Indústria, enfim, terá assento no Conselho Curador da UEA

Boas notícias chegando… É aprovação do Conselho Curador da Universidade do Estado do Amazonas, aprovada pela Assembleia Legislativa, em votação de emenda da deputada Terezinha Ruiz. Envolver a representação  popular se reveste de um simbolismo múltiplo e promissor.

Com duas décadas de existência, este, que é o maior o maior legado das empresas do programa ZFM, enfim, terá um Colegiado com participação dos mantenedores, o setor produtivo da sociedade. Esta presença, é claro, não deverá se meter nas decisões de cunho acadêmico, pauta de seu Conselho Universitário.

O novo Conselho vai cuidar da relação economia e academia, uma reivindicação legítima das empresas do Polo Industrial de Manaus, que mantém integralmente a UEA e um velho sonho do pioneiro Dr. Moysés Israel que, nos últimos anos de sua vida, andava com o projeto de biocombustível para jatos militares, a partir de espécies amazônicas, como o pinhão manso, (Jatrophas curca L.), uma demanda emblemática  do setor industrial para uma instituição que produz o conhecimento, a academia.

No caso da Amazônia, onde o mundo natural é um almoxarifado da indústria vital, a Universidade precisa priorizar a biodiversidade para unir pesquisa, desenvolvimento, sustentabilidade e mercado.

A hora da Bioeconomia 

Com pompas e circunstâncias, foi lançada em novembro último a Escola de Negócios da Floresta, em inglês, para sinalizar as parcerias internacionais,  Rainforest Social Business School – RSBS/UEA – no âmbito da Universidade do Estado do Amazonas, em parceria com a USP e a Sedecti. Diríamos que este evento ocorreu com 20 anos de atraso, considerando o tempo de criação do Centro de Biotecnologia da Amazônia, que foi construído em 2000, embora não tenha até hoje identidade jurídica.

O CBA demorou a empinar  por obra e graça da insistência de Brasília em tele-administrar a iniciativa. Neste momento, em que os atores locais percebem a movimentação nacional a favor da Bioeconomia, provavelmente, entram em cena as condições adequadas para o Brasil abraçar a obviedade desta vertente econômica, capaz de ajudar a nação a sair do atoleiro em que foi metida por seguidas crises.

Diversificação do PIM 

As condições materiais e acadêmicas, em princípio, estão ensaiadas. A indústria da Zona Franca de Manaus, há 50 anos, trabalha para a diversificação e adensamento do sistema produtivo local. Prova disso está no fato de ter viabilizado a própria construção do CBA, um polo de bioindústria, o primeiro da Amazônia, que pudesse, além de manufaturar biodiversidade com sustentabilidade, atender as demandas da malha industrial aqui existente. O polo de Bioeconomia, por sua vez, se valerá da Indústria 4.0 para sua sofisticação e viabilidade.

Em 10 anos, pouco restará dos produtos e formatos industriais hoje existentes. Essa capacidade instalada, portanto, precisa evoluir. Ou seja, o papel da academia na diversificação fabril da economia é sagrado e necessário, por isso, também os aplausos à aprovação da emenda do Conselho Curador.

Cuidar e expandir 

 Etimologicamente, a palavra curadoria tem origem do latim “curator”, que quer dizer “aquele que administra”, “aquele que tem cuidado e apreço”. Não é curador no sentido de combate à eventual patologia. Nem administrador no sentido da gestão da rotina funcional. A UEA não está doente, muito pelo contrário, sua higidez é vibrante e fecunda. Muito menos mal administrada.  Curadoria, no sentido em que foi  aprovada, com vez e voz  do setor produtivo, se sustenta no cuidado e no apreço a fim de que essa relação academia e economia seja igualmente pautada na lógica produtiva, onde as demandas de cada um sejam atendidas por ambos e os atores que as integram alcancem seus melhores resultados.

Parceria vital 

E qual é a demanda da indústria? É preciso que a universidade faça essa pergunta em estado permanente, como permanente é a demanda da academia em relação ao suporte integral que lhe propicia o setor produtivo. Simples assim.

Se a indústria do polo de duas rodas, por exemplo, tiver suporte acadêmico de P&D para produtividade local de insumos, partes e peças, como é o caso de pneus, ou soluções tecnológicas para agregar competitividade, essa resposta corresponderá a melhores resultados, portanto mais dividendos e maiores contribuições para a própria academia. E isso se aplica em todos os setores da economia e do tecido social.

Soluções de infraestrutura, como energias alternativas, comunicação e logística de transportes, adequadas às demandas produtivas, significam mais empregos e mais oportunidades. Isso é desafio tecnológico e pauta dos conteúdos acadêmicos. 2020 foi duro, nos tornou fortes, e aos poucos deixa escapar suas boas notícias.  Desejamos a todos um Natal de paz e muita força e saúde em 2021.

(*) Antônio é administrador de empresas, empresário, presidente da FIEAM e vice-presidente da CNI

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