Indústria luta por participação no CBA

Indústrias da ZFM financiam CBA, mas empresários reclamam da falta de participação

A Indústria amazonense quer maior participação nas discussões sobre o futuro do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia). Após 13 anos funcionando basicamente com recursos arrecadados das indústrias instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus), cerca de R$ 65 milhões, o CBA segue sem expressão econômica. Seu principal objetivo é criar condições para o desenvolvimento ou aprimoramento de processos e produtos da biodiversidade amazônica, por meio da inovação tecnológica, o que não vem sendo cumprido, entre outros problemas, pela falta de personalidade jurídica (CNPJ).
E para acirrar os ânimos, nesse momento de transição administrativa, a solução apresentada pela cúpula do governo federal foi de uma tríplice gestão entre Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) que administra o CBA, desde o dia 16 de junho de 2015. Essa gestão compartilhada deve durar até cinco anos, período pelo qual os gestores têm por missão definir o melhor arranjo jurídico para o CBA.
No entanto, representantes da indústria, acadêmicos e defensores do CBA pedem celeridade na definição de uma identidade jurídica ou a sua incorporação imediata a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) que atua há 44 anos na Amazônia desenvolvendo projetos significativos para a economia da região.
Representando o Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), o consultor e economista Alfredo Lopes, ratificou que o CBA é fruto do modelo ZFM sustentado pelas empresas que fazem parte do PIM (Polo Industrial de Manaus). “Os senhores estão há 13 anos com muito boa vontade. Mas quem pagou o CBA foi o modelo Zona Franca de Manaus. O que a indústria quer é ser consultada”, frisou.
No período de 2002 a 2015, o CBA recebeu investimentos na ordem de R$ 65 milhões. Desse montante, cerca de R$ 52 milhões foram recursos da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e R$ 13 milhões oriundos de fundos de pesquisas. Os recursos da Suframa são provenientes de arrecadação por meio de taxas e incentivos destinados à P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) da Amazônia Ocidental.
Segundo Lopes, o Amazonas não é autossuficiente no agronegócio por falta de investimentos em biotecnologia e em logística de escoamento das safras. “Temos que importar cheiro verde e até farinha de outros Estados. O governo arrecada e não repassa nada, dessa forma, o Amazonas está carregando o país nas costas”, criticou.
De acordo com o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Moysés Benarrós Israel, existe um esforço parlamentar para chegar a um consenso sobre o rumo do CBA, porém nada acontecerá sem primeiro emitir o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). “Agora são três para debater sobre o CBA e criar sua identidade jurídica. O que é muito simples, ir até a Junta Comercial e, dar entrada”, observou.
A representante do Movimento Pró-CBA, doutora em Biotecnologia Vegetal, Arlena Gato, reconhece o esforço do Mdic e Mcti, em apresentar planos futuros para o CBA, entretanto sua a experiência de 13 anos atuando no CBA, aponta para mais uma proposta que não sairá do papel. “Nossa preocupação e tristeza é ver que isso vai passar longos e longos anos e nada realmente se resolve. Porque propostas têm em Brasília, e não saiu do papel”, lamentou.
Arlena Gato defende a celeridade na tomada de decisões sobre a gestão do CBA ou incorporação imediato do centro de biotecnologia à Embrapa. “Tudo o que é feito em relação ao Inmetro é um só um paliativo para que no CBA não pare de funcionar. Já a Embrapa tem o apoio da Indústria do Amazonas. E eu acredito que agora, após esse apoio político isso realmente consiga sair do papel”, defendeu.
Segundo o representante da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), professor Spartaco Astolfi Filho, apesar dos estudos e decisões tomadas em prol do CBA, pelo governo federal em vários mandatos, nada foi cumprido. “A Suframa fez um monte de estudos, desde as outras tentativas. Até modelos de regimento de OS’s, de empresas, está tudo pronto aqui na Suframa. Infelizmente não se cumpriu o que o ex-presidente Lula determinou. Eu fico chocado com isso”, lamentou.
Ainda segundo o professor Spartaco, agora é o momento político para que o CBA consiga construir uma nova história, a partir do apoio parlamentar vindo do Senado Federal. “Esse apoio é imprescindível dos políticos. Essa determinação política tanto dos ministros quanto dos senadores e deputados federais e estaduais, que estão juntos nessa cruzada, para definitivamente resolver esse assunto”, completou.
Essa discussão aconteceu na manhã de ontem (31) em audiência pública promovida pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), contou com a presença do secretário de Inovação do Mdic, Marcos Vinícius de Souza; do secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do MCTI, Eron Bezerra; do superintende em exercício da Suframa, Gustavo Igreja, dentre outros parlamentares e representantes da indústria e do CBA.

Tanair Maria
[email protected]

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email