Indústria tem primeiro resultado negativo

A queda de 7,4% na produção industrial em 2009 representou o primeiro resultado anual negativo para o setor em 10 anos. O último recuo anual havia sido apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1999 (-0,7%). A queda de 2009 foi também a mais intensa apurada na indústria em 19 anos. Apesar do recuo anual, a economista da coordenação de indústria do instituto, Isabella Nunes, lembra que o ano passado foi marcado por uma recuperação gradual do setor em relação ao tombo de dezembro de 2008, fundo do poço para as empresas industriais.

Apesar da reação que, segundo ela, persistiu por todo o ano e foi intensificada no segundo semestre, a indústria terminou 2009 com o patamar de produção ainda no nível de setembro de 2007 e com a produção ainda 6,2% menor do que o mês de setembro de 2008, patamar recorde do setor e mês que marcou o último momento antes do início dos efeitos da crise. “A indústria está em processo de recuperação, mas ainda não retornou ao patamar pré-crise”, salientou.

Isabella ressaltou também que, apesar do resultado da indústria em 2009 só ter encontrado magnitude similar no ano de 1990, quando houve o confisco da poupança no governo Fernando Collor de Mello, a recuperação do setor se deu com muito mais qualidade e rapidez em 2009. “A conjuntura no ano passado foi diferente, com manutenção da renda e do emprego e inflação dentro da meta”, ressaltou.

A economista destacou também que a recuperação da indústria em 2009 foi puxada sobretudo pelo mercado interno, enquanto os segmentos mais atrelados às exportações estão com mais dificuldade de reação. Segundo ela, as perspectivas para o setor “são positivos com aumento dos investimentos e mercado interno forte”.

Tendência de expansão

Isabella Nunes disse que a queda de 0,3% na produção industrial em dezembro ante novembro, o segundo recuo consecutivo ante o mês anterior, “não reverte a tendência de crescimento da indústria”. Segundo ela, “há uma perda de fôlego, mas não há reversão na tendência de expansão, como mostra o resultado do índice de média móvel trimestral”, afirmou. O índice de média móvel mostrou crescimento de 0,5% no trimestre encerrado em dezembro ante o terminado em novembro.

Segundo Isabella, a queda na produção em dezembro ante o mês anterior foi puxada pelos bens de consumo duráveis (-4,9%), resultado que ela considera como “uma acomodação após um forte crescimento registrado até outubro”. O recuo em dezembro foi o segundo consecutivo, ante mês anterior, para essa categoria.

Para Isabella, o recuo dos duráveis pode estar relacionado ao fim dos incentivos fiscais para a indústria automobilística a partir de outubro e, também, possivelmente, à queda na produção de celulares nessa base de comparação. A produção de veículos automotores (automóveis, caminhões, autopeças) caiu 1,2% em dezembro ante novembro, após uma queda de 2,1% em novembro ante outubro. Segundo Isabella, o resultado negativo desse segmento foi puxado pelos automóveis.

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