Indústria já se encontra no patamar pré-crise, aponta CNI

O aumento do uso da capacidade instalada e as contratações puxaram o terceiro crescimento mensal consecutivo na indústria, em agosto. Os dados estão na pesquisa de Sondagem Industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta terça (22). A entidade avalia que a atividade industrial já se encontra no patamar pré-crise, entendimento compartilhado por fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio. 

O índice de evolução da produção alcançou 58,7 pontos em agosto, no terceiro mês seguido de alta. O índice é próximo ao registrado no mês anterior (0,7 ponto inferior). Resultados acima da linha divisória de 50 pontos indicam crescimento com relação ao mês anterior. Quanto mais distante da linha de 50 pontos, mais forte e disseminada entre as empresas industriais é a alta da produção. 

A sondagem mostra que a UCI (Utilização da Capacidade Instalada) alcançou 71%, 2 pontos percentuais acima do apurado em agosto de 2019 e 4 pontos percentuais a mais na comparação com julho. É o maior percentual para o mês desde de 2014, quando o UCI ficou em 72%. O indicador de UCI efetiva (47,7 pontos) – em relação ao usual – subiu 3,6 p.p. de julho para agosto. Ficou acima do registrado em agosto de 2019 (44,1 pontos), significando que a atividade está no nível usual para o mês. 

O índice de evolução do número de empregados atingiu 53,8 pontos em agosto, sendo o maior da série histórica mensal, iniciada em janeiro de 2011. A CNI ressalta que é preciso levar em consideração que o emprego estava em nível muito baixo, tendo atingido os 38,2 pontos em abril, auge da pandemia no Brasil. 

Segundo o gerente de Análise Econômica, Marcelo Azevedo, o crescimento da produção industrial foi tão disseminado quanto o de julho, mas o fato de ter sido acompanhado pelo crescimento do emprego é um diferencial. “O índice já havia superado a linha divisória de 50 pontos em julho (50,9 pontos). Mas, ao se afastar da linha, revela alta mais significativa e disseminada do emprego industrial”, salientou, no texto de divulgação da pesquisa.

Estoques e expectativas

De acordo com a CNI, mesmo com meses de crescimento da produção, os estoques seguem em queda e em nível abaixo do planejado. O índice de evolução do nível de estoques registrou 46,3 pontos em agosto. Novamente houve queda, ainda que menos intensa que em julho (45,5 pontos), sendo que o indicador vem decrescendo desde abri. O índice de estoque efetivo em relação ao planejado ficou abaixo da linha divisória de 50 pontos (45,2 pontos) e mostra que os estoques seguiram inferiores ao esperado pelos empresários industriais.

Todos os índices de expectativa, por outro lado, mantiveram-se em crescimento na Sondagem Industrial de agosto. A expectativa para a demanda aumentou 1,7 ponto, em relação ao mês anterior, para 63,1 pontos, o melhor resultado em mais de dez anos. A expectativa de compras de matérias-primas aumentou 1,9 ponto para 60,6 pontos – sendo que a última vez que o índice havia superado 60 pontos foi em agosto de 2010.

O índice de expectativa de número de empregados foi de 54,8 pontos, o maior desde abril de 2011. A expectativa de exportação aumentou 3 pontos e atingiu 55,4 pontos. O indicador de intenção de investimento cresceu pelo quinto mês consecutivo e atingiu 55,3 pontos, avanço de 4,3 pontos frente a agosto. Desde maio, o indicador acumula crescimento de 18,6 pontos.

“O otimismo do empresário vem sendo impulsionado tanto pela recuperação da economia, como pelo início do período sazonalmente mais favorável à produção industrial. (…) Na esteira dessa recuperação, o otimismo do empresário também continuou aumentando, impulsionado tanto pela recuperação da economia, como pelo início do período de fim de ano, sazonalmente mais favorável à produção industrial”, assinalou o texto da pesquisa.

Evolução e consistência

Embora a pesquisa da CNI traga apenas números nacionais, sem detalhar o desempenho dos Estados e regiões brasileiras, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, avalia que a manufatura amazonense encontra-se em patamar semelhante ao da brasileira. O dirigente reforçou sua avaliação de que o setor vem apresentando crescimento gradativo, mas consistente, com resultados melhores mês a mês, à medida em que as festas de fim de ano se aproximam.

“Trata-se de uma tendência e nós estamos bem situados nessa sondagem, cujos resultados serão confirmados por ocasião da pesquisa de indicadores industriais, que será futuramente divulgada. Essa sim, coletada com apresentação de números por amostragem entre as empresas mais representativas de cada setor. A pesquisa constata que também na ZFM a situação é de evolução, tanto na utilização da capacidade instalada, como de geração de emprego”, afiançou. 

Consumo e incerteza

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, avalia que alguns segmentos industriais, especialmente os que carreiam o PIM, como eletroeletrônicos, bens de informática e duas rodas, já estão trabalhando com mais de 80% de sua capacidade instalada para atender a demanda de fim de ano. O dirigente concorda que os empregos também seguem em trajetória positiva – ou pelo menos de manutenção –, mas observa que o horizonte ainda é incerto para o setor.

“O bom de tudo isso é que não tivemos redução de quadros durante a pandemia. Só o fato de termos mantido os empregos já é um fator muito positivo. Esperamos que, apesar dessa redução de R$ 600 para R$ 300, a ajuda que o governo federal passou a dar continue movimentando a economia na questão do consumo. E vamos aguardar também o resultado das festas de fim de ano e o começo de 2021, quando essa ajuda deve acabar”, encerrou. 

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