Indústrias incentivadas da ZFM

A partir da lei nº 8.387/91, as indústrias incentivadas da ZFM passaram a cumprir o PPB (Processo Produtivo Básico). Etapa “mínima a ser seguida na fabricação de um produto”, condição para as indústrias obterem os incentivos fiscais da União, o PPB tem sido o fator engessador do desenvolvimento da ZFM. O PPB não pode ser receituário e precisa ter flexibilidade na proporção do avanço tecnológico, num sincretismo indispensável à competitividade dos produtos “made in ZFM”. Aquilo que a lei impõe como mínimo não pode ser praticado como máximo. A demora na aprovação pode significar fixação de um PPB defasado diante do avanço tecnológico. As deliberações para a fixação do PPB são feitas em etapas de quase intermináveis discussões no âmbito dos ministérios envolvidos, até uma certa etapa, com a participação dos segmentos industriais ou empresas, porque tais deliberações induzem a esses planos e decisões de investimentos na ZFM, que têm sido –pela demora ocorrida– postergados ou deixados de lado em prejuízo da própria nação. No momento, o embate que envolve a Samsung e a LG-Philips, duas empresas fabricantes do cinescópio (tubo de imagem), no PIM (Pólo Industrial de Manaus), fornecedoras para as indústrias do setor eletroeletrônicos, produtoras de TV e de monitor de vídeo, tem como cerne a questão do avanço tecnológico na produção de TV e monitor de vídeo com novas tecnologias de imagem.

As duas empresas produzem cinescópio de 14, 20, 21 e 29 polegadas de formas distintas: a LG-Philips importava de São Paulo e Recife –onde produzia desde o vidro, o produto semi-acabado, incorporado a unidade defletora e o acabamento final, mantendo três fábricas com 3.000 empregos. A fábrica de Manaus mantém oito fornecedores para atender a demanda desse processo produtivo, além de 380 empregos diretos; a Samsung importa da Coréia, China ou Singapura o tubo de imagem semi-acabado de 29 polegadas e repete o mesmo processo da outra empresa: importa também do exterior partes dos tubos de imagem de 14, 20 e 21 e faz o acabamento no PIM. Com isso, as empresas produtoras do bem final (TV e monitor de vídeo) conseguem reduzir custos de produção utilizando o processo just-in-time, fugindo da importação do tubo de imagem, evitando maior custo com a logística: atrasos de entrega, custo financeiro de manutenção de estoque, desembaraço aduaneiro, greves e outros. A LG-Philips está migrando para a utilização da tecnologia “Slim” com aparelhos de 30cm de profundidade, nas linhas de 20, 21 e 29 polegadas, em função da redução gradual da utilização tubo de imagem na produção de TV e de o monitor de vídeo tradicional esgotar-se em aproximadamente cinco anos. Fechou as fábricas de São Paulo e Recife. Como é que ficam as empresas produtoras de bem final –TV ou monitor de vídeo– que utilizam o tubo de imagem da LG-Philips?

A Samsung, pela capacidade instalada de sua fábrica no PIM –projetada para produzir o vidro utilizando a sílica do Rio Negro– não tem condições de atender a demanda das empresas: em 2006 foram produzidos aproximadamente 12,7 televisores e 3,3 milhões de monitores de vídeo; em 2007, até junho, cinco milhões de televisores e 1,5 milhões de monitores de vídeo utilizando o tudo de imagem tradicional. A estimativa para 2007 é de aproximadamente 13 milhões desses aparelhos. A solução mais prática seria as empresas produtoras de bem final importarem do exterior os tubos de imagem. Lógico que isso gera aumento dos custos de produção, desemprego aqui e lá.
Outra dificuldade é a questão da marca: como utilizar tubo de imagem de uma concorrente nos aparelhos de outra marca. É o mesmo que montar um motor Honda, no carro da Volkswagen. Está aí o dilema: deixar a LG-Philips importar por um prazo razoável parte do tubo de imagem, nas condições em que fazia com São Paulo e Recife, ou não permitir, e com isso fechar a sua fábrica em Manaus, desempregar direta e indiretamente, induzir as empresas consumidores do tubo de imagem a importarem o produto acabado

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