Indústria de brinquedos retoma fôlego

Como previsto pelas principais lideranças industriais, o setor de brinquedos no Amazonas parece ter retomado definitivamente o fôlego. Pelo menos é o que apontam os números divulgados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) no acumulado de 2009, quando a indústria fechou com US$ 34.78 milhões, o segundo maior faturamento na série histórica dos últimos seis anos.

Além disso, o setor, que já havia fechado com alta de 11,56% no faturamento de novembro (US$ 3.27 milhões) em relação a igual período de 2008 (US$ 2.93 milhões), voltou a mostrar força em dezembro. No período, as indústrias locais faturaram US$ 2.94 milhões ou 129,41% a mais que dezembro de 2008 (US$ 1.28 milhões).

O avanço é notado até na geração de emprego, segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), os quais mostram que o emprego no setor em 2009 ultrapassou 1,8%, todo o volume de efetivados do ano anterior.

O diretor industrial da Digiplay Indústria de Brinquedos da Amazônia, Luca Zimmerman Henriques, considera que o setor tem grande potencial para deslanchar em 2010, principalmente por conta das novas legislações da Abrinq (Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos) e os selos de qualidade da indústria que vem ganhando terreno junto ao consumidor a despeito da invasão dos produtos orientais ou falsificados. O executivo considerou que o mercado interno reagiu satisfatoriamente ao longo do último trimestre aos lançamentos, o que deu uma prévia do comportamento do mercado consumidor infanto-juvenil este ano. “Continuamos apostando na tendência ao retorno dos jogos de armar e bonecos entre a criançada e dos jogos educativos para grupos, o que pode assegurar o crescimento da produção em larga escala”, assinalou.

Essa mesma tendência levou a Tectoy a optar por investir em outros tipos de produtos eletrônicos, como DVD Players e jogos licenciados, a exemplo do “Show do Milhão”, cuja linha é a mesma do programa veiculado na TV aberta, embora adaptado para Mega Drive. Isso possibilitou a empresa a sair do estado de concordata no ano 2000.  Segundo a gerente de marketing da Tectoy, Vanessa Artea, a nova estratégia culminou em um plano de reposicionamento e revitalização da marca. Mesmo sem abandonar os games – que hoje representam cerca de 35% das vendas da empresa, a Tectoy investiu em uma linha de DVD Players e de TV Digital. “Com os DVD Players, buscamos agregar valor com a inclusão de jogos e tapetes de dança, sem entrar na guerra dos preços de outras marcas. Outros lançamentos são o boneco eletrônico Nabaztag e o MobTV, receptor USB de TV Digital em formato de pendrive para computadores”, explicou.

O atrativo do preço é outro artifício usado pela indústria para atrair consumidores e aumentar o ritmo de produção. Segundo Vanessa Artea, apesar de uma defasagem tecnológica de cerca de 20 anos e concorrendo nas gôndolas contra videogames com tecnologia superior, a empresa ainda é a única do mundo a fabricar e vender no varejo os consoles Master System e Mega Drive. “Custando cerca de 20% do preço dos consoles mais atuais, os produtos são voltados para os públicos de baixa renda e vêm ainda com dezenas de jogos incluídos na memória, eliminando despesas posteriores com jogos. O cartucho passa a idéia de um produto defasado. Lançamos no ano passado oito produtos, um recorde em comparação aos últimos anos. A empresa está inovando e crescendo bem nessa nova fase”, assegurou.

A dica de Zimmerman vem a calhar, quando observados os números da Suframa. Até outubro, de acordo com a autarquia, o setor já obteve o segundo melhor resultado em termos de faturamento nos últimos cinco anos. No comparado a igual período de 2008, conforme a Suframa, o resultado acumulado dos dez primeiros meses teve queda de 18,36% ou um dos menores índices percentuais de retração se comparado a de outros setores do PIM.

Nos cálculos do titular da Aficam, Cristóvão Marques Pinto, este ano o mercado interno vai receber 8,70 milhões de unidades de ‘made in Amazonas’, o que representa 1,04% a mais que o observado em 2009, quando do Estado partiram 8,61 milhões de brinquedos. “Esse foi um dos poucos setores que não sofreram queda expressiva por conta da crise, apesar da concorrência desleal com os produtos chineses, e devido a maior conscientização do consumidor de não comprar brinquedos sem o selo de qualidade do governo brasileiro”, finalizou.

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