Indústria amazonense avança com alta pelo terceiro mês

A indústria amazonense emendou um terceiro mês de alta de produção, entre abril e maio, mas ficou aquém da média nacional. O crescimento anual bateu nos dois dígitos, sendo favorecido novamente pela fraca base de comparação, dilapidada pelos impactos econômicos da primeira onda e das primeiras ações de isolamento social no Estado. As linhas de produção que mais avançaram na variação anual foram as de motocicletas, derivados de petróleo, condicionadores de ar e bebidas, entre outras. É o que apontam os dados da pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgados nesta quarta (8).

A produção industrial do Estado avançou 0,5%, na passagem de abril para maio deste ano, em um movimento mais suave do que o do mês anterior (+1%). O crescimento chegou a 98,2% em relação ao mesmo mês de 2020 –quando a indústria amazonense estava quase que inteiramente paralisada pela primeira onda da pandemia e pela impossibilidade de desovar estoques para o restante do país. Com isso, o setor conseguiu consolidar os acumulados do ano (+27,1%) e dos 12 meses (+13,3%). 

Ao contrário do ocorrido nos levantamentos anteriores, o resultado do Amazonas (+0,5%) perdeu para a média nacional (+1,4%), que esboçou recuperação entre abril e maio de 2021. Com isso, o Estado desabou do primeiro para o nono lugar do ranking nacional do IBGE, que analisa as indústrias de 14 unidades federativas. Goiás (+4,8%), Minas Gerais (+4,6%) e Ceará (+4,4%) lideraram a lista, enquanto Pará, Bahia (ambos com -2,1%), Paraná (-1,4%) e Santa Catarina (+0,1%) ficaram no rodapé.

O atípico acréscimo registrado na variação anual de março (+98,2%) fez o Estado superar a média brasileira (+24%) e se manter na primeira posição. Ficou à frente, por uma margem significativa, do Ceará (+81,1%) e de Santa Catarina (+38,7%). No outro extremo, Bahia (-17,7%), Mato Grosso (-2,2%) e Goiás (-0,3%) amargaram as últimas posições, apresentando os únicos desempenhos negativos do rol.  

No acumulado dos cinco meses iniciais de 2021, a performance do setor foi suficiente para trazer o Amazonas (+27,1%) para a primeira colocação do ranking, representando mais do que o dobro do número brasileiro (+13,1%). O Estado também foi secundado por Santa Catarina (+26,7%) e Ceará (+25,3%), neste cenário. Em contrapartida, Bahia (-16,3%), Mato Grosso (-5,3%) e Goiás (-4,2%) amargaram as únicas retrações da lista.  

Motocicletas e combustíveis

Na comparação com os dados de abril de 2020, a indústria extrativa (óleo bruto de petróleo) saiu do campo negativo e subiu 6%. A indústria de transformação, por outro lado, escalou para uma nova elevação de três dígitos (+107,5%), sendo que, mais uma vez, apenas um de seus nove segmentos investigados mensalmente pelo IBGE fechou no vermelho: impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos), que encolheu 50,1%.

Os números mais fortes vieram de “outros equipamentos de transportes” (motocicletas e suas peças, com +793,5%), derivados de petróleo e combustíveis (+186,3%), máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com +166,3%) e bebidas (+129,9%). Na sequência vieram produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, com +61%), máquinas, equipamentos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com +54%), produtos de borracha e material plástico (+51,6%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares, computadores e máquinas digitais, com +31,3%).

A comparação do acumulado do ano com igual intervalo do ano passado apontou dados negativos apenas para a indústria extrativa (-2,1%) e a divisão de impressão e reprodução de gravações (-67%). Os melhores desempenhos vieram de produtos de borracha e de material plástico (+68,3%), outros equipamentos de transporte (+62,7%), máquinas e equipamentos (+59,3%), bebidas (+34,5%), derivados de petróleo e combustíveis (+31,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+26,7%).

Pandemia e restrições

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que, embora pequeno, o crescimento de maio é significativo, porque mostra uma evolução do mês em relação aos anteriores, que também apresentaram crescimento. Já o crescimento de 98% em relação a maio do ano passado, prossegue o pesquisador, deve ser levado em conta o fato de que naquele mês o Estado estava em plena crise pandêmica –em que pese o fato de que o Amazonas colecionou os melhores números na comparação com 2020. 

“Quase todas as atividades da indústria local tiveram desempenho positivo. Outros equipamentos de transportes e produtos derivados de petróleo foram os que tiveram maior aumento de produção. Impressão e reprodução de gravações, foi a única atividade com queda. A média móvel trimestral ficou em 3%, o que aponta um pretenso crescimento nos próximos meses. No entanto, a atividade ainda está sensível por conta da pandemia e suas restrições nos grandes centros consumidores de seus produtos”, ponderou. 

Inflação e insumos

Em análises anteriores referentes ao período assinalado pela sondagem do IBGE, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, apontou que os indicadores denotam o cenário de recuperação vivido pela indústria amazonense, que vem sendo acompanhado pelas lideranças do PIM, desde março deste ano. Segundo o dirigente, tanto a manufatura local, quanto a nacional, apresentam recuperação acima do esperado.

“A indústria do Amazonas, mesmo durante o período mais acentuado da pandemia, conseguiu apresentar indicadores razoáveis, e, após a reabertura gradual, vem apresentando constantes números positivos. O cenário futuro, dada a demanda reprimida ocasionada pela pandemia, é positivo. Devemos observar, todavia, a questão inflacionária e o fornecimento de insumos, que podem impactar negativamente na operação fabril”, concluiu.

Em depoimento anterior sobre o mesmo tema, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, ponderou sobre o efeito “imponderável” da pandemia sobre a base depreciada do ano passado, mas destacou que o Estado, segue com saldo positivo no desempenho de sua manufatura, indicando continuidade no processo de retomada. “Acredito que o resultado só não foi melhor, em virtude do desabastecimento dos insumos, que estamos acompanhando. Mas, o saldo é positivo que mantém o otimismo e reflete a recuperação da atividade, em Manaus”, concluiu. 

Foto/Destaque: Divulgação

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