Indústria vê resultado como freio parcial

Os dados divulgados pelo IBGE (Instituto brasileiro de Geografia e estatística), recentemente, para produção industrial brasileira, registrando redução de 0,4% na comparação do mês de julho com relação ao mês anterior com ajuste sazonal e queda para todas as categorias de uso com exceção de bens de consumo duráveis, devem ser interpretados não como um retrocesso da indústria brasileira que vinha crescendo ininterruptamente desde setembro do ano passado, ou seja, há nove meses, mas, sim, como um freio parcial do processo de evolução em curso.
A comparação com mesmo mês do ano anterior, que teve um dia útil a menos, mostra uma evolução positiva de 6,8%, contra 6,6% em junho. Esse resultado, combinado com o anterior, pode ser interpretado como um sintoma de que a indústria continua crescendo, porém sem registrar aceleração adicional em sua evolução. Em suma, se o ocorrido em julho é indicador de que a indústria passou a diminuir o seu ritmo de crescimento ou se o que ocorreu nesse mês foi apenas um “tropeço”, é algo que saberemos com a seqüência dos resultados nos próximos meses, mas antecipamos que acreditamos na segunda alternativa.
Outro ponto muito importante a ser sublinhado nos resultados da pesquisa industrial é que os dados evidenciam que não há uma tendência explosiva de crescimento do setor, algo que vinha sendo alimentado por certos setores e analistas que, em função disso, pedem uma menor redução da taxa de juros básica da economia na reunião de amanhã do Copom. Além dos índices já comentados acima, convém observar que o resultado acumulado da produção industrial nesse ano não passa de 5,1% de aumento com relação ao período janeiro a julho do ano passado, um índice que pode ser considerado bom para os padrões da evolução brasileira dos últimos dois anos (cerca de 3,0% em média), mas que não é indicativo de um sobreaquecimento da economia capaz de ameaçar uma pressão inflacionária de demanda.
O declínio em bens de capital de 1,3% em comparação com o mês de junho na série com ajuste sazonal, não é, evidentemente, um bom resultado, mas nesse caso deve-se ter em conta a grande expansão do segmento ocorrida nos meses anteriores desse ano. Na comparação com julho do ano passado a produção de bens de capital registrou aumento de 19,0%, uma taxa maior do que a do mês anterior (17,4%) e muito próxima às taxas dos meses de maio (20%) e abril (18,1%). Esses números sugerem que não há esmorecimento na produção de bens de capital no Brasil.
Essa afirmação é corroborada pelo desempenho ainda extremamente elevado do ramo de bens de capital que mais representa a formação de novo capital produtivo, ou seja, máquinas e equipamentos. Essa atividade cresceu 25,5% em julho com relação a julho do ano passado, sem duvida uma taxa menor do que a do mês anterior de 30,7%, mas ainda assim muito alta.
Os segmentos que mostram sinais de desaceleração em seu dinamismo no setor foram máquinas para escritório e equipamento de informática (evolução de apenas 3,2% em julho) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-1,5%), itens que inegavelmente são importantes para a eficiência geral da indústria e da economia, mas que não são centrais na definição da capacidade produtiva do setor e da economia como um todo.

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