Indústrias mantêm atividade

“Fraquíssima”. Essa foi a definição do presidente da Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas), Antonio Silva, quanto ao resultado das manifestações realizadas ontem em Manaus em referência ao Dia Nacional de Lutas que ocorreu em todo país. Para Antonio Silva a manifestação não conseguiu alcançar os objetivos definidos e não chegou a ser sentida pelas indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus). “Não houve nada que incomodasse as indústrias, acredito que faltou mais organização. Não foi possível sentir nenhuma consequência”, comentou.
No entanto segundo o presidente do Sinemen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Athayde Félix, muitas indústrias do polo industrial optaram por dispensar seus funcionários do serviço afim de evitar possíveis confusões. Félix conta também que muitas empresas estão em férias coletivas, mas reafirma que as indústrias do PIM continuaram produzindo durante as manifestações.
“Não houve greve, as empresas optaram por dispensar os trabalhadores, as que estavam em férias coletivas a estenderam por mais alguns dias. Mas as que mantiveram suas produções só tiveram que aceitar o atraso dos funcionários” comenta .Segundo Athayde Félix os funcionários chegaram com mais ou menos 3h de atraso às fábricas por causa do manifesto na Bola da Suframa. “Diante de uma manifestação desse tamanho, um atraso de 3h é algo a se aceitar”, comentou.
Segundo a Abralog (Associação Brasileira de Logística) e a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) para as empresas de transporte, o impacto das manifestações de hoje deve ser de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão no faturamento. A estimativa das associações é que o bloqueio de estradas e rodovias reduziram de 30% a 40% o tempo disponível para que empresas fizessem a entrega de mercadorias em grandes centros, o que aumenta o custo das operações de logística e reduz sua produtividade.

Sindicatos comemoram

O Dia Nacional de Lutas foi marcado por diversas manifestações na cidade de Manaus. As primeiras manifestações começaram às 5h da manhã na Bola da Suframa, principal ponto de acesso ao Distrito Industrial. Separados em pequenos grupos os manifestantes se dividiram entre a sede da prefeitura, Ministério Público, Palácio do Rio Branco, INSS, Bola do Eldorado. O transporte público da cidade operou com apenas 60% da frota.
Segundo o presidente da Força Sindical no Amazonas, Vicente Filizzola, a ideia não era de se fazer uma grande greve, mas sim chamar atenção para as pautas reivindicadas pelos trabalhadores. Por isso a divisão dos protestos em vários locais da cidade. “Esperamos uma reação dos nossos governantes, não queremos baderna, queremos ser ouvidos, por isso optamos por esse tipo de protesto”, explicou. De acordo com os dados do Força Sindical a manifestação atingiu pelo menos 160 mil trabalhadores. “Com a paralisação do Distrito pela manhã atingimos pelo menos 90 mil trabalhadores que tiveram suas rotinas alteradas. No comércio devemos ter atingidos pelo menos 70 mil”. Questionado sobre a estimativa de quantos trabalhadores participaram do manifesto, Vicente não soube precisar. Contamos com o apoio de 250 sindicatos e convidamos todos para o manifesto, mas não temos como saber quantos aderiram, a Força Sindical e a CUT estão aqui”, ressaltou.
Entre as organizações que apoiaram o movimento estão a CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), MPL-Manaus (Movimento Passe Livre), UNE (União Nacional dos Estudantes), UGT (União Geral dos Trabalhadores), Força Sindical, Sinteam (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas) e CUT (Central Única dos Trabalhadores).
A manifestação contou com o apoio de trabalhadores avulsos do Distrito Industrial, que estavam indo ao trabalho e ajudaram a fechar parte das vias na Bola do Armando Mendes. Os trabalhadores paravam as rotas e convidavam os industriários para descer e participarem. Vicente Filizzola ressaltou a organização dos protestos. “Foi pacífico, organizado e muito proveitoso, fomos ouvidos pelos deputados e conseguimos o apoio dos trabalhadores do polo que poderiam ter reclamado de ter sua rotina alterada. Vamos aguardar agora uma posição do congresso nacional para definir os próximos passos”, comentou.

*Leia mais na página A6.

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