Indústria indefinida sobre o retorno no Polo Industrial de Manaus

Sem luz no fim do túnel da crise do Covid-19, as indústrias do PIM que aguardavam retomar as atividades nesta semana resolveram estender suas paralisações. A lista inclui gigantes do polo de duas rodas, como Honda, Yamaha, BMW e Harley Davidson. Fabricantes do segmento eletroeletrônico, como Samsung, LG, Technicolor e TPV, retomaram os trabalhos, mas não está excluída a hipótese de novas interrupções.

Não há levantamento oficial sobre o número de empresas que concederam férias coletivas e licenças. O Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) calcula que entre 16 e 20 estejam total ou parcialmente paradas. Já a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) arrisca dizer que o número é maior, pois a lista incluiria também todos os oito fabricantes do polo relojoeiro e a maioria absoluta dos 20 componentistas de material elétrico e metalurgia, entre outros.  

As férias e licenças começaram na última semana de março. Mantidas as condições de fechamento do comércio e bloqueio logístico a bens não essenciais – em sintonia com a curva de propagação da pandemia –, passados 30 dias, as indústrias não terão outra opção a não ser negociar com os sindicatos laborais. Estarão na mesa opções de prazo mais estendido, como suspensão de contrato de trabalho e redução da carga horária com diminuição de salário, entre outros.

Nesta quarta (15), por meio de nota à imprensa, a Moto Honda da Amazônia anunciou que vai estender a suspensão das atividades até 4 de maio. Os trabalhadores devem retornar das férias coletivas em 20 de abril e as horas não trabalhadas entre essa data e 3 de maio serão acumuladas em banco de horas. A empresa adotou home office para seu setor administrativo, mas a fábrica mantém contingente mínimo para “atividades imprescindíveis que não podem ser realizadas a distância”, com “medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde”. 

No mesmo dia, e também por meio de comunicado à imprensa, a Yamaha informou que só retoma a produção a partir de 30 de abril, “em atendimento às medidas de isolamento social em todo o país, em virtude da pandemia da Covid-19”. A montadora acrescentou que novas medidas “serão informadas oportunamente”, assim que forem definidas.

Já a BMW estima, também por texto distribuído por sua assessoria, retornar a suas linhas de produção a partir de 4 de maio, e informa que a medida é “uma ação extra na contingência contra o avanço da Covid-19”. Em Manaus, os feriados de Sete de Setembro e do Dia da Consciência Negra devem ser antecipados para 23 e 24 de abril e novas férias coletivas serão concedidas entre 27 e 30 do mesmo mês, antecedendo o feriado de 1º de Maio.

Mais lacônica e sem mencionar datas, a Harley Davidson anunciou, igualmente por texto oficial distribuído por sua assessoria, que a produção da fábrica de Manaus segue “suspensa temporariamente” e que a empresa continuará monitorando a situação de perto, “com ajustes adicionais conforme necessário, de acordo com as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e autoridades locais de saúde”.

“Nova normalidade”

“Isso está dentro daquilo que já falei. Falta material, há excesso de estoques e aumento de casos de contaminação. Tudo isso, somado ao isolamento social, e com o comércio ainda fechado em praticamente todo o país, não dá motivos para retomar a atividade. A Technicolor retornou, mas não sei se manterá a atividade, por essas razões. Vamos acompanhar”, lamentou o presidente do Cieam, Wilson Périco, ao Jornal do Commercio.

Na avaliação do dirigente, o problema não é o período de “parada”, uma vez que existem ferramentas que “flexibilizam” a relação da empresa com o trabalhador, a exemplo da suspensão de contrato de trabalho, da redução da carga horária com redução do salário, da licença remunerada e do banco de horas. “Isso vai depender de empresa para empresa. O problema é, qual o ‘tamanho’ do mercado quando a ‘nova normalidade’ retornar?”, questionou.

Componentistas e perdas

Em sintonia, o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, disse ao Jornal do Commercio que, dificilmente, os efeitos econômicos negativos das necessárias medidas para conter o contágio do Covid-19 nas cidades brasileiras pouparão os empregos do setor. De acordo com o dirigente, a interrupção das atividades está sendo sentida com mais força pelo polo componentista do PIM.   

“Desconheço que haja alguma fábrica de componentes produzindo. Nunca passamos por uma crise tão aguda e generalizada. Não é mais por falta de insumos, mas por excesso de produtos e comércios fechados. E abril será ainda pior, já que ninguém sabe quando o país atingirá o pico da curva de propagação de novos casos da pandemia, nem se haverá uma ‘segunda onda’. Desse jeito, arrisco dizer que o PIM vai perder entre 10% e 20% de seu faturamento, no final do ano”, lamentou.

Ajuste de estoques

Na mesma linha, o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Jose Jorge do Nascimento, informou ao Jornal do Commercio que as empresas que retomaram a atividade fizeram isso apenas para ajustar e reequilibrar estoques, uma vez que as vendas para o varejo já contabilizam 80% de queda, em um cenário volátil e imprevisível.

“O comércio de bens não essenciais está fechado em todo o país e algumas cidades não permitem nem entregas. No caso dos produtos eletroportáteis, como liquidificadores, ainda há uma saída pela venda pelo e-commerce. O mesmo não pode se dizer de produtos de linha branca e linha marrom, como os da Zona Franca. E as estatísticas de novos casos em Manaus trazem a possibilidade de um lockdown na cidade. Ninguém sabe o que vai acontecer”, concluiu. 

Fonte: Marco Dassori

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