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Indústria do Amazonas aumenta produção e segura empregos, mas ainda perde no faturamento em julho

A indústria do Amazonas entrou no segundo semestre ensaiando aquecimento de produção. Em sintonia com a aproximação das festas de fim de ano, a quantidade de horas trabalhadas e o nível de uso da capacidade instalada das fábricas aumentaram, em julho. O emprego se manteve basicamente estável, embora com viés de alta. O mesmo não pode ser dito, do faturamento real e da massa salarial. É o que revelam os números locais dos Indicadores Industriais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), compilados em parceria com a Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas). 

O faturamento real da manufatura do Amazonas recuou 3,5% entre junho e julho – que tiveram a mesma quantidade de dias úteis. Foi uma queda menor do que a registrada no levantamento anterior (-11,3%). A comparação com o mesmo mês de 2022 confirmou uma decolagem de 24,6%, reforçando o acumulado de 2023 no campo positivo (+20,1%). Na média nacional, as vendas líquidas declinaram 0,9% no mês, ficaram 6,8% abaixo da marca de maio de 2022 e retraíram 1,4%, em sete meses. 

Situação inversa se deu nas horas trabalhadas nas linhas de produção do Estado. Segundo a CNI, foi registrado um progresso de 2,5% para o indicador, em alta pouco expressiva para aplacar a perda de junho (-8,5%). O confronto com a marca de igual intervalo do exercício anterior ficou positivo em 20,7%, mas foi insuficiente para tirar o acumulado do ano (-5,3%) do vermelho. Os respectivos números do nível de atividade da indústria em todo o país (-0,2%, +0,2% e +0,6%) ficaram próximos à estabilidade. 

A UCI (utilização da capacidade instalada) da indústrial local teve alta mais modesta. A proporção de máquinas em produção passou de 79,7% para 82,7%, em relação a junho, configurando uma diferença de 3 pontos percentuais (ou +0,4%). Já o confronto com igual mês de 2022 (70,2%) indicou elevação de 12,5 p.p. (ou +1,8%). Em sete meses, o nível de ocupação da capacidade instalada das fábricas locais chegou a 82,2% e subiu 4 p.p. (ou +0,51%). Além de ser mais baixo, o indicador nacional (78,2%) encolheu em relação ao mês anterior (78,5%) e também na comparação com julho de 2022 (80,6%).

Os números de produção da CNI mostram um panorama relativamente melhor do que o apresentado pela pesquisa do IBGE para a produção industrial do Amazonas. Segundo o órgão federal de pesquisa, o Estado desabou 8,8% na variação mensal, no pior desempenho do país. O confronto com julho de 2022 mostrou tombo de 11,1%, puxado pelos segmentos de bens de informática, eletroeletrônicos e bebidas. A manufatura amazonense, contudo, ainda consolidou alta de 6,5% de janeiro a julho, sendo favorecida principalmente por derivados de petróleo, produtos de metal e motocicletas.

Empregos e salários

Os indicadores relativos à mão de obra da indústria do Amazonas, por sua vez, indicaram desempenhos novamente contraditórios. A média do saldo de contratações no parque fabril do Estado foi pouco além da estabilidade (+0,4%) no mês. Mas foi catapultada em 29,3%, no confronto com igual período do exercício anterior, o que ajudou a encorpar o aglutinado de janeiro a julho (-17,7%). Em contrapartida, os respectivos números brasileiros (+0,1%, +0,4% e +0,9%) foram todos mais fracos.

Os dados confirmam o ‘Novo Caged’, que apontou criação de 451 vagas formais em julho, em desempenho aquém ao do mês anterior (+624). Com isso, o acréscimo em relação ao estoque antecedente chegou a 0,51%. As contratações foram carreadas pela indústria de transformação (+504), que foi especialmente favorecida pelas linhas de produção de “outros equipamentos de transporte”/motocicletas (+229), entre outros subsetores. Em sete meses, os empregos da manufatura amazonense avançaram 1,15% (+1.399).

De volta à pesquisa dos Indicadores da CNI, a despeito da renovação das contratações, a constatação foi de um novo enfraquecimento na massa salarial. O tombo mensal foi de 22,1% e praticamente eliminou o ganho de expressivo de junho (+23,2%). Em contrapartida, a soma dos vencimentos dos trabalhadores ganhou musculatura em relação ao mesmo mês de 2022, com alta de 16,1%. De janeiro a julho, o saldo ainda se mantém na casa dos dois dígitos (+16,1%). A indústria nacional (+0,1%, +2,3% e +4,2%) apresentou comparativos percentuais mais homogêneos.

“Perda de fôlego”

Em texto e vídeo divulgados pela assessoria de imprensa da CNI, a economista da entidade, Larissa Nocko, assinalou que a pesquisa mostrou um resultado para a indústria brasileira que pode ser traduzido como “uma composição de estabilidade e queda”. “O faturamento mostrou recuou e o número de horas também caiu, assim como a utilização da capacidade instalada. Por outro lado, o emprego e a massa salarial registraram estabilidade, reforçando essa ideia de perda de fôlego no setor. É um resultado que a gente já vem identificando ao longo de 2023”, sintetizou. 

Segundo a economista, o emprego vinha tendo “resultados expressivos” desde o segundo semestre de 2020, como resultado da recuperação após o choque da primeira onda de covid-19. “No entanto, esses avanços foram sendo cada vez menores ao longo de 2022. Em julho de 2023, o indicador chegou ao mesmo patamar do início do ano. Já a UCI vem em uma tendência de queda desde meados de 2021 e voltou a cair em julho, confirmando que a atividade se encontra menos aquecida do que estava há dois anos”, comparou. 

Na análise de Larissa Nocko, os números decorrem do peso do custo do dinheiro nos caixas das empresas e também no poder aquisitivo e capacidade de consumo das famílias. “Esses indicadores refletem que a indústria de transformação permanece penalizada por essa política monetária apertada e taxa de juros bastante alta, impedindo expansões da atividade industrial. Isso também é reflexo do cenário de crédito bastante restrito, e bastante desfavorável para o consumidor e para o empresário”, lamentou.

Sazonalidade e expectativas

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Fieam, e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, observou que, como o estudo dos Indicadores conta com amostragem local “pequena”, alguns dos subsetores ponderados podem impactar os números globais de forma mais significativa. Mas, embora saliente que os dados regionais sinalizem mais uma “tendência do setor” do que “números consolidados”, o dirigente concorda que o setor atravessa dificuldades significativas.

“Importante considerarmos também o fator sazonal, se observarmos os resultados de junho e julho do ano passado, estes também apresentaram retração. Mas, além da conjuntura atual, impactada pela taxa básica de juros em patamar elevado, o que encarece o investimento, e a inflação ainda volátil, temos problemas estruturais na indústria que perpassam por questões de infraestrutura, tributária e de competitividade”, apontou. “A expectativa de crescimento moderado para os próximos meses permanece. Com uma pequena melhora, por conta das atividades de final de ano, assim esperamos”, emendou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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