Indústria alimentícia amarga estagnação

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De acordo com dados mais recentes da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o setor registrou faturamento de US$ 41.71 milhões até agosto, uma queda de 8,63% em relação ao apresentado em igual período de 2008 (US$ 45.65 milhões)

A indústria de alimentos do Estado vem obtendo números menores a cada ano. De acordo com dados mais recentes da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o setor registrou faturamento de US$ 41.71 milhões até agosto, uma queda de 8,63% em relação ao apresentado em igual período de 2008 (US$ 45.65 milhões).
Como muitos setores, o polo alimentício se sobressaiu aos números alcançados nos oito meses de 2009 (ano da crise), atingindo um percentual superior de 33,31%. Entretanto, o resultado ainda é 5,14% inferior ao de 2006 (US$ 43.97 milhões) e 0,62% abaixo do de 2005 (US$ 41.97 milhões).
Dentre os produtos do setor estão incluídos: iogurte, queijo, mel natural, farinha de trigo, bolachas, torradas e produtos semelhantes, pão de forma, sorvetes, massas alimentícias, produtos comestíveis de origem animal, preparações para alimentação de animais, entre outros, segundo a superintendência.
O presidente do Sindipam (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas), Carlos Azevedo, afirma que um dos motivos para o desempenho é o resquício da crise no início do ano. Além disso, com a quebra da safra de trigo na Europa, reajustada a 20%, a indústria de panificação tem de manter os preços anteriores até final de dezembro para não atrapalhar o consumidor. “Desta forma, tivemos uma perda de rentabilidade”, detalhou.

Aumento da farinha

Em concordância com Azevedo, o presidente do Sindicato da Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos de Manaus, Américo Augusto Esteves, diz que o aumento substancial da farinha de trigo na Rússia resultou numa queda do setor, apesar da recuperação econômica do país. “Ainda assim, esperamos um crescimento de 8% frente ao ano passado”, declarou.
No caso do Sindipam, a projeção se encontra na ordem de 10%, em virtude do mix de produtos. “Antigamente, o forte da indústria de panificação era o pão francês. Hoje, ele ainda é necessário. Mas, com o acréscimo de tecnologias, há uma diversificação dos produtos estabelecidos”, acrescentou Azevedo. Quanto à queda diária do dólar, ele ressalta que não houve tantas complicações no segmento porque eles são importadores e não exportadores.
Por este motivo, o presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação do Estado, Carlos Rosa Monteiro, comenta que o subsetor de produtos alimentícios no Amazonas tem uma representatividade mínima em relação ao Brasil. “O pouco que exportamos é de produtos extrativistas, como castanha e sucos regionais de sabores exóticos”, frisou.
Monteiro fala que a entidade comporta dezenas de empresas, mas poucas são de grande porte como a Ocrim (produção de trigo), Fábrica Virrosas (vinagre), Gelocrim, Frigelo e Café Manaus.

Vantagens comparativas do modelo ZFM não funcionam para o segmento

De acordo com os dirigentes, o setor de alimentação no Amazonas é menor frente ao mercado nacional porque em todo o país a carga tributária é semelhante. Isto impede que outras empresas se instalem aqui, pois no Estado o mercado consumidor não é tão grande quanto nos demais Estados.
“A maioria dos produtos do ramo alimentício não sofrem a incidência de IPI [Imposto sobre Produção Industrial] e são taxados com um ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] de baixa alíquota, daí o desinteresse em se instalar na Zona Franca. Um exemplo é que um concentrado de refrigerante produzido em um Estado, que não seja o Amazonas, pagaria um ICMS de mais ou menos 25% e um IPI de 20% a 30%, enquanto um produto alimentício pagaria um ICMS de 1% a 7% e uma alíquota de IPI de 0%”, analisou Carlos Rosa.
Segundo Esteves, devido a essa baixa no consumo local, seria mais interessante para as indústrias serem implantadas em outros centros populacionais. “Para se ter uma ideia, o consumo de espaguete no país é de seis quilos. Já no Estado não chega a quatro quilos. Se a carga tributária é igual, eles não vão ficar em um lugar onde além de tudo há necessidade de importar a matéria-prima”, alertou o dirigente.
Em contraste com o Amazonas, a indústria brasileira se diz otimista em relação ao mercado e prevê vendas recordes para este Natal. Dados da Abia (Associação Brasileira da Indústria Alimentícia) indicam que o setor avançou 6,8% até agosto.

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