Indústria cresce 5% entre Janeiro e Agosto

A Carta Iedi publicada ontem trata dos recentes resultados da produção industrial brasileira. Em agosto a evolução foi de 1,3% com relação a julho, na série livre de influências sazonais. Foi um resultado que superou as expectativas e que reposicionou a indústria na trajetória de um crescimento maior, tendo em vista que no mês anterior o setor registrou queda de 0,4%.

O fato é que a partir dos dados de agosto se torna possível pensar em um crescimento industrial para 2007 superior ao patamar de 5%, que anteriormente vinha sendo projetado para o desempenho da indústria nesse ano.

Relativamente a agosto de 2006 a produção física da indústria cresceu 6,6% e no acumulado de janeiro a agosto a evolução já supera 5%, alcançando 5,3%. Uma expectativa apontando para um crescimento de 6% no ano como um todo não é despropositada.

Crescer mais em um segmento que por dois anos seguidos como em 2005 e 2006 teve média de elevação de 3,0%, não deve assustar. Em primeiro lugar, porque o crescimento no corrente ano está longe de ser explosivo; em segundo, porque a evolução vem sendo pautada por um grande equilíbrio entre a produção e o aumento de capacidade produtiva do setor.

Conforme o instituto, essa última característica significa que, por caminharem juntos a produção e o produto potencial da indústria, o grau de utilização da capacidade produtiva pouco se altera. Isso resulta dos investimentos que vêm sendo executados pelo setor. Segundo a CNI, na passagem de julho a agosto o nível de utilização de capacidade caiu ligeiramente de 82,4% para 82,3%, descontados os efeitos sazonais. Esse percentual de utilização merece dois comentários.

O primeiro deles é que não há nenhum sinal de excessiva ampliação do grau de utilização nos últimos meses. Não há porque, portanto, por este ângulo temer o avanço da produção da indústria.

Em segundo lugar, o nível, que ainda é inferior a 85%, comporta uma significativa margem de acréscimo de produção sem causar nenhuma pressão sobre os preços. Certamente, essa não seria a conclusão se estivéssemos diante de um nível de utilização próximo a 90%.

O Iedi reafirma sua convicção de que o nível atual de utilização de capacidade instalada na indústria não ameaça as metas de inflação, mas tem sido alto o bastante para incentivar novas decisões de investir. Portanto, se a política monetária interromper a redução de juros, não terá efeito benéfico sobre a inflação, podendo, no entanto, concorrer para a queda do investimento e do crescimento da economia.

Dois outros pontos merecem ser sublinhados. Na série mensal destaca-se o aumento da produção de bens de capital, em ritmo muito superior ao da indústria (21%). Essa ampliação é o indicador seguro de que a indústria, assim como outros setores da economia, está gerando capacidade produtiva adicional.

O segundo ponto é que a indústria brasileira está conseguindo reduzir o diferencial de taxas de crescimento em relação a outros países. Mas o bom desempenho da indústria brasileira em agosto (6,6% frente a agosto de 2006) torna-se modesto comparado ao dinamismo das indústrias da Tailândia (10,2%) e Argentina (9,7%).

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