Indústria espera reação do mercado interno para se recuperar

Em entrevista online, concedida na última sexta-feira, (29), ao programa JC às 15h do Jornal do Commercio, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, comemorou reabertura do comércio no Amazonas. Ele projetou um panorama positivo para o segundo semestre e, vislumbrou uma retomada de empregos gradativos na indústria. Em uma mistura de otimismo e cautela, ele destacou que até o final do ano, conforme a reação do mercado interno, os processos produtivos das fábricas poderão retornar aos trabalhos e ajudar o setor a vislumbrar dias melhores.

“A decisão (de abrir o comércio) foi feita de forma comedida e planejada. Nós temos procurado trabalhar em linha com o governo do Estado e contribuído com algumas ideias. Vamos começar subir um pouco, acredito que até o final do ano vamos recuperar alguns empregos. Depende muito de como o mercado consumidor interno vai reagir. Reagindo, vamos começar a contratar os trabalhadores que estão na espera. Eu acredito que só vamos ter uma reação maior no ano seguinte (2021). Esse ano nós ainda vamos atravessar muitas dificuldades”, disse.

Segundo Antônio SIlva, a expectativa é que a partir desta segunda-feira, com a abertura das atividades do comércio, a indústria comece a reagir de forma progressiva para retornar às suas atividades. Os períodos de fechamento do setor trouxeram sequelas significativas no número de desemprego no estado do Amazonas. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados no fim de maio, foram 14.192 trabalhadores dispensados.

“A perda dos empregos foi por conta do fechamento das unidade fabril devido ao  Covid-19. Nós mesmos tivemos que enxugar cerca de 300 a 400 empregos. E outras indústrias também por não terem fôlego suficiente para manter. Por isso me preocupei com a extensão da quarentena, porque já estávamos com gargalo. E o comércio teve um dano muito maior no desemprego.

Apesar disso, nós temos que apostar nessa curva de crescimento. O Caged demorou a mostrar os dados porque não tinha ainda. Eu não sei se os números (de desemprego divulgados) tem consistência, ainda tenho minhas dúvidas”, reforçou.

O presidente elogiou a atuação das empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus), em especial o Instituto Transire, que mesmo em período de quarentena manteve seus colaboradores nas atividades seguindo todo o protocolo de segurança estabelecidos pelos órgãos de saúde. Além disso, destacou também empresas como Moto Honda da Amazônia e Yamaha, fábricas que geram uma parcela significativa de empregos na região, e não mediram esforços para manter os postos de trabalhos de seus colaboradores.

“Todas as empresas do PIM deram a mão para combater o Covid para retomarmos às atividades. Desde a Honda à Yamaha. A moto Honda suspendeu suas atividades devido ao fechamento do mercado interno onde ela ficou impossibilitado de fazer a entrega de seus produtos. A Transire adotou um protocolo muito forte. Ele dividiu a equipe em duas turmas e continuou produzindo em quase sua totalidade. Um percentual baixo de contaminação e continuou a abastecendo o Mercado. Veio do chão de fábrica com 1500 colaboradores. Foi uma empresa importante ao combate do Covid. Que dentro do seu corpo técnico atuou direto na fabricação de respiradores”, disse.

Diretrizes das indústrias 

A Moto Honda da Amazônia foi uma das  indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus) que teve a retomada gradual das atividades produtivas de sua unidade fabril em Manaus. No último dia (25),as linhas de produção foram reativadas gradualmente com ritmo reduzido, para adaptação aos novos protocolos de saúde e segurança. 

Segundo a empresa, o retorno dos colaboradores às atividades na unidade segue o cronograma de retomada da operação, encerrando antecipadamente o período de suspensão temporária do contrato de trabalho. Os colaboradores cujas atividades permitirem atuação à distância permanecem em regime de home office.Foram  27 protocolos que detalham cerca de 200 medidas em toda a jornada do colaborador desde o momento em que sai de sua residência, no ônibus fretado, até o retorno. 

De acordo com a companhia, estão previstas avaliação de saúde com medição de temperatura no acesso à fábrica; horários diferenciados e intercalados para evitar aglomerações; reorganização de espaços, limitação do número de pessoas e adoção de critérios de distanciamento mínimo em locais como ônibus fretados, linhas de produção, refeitórios e salas de reunião; novos critérios de higienização, limpeza e sanitização bem como a adoção de máscaras. 

ALém disso, o treinamento e orientação às equipes será intensificado a fim de conscientizar os colaboradores sobre cuidados e métodos de prevenção, bem como apoiar a adaptação aos novos procedimentos. O departamento de serviço médico está preparado para o acompanhamento e orientação durante todo o processo.

A Yamaha Motor da Amazônia e as demais empresas que fazem parte do Grupo Yamaha, suspendeu suas atividades fabris no período de 31 de março à 19 de abril, e regressou às atividades no dia 20 de abril. No período alto da Covid-19, a empresa adotou algumas medidas para garantir o bem-estar e saúde dos funcionários. As reuniões internas com fornecedores passaram a ser realizadas por videoconferências, viagens pelo país e no exterior foram proibidas e todos os eventos e ações internas e externas foram canceladas.

No período alto da pandemia, a empresa  adotou o trabalho remoto para os funcionários dos escritórios cujo modelo podia ser aplicado. Áreas técnicas, como por exemplo: fundição e logística, trabalharão em regime excepcional de plantão. “Nesses casos a empresa seguirá oferecendo a seus colaboradores todas as proteções individuais necessárias em salvaguarda para evitar o contágio. Medidas adicionais, se necessárias, quando definidas serão informadas oportunamente”, destacou o diretor de relações institucionais da Yamaha no Brasil, Hilário Kobayashi.

Fonte: Antonio Parente

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