Indústria cresce 6,6% em agosto

Os indicadores da produção vinham mostrando até julho que a indústria ultrapassara o seu modesto padrão de crescimento dos últimos dois anos, nos quais em média evoluiu apenas 3%, para chegar a um nível de 5%.
Pois bem, os dados ontem divulgados pelo IBGE para a indústria em agosto sugerem que esse patamar pode estar sendo superado, de forma que se nada de excepcional ocorrer no front externo ou na condução da política monetária, a indústria caminha para um final de ano e início de 2008 com um crescimento maior. Com ajuste sazonal o setor aumentou em agosto sua produção em 1,3% e 6,6% com relação a agosto de 2006. No ano, o crescimento é de 5,3%, denotando uma aceleração com relação ao crescimento acumulado até os meses de julho (5,1%) e junho (4,8%).

Algumas interpretações, originadas sobretudo do mercado financeiro, querem fazer crer que o crescimento da indústria pode ser considerado excessivo mesmo antes dos resultados de agosto.

Certamente a aceleração industrial que os novos dados sugerem terá por efeito a multiplicação dessas interpretações, possivelmente influenciando o Banco Central em sua próxima reunião de meados desse mês que decidirá sobre a taxa básica de juros. Tanto essas análises quanto a possível decisão da autoridade monetária de paralisar a redução da taxa de juros estarão equivocadas. Não há “crescimento excessivo” em abstrato.

Capacidade produtiva em ritmo crescente

Conforme dados do Iedi, o conceito não há “crescimento excessivo” em abstrato, só tem significado comparativo com a capacidade de produção do setor industrial. Em outras palavras, a avaliação da intensidade do crescimento do setor e a percepção de que há perigo de aumento de preços derivado de um “aquecimento” da indústria não faz sentido se o aumento da produção não estiver gerando uma elevação para níveis insuportáveis do grau de utilização da capacidade.

Na quarta-feira, a CNI divulgou o índice de utilização de capacidade industrial para agosto, 83,6%, apenas 1,7 pontos percentuais maior do que em agosto do ano passado e, com ajuste sazonal, 0,1 pontos abaixo do grau de utilização do mês anterior. Não há sinais, portanto, de evolução explosiva do indicador nem na comparação com 2006, nem na seqüência dos últimos meses. Por outro lado, é importante analisar o índice em termos absolutos.
O nível de sua última apuração, ou seja, o já referido percentual de 83,6% traz repercussões em termos de aumento de inflação? A resposta é não, pois há um excedente confortável de produção potencial para atender a demanda ainda que esta venha a crescer mais.

O nível alcançado, no entanto, já induz os empresários à decisão de investir com o objetivo de ampliar seu potencial de produção e com isso bloquear possíveis tentativas de conquistas de seu mercado por parte da concorrência. Ou seja, o índice presente de utilização é baixo demais para ameaçar a inflação, mas é alto o bastante para incentivar novas decisões de investir.

Se a política monetária agir precipitadamente e paralisar a redução de juros isso não terá efeito benéfico sobre a inflação, embora possa diminuir o ânimo empresarial para investir.

Alguns resultados setoriais merecem uma atenção especial. Em certos ramos os dados de agosto não confirmam a melhora de trajetória que algum ramos acenavam após terem experimentado longo processo de retração. Por exemplo, no setor têxtil há uma clara desaceleração de uma evolução que em junho desse ano com relação a esse mesmo mês do ano passado chegou a 5,5%, mas que recuou para 4,6% em julho e 3% em agosto. Com ajuste sazonal esse setor acumula três meses seguidos de queda com relação ao mês imediatamente anterior.

Em vestuário e acessórios e em calçados e artigos de couro, dois setores muito afetados pela valorização cambial, igualmente parece estar ocorrendo um retrocesso no desempenho. No primeiro caso, uma evolução da produção que em junho foi de 13,8%, se reduz para 8,3% em julho e 4,8% em agosto; no segundo

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