Indústria da construção quer diferenciação regional para custo do MCMV

Representantes da construção civil das regiões Norte e Nordeste do Brasil planejam levar ao conhecimento do Congresso, no próximo dia 13, os principais gargalos do setor. A meta é sensibilizar os deputados e senadores de todos os Estados, que receberão das entidades classistas um documento com os pleitos das construtoras, durante encontro promovido pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), em um hotel de Brasília (DF).

De uma forma geral, as empresas querem um ambiente de negócios mais saudável, traduzido em segurança jurídica, melhor logística, maior acesso ao crédito e mais investimentos em infraestrutura. Uma demanda específica do setor é o ajuste da tabela do Minha Casa Minha Vida aos custos mais elevados da atividade nas duas regiões.

A ideia surgiu durante a realização da mais recente edição do Fórum Norte Nordeste da Construção, evento realizado em Fortaleza (CE), na última semana de janeiro. Presidente do Fórum, e também diretora do Sinduscon-PA (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Pará), Lecy Garcia, informa que o documento está na fase final de elaboração, mediante a identificação dos pontos de estrangulamento do setor.

“A construção civil tem a maior cadeia produtiva entre os setores econômicos. Mas, praticamente nenhum dos Estados da região tem uma indústria de insumos local, o que eleva os custos. Há casos em que o preço do frete acaba sendo superior ao do produto”, desabafou.

A dirigente garante que nenhum dos Estados das duas regiões brasileiras ficará de fora do esforço conjunto, e acrescenta que todos os parlamentares do Norte e Nordeste foram convidados a participar da iniciativa. “Somadas, as duas regiões têm uma das maiores bancadas do Congresso. Nossos políticos têm que ser a nossa voz”, afiançou.  

Lecy Garcia diz que está otimista quanto aos resultados da iniciativa, mesmo diante do déficit brasileiro e da situação de quebradeira geral nos orçamentos dos Estados. “Quebrados ou não, precisamos juntar os cacos. Esta não é uma demanda do setor, mas de todo o país”, arrematou.

Custos e atrasos

Outra dor de cabeça para as empresas – e que deve ser informada aos parlamentares – vem dos custos e morosidade cartoriais no registro de imóveis. “A burocracia na operação pode custar, em média, 60 dias de espera”, disse o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria de Construção Civil do Amazonas), Frank Souza.

“Custos de escritura e de registros hiatos cartoriais são mais elevados aqui do que em outros Estados. São questões que temos tratado com os cartórios, mas ainda não conseguimos chegar a um denominador comum”, emendou o superintendente da Construtora Capital e da Morar Mais Empreendimentos, Henrique Medina.

À escassez de crédito, lembra o presidente do Sinduscon-AM, soma-se o atraso de pagamentos da União para as construtoras, no âmbito do Minha Casa, Minha Vida. É um problema recorrente, que já havia sido contornado três anos atrás, mas que voltou a dar as caras na virada do ano, em virtude do vácuo administrativo gerado pela extinção do Ministério das Cidades.

Mas, a questão que mais preocupa é a defasagem da tabela do programa habitacional, quando comparado a outras regiões brasileiras. “O teto da faixa 1 do programa é de R$ 70 mil em São Paulo, e de R$ 42 mil em Manaus. Isso, apesar de nossos custos serem muito maiores do que os de lá”, lamentou Souza.

Logística e crédito

O superintendente da Construtora Capital e da Morar Mais Empreendimentos concorda. “Temos todo o problema de logística que encarece o produto. Boa parte de nossos materiais vem de fora. E a demora para o insumo chegar demanda maior antecedência no desembolso. Mas, trabalhamos com um valor inferior ao precificado em um Estado que dispõe de fornecedores locais”, comparou.

Medina conta que boa parte das dificuldades vem da escassez de crédito. “Temos sofrido bastante com a falta de previsibilidade de recursos. Sobretudo no segundo semestre, quando os financiamentos do Minha Casa Minha Vida ficam mais difíceis e são reduzidos”, informou.

Ainda assim, Medina se diz confiante em relação ao mercado e prevê crescimentos de 15% para a Construtora Capital e de 20% para a Morar Mais Empreendimentos, em 2019. As altas em 2018 foram de 45% e de 20%, respectivamente. “Temos muita expectativa. Devemos voltar a lançar produtos convencionais, coisa que o mercado não faz há muito tempo”, concluiu.

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