Indústria contabiliza estragos marcantes com a crise do Covid-19

Em torno de 92% da indústria nacional já está sentindo o baque da crise do Covid 19, materializado pela queda de demanda, estrangulamento logístico para aquisição de insumos e entrega de produtos, e maior dificuldade para conseguir capital de giro. Os dados vêm da pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta segunda (30). Lideranças do PIM informam que, em Manaus, pelo menos 80% do setor está na mesma situação.

Segundo a sondagem Consulta Empresarial, 40% das empresas que relataram enfrentar impactos negativos a partir do Covid-19 se dizem “muito afetadas”, seguidas pelas “medianamente afetadas” (27%) e “pouco afetadas” (25%). Uma faixa de 5% não foi afetada pela pandemia e manteve a rotina, enquanto 3% registraram impactos positivos.

Em 41% das indústrias consultadas, a produção foi interrompida pela crise. Em 23%, os trabalhos estão paralisados por tempo determinado. Em 18%, a manufatura está suspensa sem previsão de retorno. O percentual de empresas que reduziram a produção é de 40% – sendo 19% “de forma intensa”. Apenas 5% aumentaram o ritmo da atividade.

Em relação à queda na demanda, 79% perceberam redução nos pedidos e 53% apontam que a queda foi intensa. Apenas 7% relataram aumento na demanda por seus produtos. Sobre a obtenção de matéria-prima, 86% das empresas relataram dificuldades – 37% estariam com “muita dificuldade”. Apenas 15% continuam a obter insumos com normalidade.

Conforme o levantamento, 83% das indústrias enfrentam dificuldades na logística de produtos e insumos, categoria que já levou à suspensão de atividades em várias fábricas do PIM dos segmentos de duas rodas e eletroeletrônicos – bem como todo o polo relojoeiro. Uma fatia de 38% relatou que enfrenta “muitas dificuldades” nesse quesito e só 17% estariam com o transporte funcionando regularmente.

Dificuldade nas contas

Segundo a CNI, 73% das empresas já enfrentam dificuldades com pagamentos de rotina – tributos, fornecedores, salários, energia elétrica e aluguel –, sendo que 42% relataram “muita dificuldade”. Somente 3% das companhias estão com facilidade para manter os pagamentos.

O acesso ao crédito também está mais difícil. Das 734 indústrias de pequeno, médio e grande porte ouvidas pela CNI em todo o país, 61% procuraram linhas de capital de giro. Considerando somente as que buscaram, 78% das empresas encontraram mais dificuldades no acesso, sendo que para 45% o acesso está “muito mais difícil”.

Entre as medidas tomadas pelas indústrias em relação aos empregados, 58% adotaram o trabalho domiciliar (home office), 47% deram férias para parte dos empregados, 46% afastaram empregados com sintomas e 35% recorreram ao uso do banco de horas. Um total de 21% separou equipes por turnos menores e 19% deram férias coletivas para todos os empregados. 

Até agora, 15% das empresas pesquisadas demitiram funcionários. “É necessário estabelecer urgentemente uma estratégia para promover uma retomada responsável, segura e gradativa da atividade econômica. Os impactos são significativos e não poderão ser suportados pela indústria por muito tempo”, advertiu a CNI, em comunicado à imprensa.

“Ajuste na produção”

De acordo com o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Jose Jorge do Nascimento, apesar da parada do comércio e de seus efeitos no volume de pedidos e escoamento de produção, a “grande maioria” das empresas associadas à entidade ainda está em operação. O dirigente ressalva que uma paralisação mais prolongada no varejo dos centros urbanos do Centro-Sul do país deve levar a um “ajuste na produção”.

“Algumas empresas já sofrem queda significativa nos novos pedidos, na ordem de 80%, e isso afeta sua saúde financeira. É por isso que é importante que o Brasil siga o que China, Estados Unidos e países da Europa fizeram: investir pesado no socorro às indústrias. Com a contrapartida de que todas estão dispostas a manter seus empregos. A crise impacta também no capital de giro das fábricas. Tanto é que existem várias propostas circulando no Congresso, de financiamentos com juros subsidiados. O governo federal também deve emitir MPs focando em capital de giro e manutenção de empregos ”, comentou.     

“Momento crítico”

Indagado pelo Jornal do Commercio sobre números locais e a respeito da situação da indústria incentivada de Manaus, dentro desse quadro de crise, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, reforçou que Brasil e Amazonas estão entrando em um momento crítico em suas economias – especialmente na atividade produtiva.

“Comércio fechado em todo o país e algumas cidades proíbem a entrada de caminhões com produtos que não sejam itens essenciais, como alimento e medicamentos. Isso se reflete na atividade das indústrias, que estão com estoques elevados. Sem faturamento, todos ficam prejudicados. Fornecedores não recebem e estão tendo cancelamentos de pedidos. Ao não faturar, não se recolhem impostos, impactando município, Estado e União”, explanou.

“Empresas descapitalizadas”

Já o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, lembra ao Jornal do Commercio que o setor havia entrado em um período de aparente recuperação em 2020, mas ainda com suas empresas descapitalizadas pelas dificuldades dos anos anteriores, quando foi pego pela crise do coronavírus.

“Estamos com mais de 80% de nosso parque fabril com a produção interrompida, em virtude do fechamento no comércio. E, quando você para São Paulo, para o país todo. As empresas ficaram muito estocadas e muitas enfrentam dificuldades para se financiar. Vamos ver o que o governo vai fazer em relação ao fomento com os bancos públicos, a exemplo do BNDES”, concluiu. 

Fonte: Marco Dassori

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