Indústria perde terreno para serviços, na participação do PIB de Manaus

Em 2017, a indústria perdeu o seu posto de atividade econômica mais importante da capital amazonense e respondeu por 41,52% da soma de bens e serviços produzidos no Amazonas. Em contrapartida, a atividade de serviços (que inclui também o comércio) assumiu essa posição, com participação de 44,05% no valor adicionado total do PIB no município. 

Ambos os setores ajudaram a alavancar em 4,4% o Produto Interno Bruto de Manaus (R$ 73,20 bilhões), onde se concentra o PIM. Com participação de 78,54% no PIB estadual e de 1,11% no PIB nacional, a cidade ocupou a oitava posição entre os municípios brasileiros com maiores PIB do país. No ranking nacional, a capital amazonense ficou logo atrás de Porto Alegre/RS (R$ 73,86 bilhões) e à frente de Salvador/BA (R$ 62,72 bilhões).

Os dados foram divulgados nesta sexta (13), com base em estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas são desenvolvidas em parceria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sdecti) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa.

Manaus foi a única representante da Região Norte com PIB per capita (R$ 34.362,71) acima da média nacional (R$ 31.702,25) e dominou com folga o PIB dos municípios da Região Norte. Seu volume representou 19,90% entre os 30 maiores municípios da Região. Belém/PA (8,22%) ficou em um distante segundo lugar. Entre os 30 maiores PIBs da Região Norte, o Amazonas contribui com Manaus e Itacoatiara (26ª posição) em ranking dominado por municípios paraenses (15). 

Setores e arrecadação

No Amazonas, a indústria totalizou R$ 26,03 bilhões em 2017. Manaus corresponde a 94,54% do setor no do Estado, com R$ 24,607 bilhões. Coari com R$ 405,49 milhões, ocupou a segunda posição na atividade, com 1,56% de participação. Itacoatiara teve participação de 0,45%, sendo o terceiro maior do setor, computando R$ 116,31 milhões.

O setor de serviços do Amazonas saltou de R$ 43,68 bilhões (2016) para R$ 46,83 bilhões (2017), um crescimento de 7,21%. Manaus teve 73,56% da partição do setor em relação ao Estado (R$ 34,45 bilhões). Itacoatiara e Parintins vieram em seguida, com R$ 1,15 bilhão e R$ 726,45 milhões, respectivamente. 

A agropecuária amazonense fechou 2017 com R$ 5,60 bilhões. Manaus (R$ 218,52 milhões) ocupou o quinto lugar no ranking estadual. O município que teve a maior participação foi Manacapuru (13,13% e R$ 735,63 milhões), seguido por Itacoatiara (8,37% e R$ 468,83 milhões) e Codajás (5,40% e R$ 302,25 milhões). 

O setor de Imposto, líquido de subsídios, representou 15,82% do PIB estadual (R$ 14,74 bilhões). Manaus (R$ 13,930 bilhões) foi o município com a maior parcela de participação (94,49%) no Amazonas, sendo seguido por Itacoatiara (R$ 239,98 milhões) e Coari (R$ 54,05 milhões).

Crise e recuperação

Para o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, os números refletem bem o momento econômico de rescaldo de crise vivido pelo país em geral e pelo Amazonas em particular, em 2017, quando o Brasil ensaiava uma retomada e a demanda ganhou reforço da primeira liberação de recursos do FGTS para o consumo.

“A indústria é o setor que mais se ressente em momentos de crise, como o recente. Diante das dificuldades de compras, aumenta os preços e o varejo se retrai. Isso foi plenamente verificado em 2015 e 2016. Já em 2017, o país estava querendo voltar a crescer e o comércio, desabastecido, começou a reagir. O setor de serviços também ganhou impulso, com a Reforma Trabalhista e a extensão dos MEIs [Microempreendedores Individuais]”, avaliou.  

Desempenho descolado

Em sintonia, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considera que o encolhimento da fatia da indústria no PIB amazonense se deve mais ao dinamismo de comércio e serviços do que a eventual perda de folego da manufatura local. O pesquisador chama a atenção para o descolamento do desempenho da capital em relação ao interior do Estado. 

“Quando falamos de PIB dos municípios, Manaus sempre é destaque: manteve posição como o oitavo PIB do país e continua como o município mais rico da Região Norte. Mas também é um grande concentrador de riquezas. Sozinho, Manaus concentra 78,5% da riqueza do Estado”, finalizou.

O IBGE-AM esclarece que a defasagem de dois anos na divulgação dos resultados se faz necessária porque os cálculos do PIB dos Municípios dependem dos resultados das Contas Nacionais e Regionais, de dados provenientes de outras pesquisas do IBGE e também do acesso a dados administrativos de outros órgãos.

 

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