 ponto porcentual ante o resultado final de dezembro de 2010, de 0,72%. A alta de 1,27% ficou bem próxima do teto do intervalo de estimativas dos economistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, já que eles trabalhavam com previsão de taxa de 1,18% a 1,30%. O resultado também representou a taxa mensal mais expressiva desde janeiro de 2010, quando o índice registrou avanço de 1,29%.
Como já esperado pelo mercado e pela própria FGV, três foram os fatores decisivos para a aceleração importante do IPC-S logo no primeiro mês de 2011: o reajuste anual nos valores das mensalidades escolares, o aumento nos preços dos alimentos in natura em função das chuvas de verão e os reajustes que algumas prefeituras do País promoveram nas tarifas de ônibus.
O grupo Educação, Leitura e Recreação foi o que apresentou a alta mais expressiva de janeiro, de 4,01%, ante variação positiva de 0,37% em dezembro. O grupo Transportes, por sua vez, avançou 2,69% contra elevação de 0,59% no mês anterior, com destaque para a tarifa de ônibus urbano (6,43% ante 0,11%).
Já o grupo Alimentação como um todo apresentou desaceleração na alta entre dezembro e janeiro, de 1,43% para 1,36%, mas ainda contribuiu com o maior impacto, de 0,40 ponto porcentual, na taxa geral de inflação. “Só a parte de Hortaliças e Legumes contribuiu com 0,32 ponto porcentual da taxa de 1,27%”, disse o coordenador, referindo-se ao subgrupo, que mostrou avanço expressivo de 11,46% em janeiro ante variação de 0,33% em dezembro. “A alface subiu 16,59%, a cenoura aumentou 32,30% e o tomate subiu 32,94%, trazendo o maior impacto”, listou.
Um outro grupo que chamou a atenção de Mendes da Silva no IPC-S de janeiro foi o de Habitação, que mostrou elevação de 0,34% ante alta de 0,29% e dezembro e representou nada menos que 0,34 ponto porcentual da taxa geral divulgada pela FGV. Entre os itens do grupo, mereceu destaque o avanço de 0,65% no valor médio do aluguel residencial, que, em dezembro, havia subido 0,31%.
Na parte das contribuições de baixa de janeiro, o feijão carioquinha, com uma queda de 14,06% ficou entre os primeiros do ranking da FGV. A carne bovina, que havia apresentado elevação de 2,71% em dezembro, caiu 1,21% em janeiro e passou a ser uma das principais esperanças de alívio para a inflação no começo de 2011, depois de ser a grande vilã dos preços em 2010.
Para Mendes da Silva, o mês de fevereiro ainda tende a abrigar alguns resíduos dos aumentos da Educação, bem como alguns ajustes de ônibus que ainda não foram captados pelo IPC-S de maneira relevante, como o da cidade de Porto Alegre.

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