17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Indústrias locais podem passar por recessão

Após a moeda americana encerrar, na última quinta-feira, com a segunda maior cotação do ano, atingindo  R$ 2,392 (o equivalente a um aumento de 3,10% diante do real), a alta das commodities no mercado internacional deve manter a instabilidade na indústria

Após a moeda americana encerrar, na última quinta-feira, com a segunda maior cotação do ano, atingindo  R$ 2,392 (o equivalente a um aumento de 3,10% diante do real), a alta das commodities no mercado internacional deve manter a instabilidade na indústria de transformação. Pelo menos esse foi um dos cenários possíveis traçados pelas indústrias de metalurgia locais para os três primeiros meses de 2009.
O parâmetro econômico utilizado para a composição teve como base o fato de que, em outubro, a indústria nacional sofreu um recuo de 1,7% quando comparado a setembro deste ano, a maior queda na produção industrial desde novembro de 2007.
O presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, disse que as empresas do setor precisam estar em alerta não somente pelo cenário atual, mas principalmente, pelo panorama que podem enfrentar nos próximos meses. O executivo avaliou que a crise dos mercados internacionais deve levar a um ambiente de recessão local, no qual a demanda por ferro e aço tende a diminuir de ritmo devido aos contratos de compra assinados com valores superestimados. “As metalúrgicas precisam efetivar os pedidos de matéria-prima com pelo menos quatro meses de antecedência no mínimo para atender à demanda do pólo industrial. Acontece que, pelo Índice Geral de Preços-10, o preço em contrato no atacado acumula alta de 40,87% nos 12 meses até outubro, o maior nível em mais de três anos nesse tipo de comparação, e reflete os reajustes passados às indústrias de duas rodas e construção civil”, analisou.

Crise de 29

Mariano fez questão de frisar que para a metalurgia local, o momento lembra muito a crise de 29, uma vez que a situação de desaquecimento mundial levará a uma queda média de preço na produção de cerca de 10% no ano que vem, em relação a 2008. Essa descompressão no valor final dos bens, contou o executivo, “é apenas uma das consequências do recuo maior na procura por aço, cada vez mais substituído por fibras de vidro e carbono, o que também devem arrefecer os contratos com o pólo de duas rodas em relação aos últimos cinco anos”.
O empresário Valdemir Magalhães, atuante no ramo de metalurgia, concorda que, a partir da subida do dólar, os contratos para a demanda das indústrias de duas rodas não significarão ganhos reais, mas em possíveis achatamentos nos lucros e dividendos. “O Amazonas já tem sofrido com a desaceleração do mercado. Retração do crédito, redução do fluxo de capitais, deterioração das contas externas, elevada correlação entre preços de commodities e das importações, forte pressão cambial e elevada volatilidade são alguns dos reflexos imediatos da crise no pólo”, avaliou.
Já o empresário Davi Macedo, também pertencente à indústria metalúrgica, acrescentou que as grandes mineradoras, numa súbita reviravolta, estão se preparando discretamente para cortes significativos nas próximas negociações de preço com as siderúrgicas mundiais, devido ao enfraquecimento da demanda do setor automotivo, de construção civil, infra-estrutura e eletrodomésticos. “Embora os contratos só devam ser assinados ano que vem, há indícios de que as siderúrgicas vão barganhar por um corte de 20% a 40% em relação ao preço fechado este ano.
Apesar da especulação, é certo que o setor metalúrgico vai influenciar no desempenho final de vários setores da economia local”, finalizou o empresário.

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