10 de abril de 2021

Indústria paulista quer postura mais rígida para os produtos importados

Com a possível prioridade dos EUA de exportar mais produtos manufaturados para o Brasil, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) prepara uma resposta competitiva e de reciprocidade não tarifária aos americanos

Com a possível prioridade dos EUA de exportar mais produtos manufaturados para o Brasil, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) prepara uma resposta competitiva e de reciprocidade não tarifária aos americanos. A afirmação é do diretor de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da entidade, Roberto Gianetti da Fonseca, em entrevista exclusiva ao jornal DCI, na última sexta-feira.
“Estamos vivendo a sobrevalorização do câmbio. Os EUA não estão entre os países mais competitivos do mundo. A China exporta dez vezes mais que o Brasil. São muito mais perigosos”, diferenciou.
Mas o diretor da Fiesp prevê que alguns setores podem encontrar dificuldades. “Haverá uma competição maior no segmento de eletroeletrônicos e de bens de consumo mais sofisticados, como na área de informática, e até mesmo no setor de autopeças”, avaliou.
Ele diz qual será o caminho da entidade para não deixar que o deficit comercial com os EUA avance ainda mais.
“Vamos praticar a reciprocidade. Outro dia, os americanos exigiram um recall de carne, pois no lote apareceu a presença de uma pequena quantidade de vermífugo. A vigilância sanitária deles usa esses argumentos para barrar a competitiva carne brasileira”, exemplificou.
O diretor completa sua argumentação ao apresentar a sugestão do uso de barreiras não tarifárias. “Praticar o velho protecionismo não é mais viável. Mas vamos ter que nos defender. Vamos utilizar mecanismos mais modernos, como o controle de qualidade e a vigilância de especificações técnicas”, detalhou.

Fora dos padrões

O dirigente citou, como exemplo, que o Brasil pode devolver produtos americanos fora dos padrões nacionais de medidas (cm x polegadas) e peso (quilos x libras).
Ao mesmo tempo, Gianetti da Fonseca diz que produtos sem similar nacional podem servir de instrumento para maior abertura comercial. “No caso de importação de autopeças, que tiveram recente redução de alíquota de importação, a Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores] e o Sindipeças [Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores] entraram num acordo sobre a não similaridade dos 116 itens. A Fiesp acompanhou esse processo e não houve conflito intersetorial”, explicou o diretor. Na visão do economista, a questão maior da competitividade brasileira é o câmbio valorizado. “É inegável que há um processo de desindustrialização em curso. Só cego que não vê. Você tem 150 mil indústrias sofrendo com a concorrência desleal imposta pelo câmbio valorizado. São produtos colocados a preço marginal no Brasil”, destacou.
O diretor argumentou que a missão histórica da Fiesp é defender a indústria brasileira. “Não podemos ficar acomodados. A Fiesp trabalha com projetos de tecnologia e logística para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros”, concluiu.

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