Indústria e comércio temem prejuízos

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A pouco mais de dois meses para o pico do período de cheia do rio Negro, indústria e comércio intensificam o ‘sinal amarelo’ e ficam atentos com a expectativa de prejuízos

A pouco mais de dois meses para o pico do período de cheia do rio Negro, indústria e comércio intensificam o ‘sinal amarelo’ e ficam atentos com a expectativa de prejuízos.
A preocupação está fundamentada na primeira previsão, efetuada pela CPRM (Serviço Geológico Brasileiro) no dia 1º de março -75 dias de antecedência- que já está 36 cm acima da cota registrada no primeiro alerta de cheia de 2009, ano em que o Amazonas vivenciou a maior enchente de sua história.
A avaliação dos dois segmentos é de que as dificuldades serão menores em relação a 2009, mas os prejuízos não poderão ser evitados. Há três anos atrás, as perdas somaram aproximadamente R$ 380 milhões.
No comércio, além da invasão da água no centro comercial da cidade, a presença de ratos, a dificuldade de acesso, a inevitável queda nas vendas -ainda não estimada- e uma migração dos consumidores do centro para os mercados de bairro são alguns dos efeitos citados pelo vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.
“O preço das mercadorias também vai subir. No caso dos materiais de construção, por exemplo, areia, seixo e tijolo sofrerão alterações porque as fontes de abastecimento estarão escassas. Em contrapartida, quando o período de seca chegar, o efeito será o oposto, muita oferta e preços baixos”, informou o representante.
O prejuízo também será sentido no interior do estado, de acordo com o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag. “Com a cheia, os comerciantes dos outros municípios não tem como vir a Manaus para abastecer suas lojas e isso também deve derrubar nossas vendas”, destacou.
Segundo ele, o comércio não traçou nenhuma estratégia que possa evitar as perdas na capital e no interior. “Tentaremos apenas minimizar os prejuízos”, lamentou.

Indústria

Os efeitos negativos também se estendem à atividade industrial, especialmente não mão de obra do setor que já vem apresentando déficit de contratações desde o início do ano. “Trabalhadores poderão ficar parados e até ter reflexos na já problemática manutenção de empregos, tendo em vista os efeitos macroeconômicos atuais”, contatou o assessor econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas.
O economista diz esperar que as autoridades, tanto federais quanto estaduais, adotem soluções viáveis para evitar qualquer contratempo em relação ao recebimento, armazenagem e liberação de mercadorias que possam prejudicar os resultados da produção do PIM.
“Até porque os prejuízos não são apenas para a indústria, mas também para a arrecadação dos impostos federais e estaduais, com sérios reflexos na produção, no emprego e no faturamento”, enfatizou.
Armazenagem
A estrutura logística é a principal prejudicada. “Se a água atingir os níveis da alfândega do porto de Manaus, toda a atividade aduaneira fica comprometida, não só pelo risco de se atingir equipamentos, mas pela alocação dos funcionários. se atingir também o pátio do porto de Manaus a interferência será na armazenagem e na movimentação”, resumiu o presidente da Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
O 1º secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Amazonas), Raimundo Augusto Nonato, disse que o segmento logístico já está se preparando para a situação desde o ano passado. “Rampas já foram construídas para facilitar nosso trabalho e apostamos que esse ano nossa atividade não será prejudicada”, afirmou.
A direção da alfândega do porto de Manaus, cujo prédio foi inundado em 2009, também se mostrou otimista.
“Já nos reunimos com representantes da Samf-AM (Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda no Amazonas) e da Defesa Civil, os quais já formataram um plano de combate à inundação no entorno do prédio da alfândega, consistindo de utilização de bombas de sucção, como ocorreu em 2009, pois, de certa forma, a área do estacionamento é quase um dique, que pode ser “lacrado” e esvaziado durante a cheia”, explanou o inspetor-chefe da alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Manaus, Osmar Félix de Carvalho.
Segundo ele, medidas como a construção de passarelas e a utilização da técnica rip-rap também serão utilizadas no entorno do prédio, caso seja necessário.
“Havendo necessidade de realocação do pessoal que atua no térreo do prédio, poderão ser utilizadas as instalações dos recintos alfandegados da jurisdição da alfândega do porto de Manaus, como também metade de um andar do prédio do Ministério da Fazenda”, acrescentou.
O superintendente regional da CPRM–Manaus, Marco Antônio de Oliveira ponderou que ainda cedo para fazer previsões e projeções de perdas. “É difícil prever. A subida das águas que se estende até junho, mas o quadro ainda pode sofrer alterações. Não é porque a primeira parcial foi a cima da média, que esta cheia será maior. Ainda teremos mas dois alertas parciais,um em maio e outro em junho. Vamos aguardar”, amenizou.

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