Indústrias de mídias virgens temem perder investimentos

A inclusão das mídias virgens na Lei de Informática (n° 8248/1991), discutida no MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), pode ser um ‘balde de água fria’ nos investimentos de R$ 90 milhões feitos nos dois últimos anos pelas indústrias de discos digitais do PIM (Pólo Industrial de Manaus).
Além do prejuízo financeiro, os 8.000 empregos diretos mantidos pelo segmento local ficarão seriamente ameaçados caso o governo federal estenda a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para todo o país. A avaliação é do Sindicato dos Meios Magnéticos e Fotográficos do Estado do Amazonas.
O vice-presidente da entidade e diretor industrial da Videolar, Valmir Franco, afirmou que o maior defensor da mudança no enquadramento do CD-R e do DVD-R, que hoje são considerados produtos de áudio e vídeo mesmo incorporando tecnologia digital, é o ex-ministro do MCT e atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Como forma de facilitar a implantação da Digimedia, empresa de um grupo chinês/coreano que vai investir US$ 78 milhões para produzir CDs e DVDs em Caruaru, Campos não só busca os incentivos federais como já concedeu benefícios no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), por meio de um crédito presumido para a aquisição de ativos e a importação de produtos no exterior. “O Estado de Pernambuco dá 85% de crédito presumido, com um prazo de fruição de 12 anos. O problema é que em um ano podemos deixar de ser competitivos. É um risco muito alto”, alertou o dirigente da empresa.
Na opinião do diretor-executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, o maior perigo para as indústrias do Parque de Manaus não é a lei pernambucana, mas a concessão do incentivo federal para as fábricas de outras regiões. Entretanto, Mota salientou que os dois benefícios juntos podem formar um conjunto de incentivos interessante para as empresas que se instalarem em Pernambuco.
Por estarem na ZFM (Zona Franca de Manaus), as fabricantes de discos graváveis são isentas de IPI e possuem um crédito de 90,25% no imposto estadual. Entretanto, com o crédito presumido de 85% concedido pela Lei 11.675/99 e mais a isenção no IPI, a empresa instalada em Pernambuco tornaria inviável a produção de mídias no PIM.
Ciente disso, o governo pernambucano está financiando US$ 57 milhões para os investidores orientais (70% do investimento), via BNB (Banco do Nordeste do Brasil). Já o município de Caruaru doou à empresa um terreno de 100 mil metros quadrados.
O início da construção da unidade está previsto para dezembro deste ano. A indústria terá capacidade para produzir 350 milhões de CDs e DVDs por ano e deve gerar 500 empregos diretos e 2.000 indiretos.
Embora a primeira fábrica da Digimedia no Ocidente não esteja focada nas mídias virgens, Valmir Franco considerou que o ataque à ZFM possui um objetivo claro. “Com a inclusão do CD-R e do DVD-R na Lei de Informática, Pernambuco com certeza vai pleitear a mudança no enquadramento da mídia gravada”, adiantou.
Nos últimos meses, o Cieam e as demais entidades que representam a indústria amazonense enviaram uma carta aos ministérios do Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Planejamento e ao presidente Lula, no intuito de apontar ao governo os danos que as indústrias teriam com a alteração na classificação.

PIM responde por 100% dos discos graváveis do Brasil

De acordo com o sindicato dos meios magnéticos, as fabricantes do Pólo Industrial de Manaus são responsáveis por 100% da produção de discos graváveis do país. Só neste ano, as empresas estão injetando outros R$ 90 milhões em suas linhas, com a meta de alcançar 60% do mercado legal de CD-R e DVD-R.
Duas empresas que investem alto em 2007 para ampliar seus volumes produtivos são a Videolar e a Novodisc Mídia Digital da Amazônia. A primeira está injetando R$ 110 milhões até o fim do ano, com a finalidade de dobrar a produção de mídias virgens. Já neste mês, a quantidade mensal produzida

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