Indústria só deve recuperar empregos em abril

Passado o pior momento da instabilidade econômica, os números oficiais mostram que, entre os pre­juízos sofridos pela indústria da transformação no Amazonas, dificilmente o setor conseguirá reduzir o saldo negativo de empregos diretos gerados durante a crise financeira. Apesar do saldo positivo de 2.066 contratações registrado em setembro, a indústria perdeu 10.893 postos de trabalho entre janeiro e maio, ocasionando um deficit de -12,42% em 12 meses.
Os dados, divulgados pela SRTE/AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas), mostram ainda que, mantido o atual ritmo de contratações, os números positivos somente aparecerão após o fim do primeiro trimestre de 2010.
Ao analisar os dados de produção física, de emprego e horas pagas da indústria local, o superintendente regional do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) no Amazonas, Dermilson Chagas, observou que a evolução da produtividade industrial até o primeiro semestre refletiu o impacto da instabilidade econômica global no período. Ao frisar que a produção física industrial é uma variável muito sensível à dinâmica cíclica da economia, o superintendente disse que o forte momento de recessão por que passou os vários segmentos industriais gerou contração nos níveis de produção. “O mesmo não ocorre com o emprego e consequentemente com as horas trabalhadas, pois contratações e principalmente demissões envolvem custos. Por causa disso, o emprego reage com defasagem à reversão cíclica”, completou.

Retração na produtividade

O presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, também assegurou que a perda dos postos de trabalho no polo eletroeletrônico está diretamente relacionada à retração na produtividade. O executivo considera muito difícil a indústria encerrar 2009 com volume de contratações próximo ao observado no ano passado, já que a perda de mão-de-obra se deu durante meses a fio e atingiu sustentáculos da evolução do emprego no Estado, como os polos de duas rodas e de eletroeletrônicos. “Esse descompasso entre a significativa queda da produção do nosso setor e o volume de pedidos do grande varejo levou à redução do quadro. A paridade entre número de produção e contratações pode dar uma rápida melhorada se contabilizados os temporários até o outubro, mas a acomodação do mercado só começa mesmo em 2010”, analisou.
A produtividade industrial dos eletrônicos, segundo o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) apresentou queda de 8% no primeiro semestre de 2009, resultado da contração de 13,4% na produção física e de 5,8% nas horas pagas. De acordo com a entidade, o resultado significativamente negativo no semestre mostrou que, em termos de tendência da produtividade, o ajuste para minorar os impactos da crise pelas empresas foi na direção de reduzir o emprego e as horas pagas.
Já o presidente do Simplast (Sindicato das Indústrias de Materiais Plásticos do Amazonas), Carlos Monteiro, prefere ter a expectativa de que uma retomada efetiva do crescimento da produtividade a taxas sustentáveis e, por conseguinte do nível de emprego, dependerá da retomada dos investimentos industriais, o que não está claro se vai ocorrer em futuro próximo. “Os termoplásticos estão em trajetória de recuperação, mas ainda dependem do volume de pedidos da indústria de duas rodas e eletrônicos. Não é de se esperar uma contração ainda maior no nível de emprego, nem no nível de produção. Por outro lado, as empresas estão mais cautelosas para contratar, mesmo diante da possível recuperação na produção. Contratação mesmo, só no ano que vem”, finalizou.

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