INDÚSTRIA – Produção tem oitava queda seguida

A produção do setor industrial no Amazonas registrou queda de 3,7% em novembro de 2012 na comparação com o mesmo mês de 2011. Sendo este o oitavo mês consecutivo de resultado negativo obtido no setor industrial amazonense. Mas de menor intensidade em relação aos -11,5% registrados em outubro de 2012. Os dados do setor foram divulgados ontem (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com a análise do disseminador de informações do IBGE Amazonas, Adjalma Nogueira.
No acumulado dos onze meses do ano passado também recuou 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com este resultado persistiu a trajetória descendente registrada em março quando iniciou com 4,1% de queda da taxa anual. Em novembro passado chegou a atingir 6,4% no acumulado dos doze últimos meses.
Segundo Nogueira, a questão do ajuste sazonal da produção industrial estadual avançou 2,9% em novembro passado frente ao mês anterior, assim eliminou parte da perda de 4,9% acumulada nos meses de setembro e outubro. “Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral recuou 0,7% entre os trimestres encerrados em outubro e novembro e interrompeu a trajetória ascendente iniciada em julho último”, completou.

Onze atividades analisadas

Em novembro, sete entre as onze atividades pesquisadas sofreram com o recuo na produção. Com destaque para -36,7% no ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’ e -29,8% em ‘Outros Equipamentos de Transporte’ que obtiveram os principais impactos negativos sobre a média geral. A gasolina automotiva, óleo diesel e outros óleos combustíveis, e, as motocicletas e suas peças, foram os itens responsáveis pelo recuo na fabricação dos respectivos setores analisados. “Vale citar também as influências negativas vindas de edição, impressão e reprodução de gravações (-5,0%) e de borracha e plástico (-11,7%) pressionados em grande parte, pela menor produção de CDs e DVDs, na primeira atividade, e peças e acessórios de plástico para indústria eletrônica, na segunda”, disse Nogueira.
O setor de alimentos e bebidas contribuiu com 14,4%, relevante resultado positivo seguido por 11,8% obtido em máquinas e equipamentos, estimulado pelos avanços na produção de preparações em xarope para a elaboração de bebidas, e, de aparelhos de ar condicionado, nos respectivos setores analisados pelo especialista do IBGE-AM.
De acordo com Nogueira, ocorreu recuo de 7,1% no índice acumulado no período de janeiro a novembro de 2012 em comparação com o mesmo período do ano anterior. “Com perfil generalizado de taxas negativas, já que nove das onze atividades pesquisadas apontaram queda na produção”, observou.
O item que exerceu a maior influência negativa no resultado global foi indústria de outros equipamentos de transporte com -20,5% exercendo a maior influência negativa no resultado global. Seguido pelo impacto registrado nos itens material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações -6,6%, máquinas e equipamentos -10,1%, refino de petróleo e produção de álcool -16,8%, edição, impressão e reprodução de gravações -7,6% e equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros -6,2%. “Nessas atividades sobressaíram, respectivamente, os recuos na produção de motocicletas e suas peças, telefones celulares, fornos micro-ondas e aparelhos de ar condicionado tipo Split/janelas; gasolina automotiva, óleo diesel e outros óleos combustíveis; DVDs e CDs, e relógios de pulso”, relacionou Nogueira.
Por outro lado, os setores de alimentos e bebidas com 3,1% e produtos químicos com 11,0%, estimulados pela alta na fabricação de refrigerantes e preparações em xarope e em pó para elaboração de bebidas, foram os dois setores que apontaram crescimento na produção em novembro do ano passado.
No ponto de vista da economia brasileira, segundo o assessor de economia da Fecomércio (Federação do Comércio do Amazonas), José Fernando Pereira, aponta que o crescimento do país foi pequeno diante do PIB (Produto Interno Bruto) de 1% em 2012. Fato que consumiu as expectativas para 2013 que giram em torno de 3,5%. “Eu estou cético em relação ao crescimento do PIB para este ano, diante do gravíssimo problema energético que já se faz presente”, disse.
Ainda, segundo o economista, exclusivo para o Jornal do Commercio, o problema energético além de grave, estudos realizados por empresas especializadas apontam resultados pessimistas com a atual situação do sistema energético do Brasil. “No cenário atual eu não vejo como o país possa vir a crescer com o sistema de energia altamente comprometido”, alertou. Que vai interferir diretamente na produção industrial do Amazonas em especial no modelo ZFM (Zona Franca de Manaus), que necessita de energia limpa e contínua, com forte expectativa para o gás natural, termoelétrica, entre, outras alternativas para a geração de energia no Estado e no país.
Segundo José Fernando, o fraco desempenho do setor industrial acontece por conta da sazonalidade, com as expectativas voltadas para o consumo das festas de final de ano, com bebidas e alimentação em alta, e da cadeia produtiva industrial em baixa produção por conta de férias coletivas regulares naquele período.

Produção regional

O Amazonas ficou em posição de destaque no crescimento da produção industrial regional com o índice de 2,9% o mais expressivo da região Norte. Seguido por outros estados das regiões brasileiras, a Bahia 3,5%, Santa Catarina 3,0%, Amazonas 2,9%, Ceará 2,2% e Rio de Janeiro 2,1%, registraram as expansões mais intensas em novembro de 2012, enquanto Pernambuco com 1,3% e Rio Grande do Sul 0,4% assinalaram avanços moderados. Por outro lado, a produção industrial regional caiu em seis regiões das quatorze pesquisadas naquele mês, já descontadas as influências sazonais. Com destaque para as quedas mais acentuadas registradas por Goiás (-14,7%), Espírito Santo (-6,3%), Pará (-6,0%) e Paraná (-5,1%). Vale ressaltar que todos esses locais mostraram resultados positivos em outubro: 16,5%, 13,4%, 4,5% e 2,8%, respectivamente. São Paulo (-1,9%) e Minas Gerais (-0,7%) completaram o conjunto de locais que apontaram resultados negativos nesse mês.
Na comparação com mesmo mês do ano anterior, a produção industrial nacional recuou – 3,7% no Amazonas, seguida pelo Espírito Santo com -8,4%, Rio Grande do Sul -7,1%, Pernambuco -5,1%, Pará -4,3% e Ceará -1,4%. Assim estes estados completaram o conjunto de locais que registraram quedas mais intensas que a média nacional, enquanto São Paulo, parque industrial mais diversificado do país, apontou taxa negativa mais moderada de -0,3%.

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